Tondela cai nos penáltis e é eliminado da Taça
*Por Arménio Pereira
A receção ao Caldas na quarta eliminatória da Taça de Portugal ficou marcada pela estreia de Cristiano Bacci no comando técnico do Tondela. O treinador italiano - com passagens por Olhanense, Boavista e Moreirense - substituiu Ivo Vieira, que não resistiu ao penúltimo lugar dos «beirões» na Liga.
A imprevisibilidade do futebol pode ser coisa séria, mas jogar o primeiro jogo em casa, frente a um adversário de um escalão inferior, era o cenário ideal para Cristiano Bacci. Marcar o começo do desafio em Tondela com uma vitória era o melhor que o treinador podia ambicionar.
O Caldas apresentou-se mais desinibido em campo, com tudo a sair-lhe melhor do que à equipa da casa. Até ao primeiro quarto de hora foi quem conseguiu assustar na grande área contrária por uma ocasião. O Tondela, expetante, equilibrou aos poucos, mas a verdade é que era a equipa forasteira que, quando partia para o contra-ataque, criava mais entusiasmo nas bancadas.
Na verdade, até aos 35 minutos de jogo não houve uma oportunidade de golo digna desse nome. As coisas não estavam a sair bem à equipa de Cristiano Bacci e os assobios vindos da bancada passaram a ouvir-se com alguma persistência. Antes do intervalo, registaram-se dois remates a cada uma das balizas, que os guarda-redes defenderam facilmente. Primeiro, João Rodrigues, sempre muito irrequieto, para o Caldas, depois, Rony Lopes para o Tondela.
O nulo ao fim dos primeiros 45 minutos de jogo espelhava bem aquilo que as equipas não tinham conseguido fazer de positivo, embora, com culpas acrescidas para a equipa primodivisionária.
Na segunda parte cedo se percebeu que o Tondela tinha vindo com outra disposição, mas as coisas teimavam em não sair com o efeito desejado. Alguma lentidão na definição do passe, confusão no último terço e cruzamentos mal medidos para dentro da área eram os principais pecados.
Rony Lopes finalmente obrigou, de livre, a defesa apertada de Duarte Almeida (55m). Pedro Maranhão repetiu a dose aos 59 minutos com um remate perigoso. Um minuto antes, Bacci tirou Félix e meteu Jordan Siebatcheu. O Tondela passava a ter uma referência no ataque, embora a equipa continuasse demasiado amarrada à ideia de ataque móvel com que tinha iniciado a partida.
Com o retardar do golo, o treinador italiano voltou a mexer na equipa, metendo Bebeto e Joe Hodge para dar ainda mais acutilância ofensiva. No entanto, só com os lances individuais de Pedro Maranhão é que criavam algum perigo para a baliza do Caldas.
À medida que os minutos iam passando foi-se percebendo que o resultado não iria sofrer alterações. No último minuto de compensação, o Caldas conseguiu criar perigo dentro da área do Tondela, mas o árbitro Miguel Fonseca assinalou falta sobre o guarda-redes Lucas Cañizares. O jogo terminou com as equipas empatadas, ficando obrigadas a um prolongamento.
Os primeiros 15 minutos não mostraram nada de diferente. A única exceção foi um livre na esquerda apontado por Pepo, que Cañizares desviou para canto. No segundo período do prolongamento, o mesmo jogador (107m), em jogada individual à entrada da área, com um remate rasteiro obrigou o guarda-redes do Tondela à melhor defesa da noite.
Feito repetido pelo guarda-redes Duarte Almeida a voar para travar um cabeceamento de Jordan Siebatcheu (115m). Nesta fase, a equipa beirã já dava o tudo por tudo quando as pilhas do Caldas já tinham esgotado.
Só que para encontrar um vencedor foi preciso ir para a decisão das grandes penalidades. A equipa da Liga 3 superiorizou-se ao Tondela conseguindo marcar todos os seis penáltis que apontou (João Rodrigues, Pipo, Miguel Velosa – à Panenka – Rui Carreira, Gonçalo Barreira e Matheus Pamério). No Tondela, Yarlen falhou a sexta, mas antes, todas as cinco também tinham sido convertidas (Bebeto, Tiago Manso, Jordan Siebatcheu, Joe Hodge e Pedro Maranhão).
Momento do jogo: penáltis
A marcação das grandes penalidades mostrou que o Caldas tinha vindo a Tondela para surpreender. E na realidade surpreendeu na frieza com que apontou as seis, até Yarlen, do Tondela, ter falhado. Matheus Palmério foi o homem a quem coube o pontapé decisivo.
A figura: Pedro Maranhão (Tondela)
A velocidade que conseguiu impor no corredor direito foi o melhor que se viu naquilo que foi o empenho global da equipa. E isto, apesar de ter sido colocado num lugar mais recuado do que costuma jogar, tentou com esforço empurrar a equipa para o ataque com os melhores argumentos que tem.
Positivo: Adeptos do Caldas
Em grande número nas bancadas do Estádio João Cardoso, não se cansaram de apoiar a equipa durante os 90 minutos. Os jogadores sentiram sempre isso, ajudando muito à exibição que foram produzindo. Ofereceram sempre muita resistência a um Tondela que tinha obrigação de fazer mais.