Novo comandante goleia... em piloto automático
Tudo fácil, tudo automático. Mesmo com uma equipa 'secundária' em campo (as alas, entregues a Ricardo Esgaio e Iván Fresneda, são exemplo disso), o Sporting goleou o Amarante em desafio da quarta eliminatória da Taça de Portugal, por 6-0, nesta sexta-feira, no Estádio José de Alvalade.
Num jogo que, acima do resultado ou da passagem à próxima fase da competição, valeu pela estreia de João Pereira enquanto treinador principal do Sporting, houve facilidades extremas para o Sporting diante de uma equipa da Liga 3, evidenciando as diferenças de qualidade (e de realidade) entre equipas de divisões diferentes.
O protagonista do encontro… praticamente nem se viu. Alistado na ficha de jogo como treinador-adjunto por não ter o IV nível de treinador, João Pereira esteve sentado no banco de suplentes enquanto Tiago Teixeira, o seu adjunto ‘de facto’, dava orientações aos jogadores de pé. A Juventude Leonina fez questão de lhe mostrar apoio: «Lado a Lado, Mister», lia-se numa tarja exibida na primeira parte.
A verdade é que, mesmo que ninguém desse indicações, os leões mostraram que os automatismos deixados pela anterior equipa técnica ainda estão bem presentes. Apoiados no 3-4-3 de Amorim, os jogadores cumpriam a sua função sem aparentes desorganizações, mesmo que estejamos a falar de jogadores menos utilizados. Talvez Fresneda fosse o mais desconfortável.
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Os golos surgiram cedo e tranquilizaram a equipa. Marcus Edwards mostrou compromisso e fez um belo golo, tirando dois adversários do caminho e rematando de pé direito para a malha lateral. Tudo fácil, aos 10 minutos. Aos 15m, surgiu o segundo.
Ricardo Esgaio - mal amado por uns, apoiado por outros -, fez questão de aproveitar estes minutos de jogo para se destacar. Marcou o segundo golo e originou o quarto, na primeira parte. O golo surgiu depois de uma grande jogada, a expor as linhas mais recuadas do Amarante. Matheus Reis passou na profundidade, Bragança cruzou rasteiro e Esgaio surgiu no sítio certo.
Aos 30 minutos, surgia o terceiro. Conrad Harder, que foi titular para descansar Viktor Gyokeres, marcou a aproveitar um erro no meio-campo dos alvinegros. Perderam a bola, Trincão fez um grande passe e o dinamarquês finalizou à ponta-de-lança. Ainda antes do intervalo, Marcus Edwards bisou com um verdadeiro ‘roubo’ ao colega Daniel Bragança. Encostou a bola em cima da linha de golo, após remate do médio, e até lhe pediu desculpa depois do golo. Esgaio abriu caminho.
Estreias de João Simões, Henrique Arreiol e… golo de Gyökeres
Na segunda parte, João Pereira promoveu duas alterações para uns 45 minutos que se previam fáceis. Fez entrar Geovany Quenda (de quem tanto se falou na pausa internacional) para a ala direita, recuando Esgaio a central, e lançando Morita no lugar de Hjulmand.
Aquele que estava a ser o mais irrequieto, o mais esclarecido, o verdadeiro motor ofensivo da equipa, chegou ao golo já perto da hora de jogo. Francisco Trincão rematou rasteiro e certeiro para o fundo das redes, à entrada da área, após combinação com Harder. Já merecia.
A tranquilidade da goleada deu ainda azo à entrada de Viktor Gyökeres, o ‘menino bonito’ de Alvalade, e dois verdadeiros… meninos. João Simões, de 17 anos, estreou-se na equipa principal sob a mão do seu antigo treinador na equipa B. Simões é médio e natural de Portimão, com um já respeitável trajeto nas seleções jovens. Pouco depois, foi a vez de Henrique Arreiol, madeirense de 19 anos, para o meio-campo.
João Pereira quis ver Gyökeres a atuar, mesmo com o jogo controlado, e o sueco ainda picou o ponto. Marcou de grande penalidade (ganha por ele), fazendo o 6-0, e ainda acertou duas vezes no poste direito da baliza de Didi, através de dois livres diretos.
Apesar do apoio dos adeptos amarantinos (corajosos, face ao horário tardio deste jogo e à longa deslocação), regressaram a casa goleados. Ficou certamente uma experiência para muitos destes atletas recordarem. E o Sporting segue em frente na Taça de Portugal.
