Mauro Airez e Carlos Xavier recordam a final (1995/96) que todos quiseram «apagar do pensamento»
Aconteceu há 29 anos um dos episódios mais marcantes do futebol português e da Taça de Portugal, em específico. Um very light sobrevoou o Estádio do Jamor e acabou por atingir um adepto do Sporting, que morreu durante o dérbi entre Benfica e Sporting (1995/96).
As duas equipas voltam a encontrar-se no fim desta época, no que promete ser mais um jogo escaldante e o regresso a um palco de grandes memórias, ainda que há quem preferisse apagar algumas do pensamento. Carlos Xavier foi titular no fatídico encontro e garante que o que aconteceu naquele dia foi «ridículo», já que o mesmo devia ter sido suspenso.
«As recordações (da final de 1995/96) são as piores e, por mais que queiramos apagá-las do pensamento, nunca as vamos esquecer. O que foi inadmissível nesse dia é que o jogo continuou. Tínhamos acabado de assistir a uma morte no estádio. É o futebol que temos, o que aconteceu foi ridículo. Depois de sabermos das notícias, ficámos todos transtornados e tristes pela perda de um sócio do Sporting. Se fosse com um associado do Benfica, era igual», referiu o ex-jogador dos leões.
Do outro lado do campo esteve Mauro Airez, autor de um dos três golos encarnados na final (3-1), que admite ter passado uma fase complicada após o incidente e tudo por causa... de um festejo. O avançado argentino explica que celebrou perto da zona onde o adepto faleceu e em si caiu um «sentimento de culpa inevitável».
«Não andei muito bem durante algum tempo, porque pensava que se não tivesse feito o festejo… Celebrei uns metros para o lado esquerdo da baliza do Sporting, perto da zona onde o adepto morreu. Era como se fosse um sentimento de culpa inevitável. Quando saio do relvado e começo a correr no túnel, pois era um dia de muito calor e eu estava cheio de sede, encontrei uma ambulância que ia a sair do estádio e quase me atropelou. Ao regressar para a segunda parte, viu-se que havia um clarão enorme na bancada e manchas de sangue», afirmou.
Ora, 29 anos depois há novo dérbi lisboeta no Jamor, com novos protagonistas e uma nova oportunidade de se escrever história no futebol português.
