A despedida que Viktor Gyökeres fez por merecer
Figura: Viktor Gyökeres
Restam dúvidas de que vai sair no fim desta época? A jogar assim, é impossível passar despercebido. Foram 52 jogos, 54 golos e 13 assistências esta época, tendo o último tento valido uma Taça de Portugal. O troféu parecia entregue ao Benfica após um jogo menos conseguido dos leões, mas eis que o sueco surgiu aos 90+9m para arrancar uma grande penalidade. Ultrapassou António Silva e obrigou Renato Sanches a uma abordagem desastrosa. Na marcação do penálti, enganou Samuel Soares e levou o jogo para prolongamento. Aquilo que ele fez no Sporting só é digno de grandes nomes como Jardel, Manuel Fernandes ou Hector Yazalde. Peyroteo foi outra coisa, mas o sueco vai ficar com certeza na memória coletiva do clube.
Momento: golo de Viktor Gyökeres, aos 90+10m
Podemos dizer que o golo de Conrad Harder foi o momento definidor do resultado, mas não do jogo. O duelo só chegou até prolongamento devido à ação individual de Viktor Gyökeres aos 90+9m. ‘Humilhou’ António Silva e Renato Sanches para gáudio dos adeptos sportinguistas e ganhou penálti. Foi uma explosão de alegria e logo se começou a cantar «Bicampeão». Gyökeres converteu e os sportinguistas puseram ‘uma mudança acima’, gritando: «Tricampeão!»
Positivo: dobradinha 23 anos depois
Para quem desacreditava Rui Borges, a verdade é que o técnico assegurou nesta segunda metade de temporada algo que não acontecia há 23 anos – a dobradinha. O bicampeonato foi decidido na última jornada, com mais dois pontos do que o Benfica, garantindo algo que não acontecia há mais de 70 anos. Mas os leões não se ficaram por aí. No Jamor, o Sporting conquistou a Taça de Portugal e assegurou uma dobradinha que deixa os leões em euforia (e a sonhar com mais).
Outros destaques:
Rui Silva: aos 31 anos, o guardião disputou a primeira final da Taça de Portugal na sua carreira. O ex-Nacional e Bétis chegou a meio da época para dar uma opção segura aos leões na baliza e foi isso mostrou. Os jogadores de campo tiveram uma entrada satisfatória, mas ao longo da partida foram quebrando física e mentalmente, talvez pela ressaca dos festejos do título. Porém, o guardião estava bem atento e impediu um golo cantado de Vangelis Pavlidis aos 20 minutos de jogo. Uma estirada de mão esquerda que levou a bola ao poste. Ainda defendeu outros remates de Kokçu (5m), Belotti (82m), Barreiro (90+5m) e Di María (118) com menor dificuldade. Nada podia fazer no golo.
Jeremiah St. Juste: com a lesão de Ousmane Diomande, o neerlandês assumiu o centro da defesa. Aproveitou a oportunidade para fazer um par de intervenções importantes, normalmente na dobra de colegas, especialmente durante a primeira parte. Velocidade e timing de interceção.
Conrad Harder: há quem o acuse de apenas procurar a baliza. Bom, para um avançado, isso não é um mau princípio. Entrou aos 75 minutos e deu energia ao ataque sportinguista, com vários remates de posições até nem muito favoráveis. O seu momento chegou já no prolongamento, com uma impulsão impressionante ao segundo poste. Cabeceou para dentro e confirmou aquilo que parecia inevitável – a dobradinha do Sporting. E ainda assistiu!
Francisco Trincão: é impossível terminar esta peça de destaques sem mencionar o extremo. Passou algo despercebido durante os 120 minutos (não esquecer que é o jogador do Sporting com mais cansaço nas pernas) mas no último minuto do prolongamento... Nossa Senhora. Que maldade a António Silva. Golaço.