Lei da bomba não anulou a lei de Murphy
Figura: Orkun Kökçü
Com a camisola dez nas costas, o maestro do Benfica talvez nunca tenha atingido o potencial que se esperava dele nestas duas temporadas. Porém, vai decidindo partidas esporadicamente e a final da Taça de Portugal parecia ser mais um desses casos. Além do trabalho rendilhado de construção que assumiu no miolo, ao lado de um Florentino que é mais limitado nesse aspeto, o turco ameaçou ainda durante a primeira parte com um remate de longe. Não foi mais do que um aquecimento para o grande golo da segunda metade. Um tiro indefensável com força e colocação (que não foi suficiente para a vitória).
Momento: golo de Kökçü, 47m
Logo após o regresso do intervalo, já com a troca de campo, uma tocha foi incendiada pelos adeptos do Benfica atrás da baliza de Rui Silva. No meio do fumo, Kökçü combinou com o compatriota Kerem Akturkoglu, recebeu a bola à entrada da área e disparou um remate pleno de fúria. A bola passou por baixo das pernas de Zeno Debast (que não teve a melhor abordagem) e aninhou-se no fundo das redes. A celebração parecia uma catarse da temporada menos conseguida – adeptos e jogadores em comunhão.
Negativo: despedida infeliz de Di María
Um dos melhores jogadores a agraciar os relvados portugueses neste século é Ángel Di María. Primeiro, entre 2007 e 2011, quando explodiu com Jorge Jesus. Depois, num regresso bastante aclamado pelos benfiquistas, em 2023, após uma bem sucedida carreira internacional. Chegou viu e... não venceu. Pelo menos nenhum campeonato nem nenhuma Taça de Portugal. Só entrou em jogo porque a partida foi a prolongamento e acaba ‘encostado’ por Bruno Lage nesta fase avançada da carreira. Terminou o jogo em lágrimas.
Outros destaques:
Álvaro Carreras: naquele que poderá ter sido o seu último jogo pelo Benfica, o lateral-esquerdo mostrou o porquê de ser associado a grandes clubes como o Real Madrid. Se compararmos aquilo que o espanhol dá ao corredor esquerdo e o que Tomás Araújo dá ao direito… são patamares diferentes. Dá grande projeção, com e sem bola, ao seu lado do campo. Cruzou muito bem aos 42m, mas ninguém apareceu. Teve algum azar ao cometer a falta que anulou o 2-0 mas manteve sempre um nível elevado, até no prolongamento.
Bruma: uma das maiores surpresas do onze do Benfica, a par com Samuel Dahl, o extremo internacional por Portugal esteve uns furos acima do habitual na ala direita do ataque. Expedito, ligado à corrente e a funcionar bem nas combinações, foi através de um remate seu que o Benfica ganhou grande penalidade aos 12 minutos, por mão de Inácio. Infelizmente para ele, o colega Kökçü estava em fora de jogo e o castigo máximo foi invalidado. Pouco depois, desferiu outro remate que só não deu golo devido a um grande corte de St. Juste. Na segunda metade, marcou um belo golo ao combinar com Pavlidis, mas… acabou também anulado por falta de Carreras.
Vangelis Pavlidis: o grego esteve, como é seu apanágio, muito bem no capítulo da ligação aos colegas. Decidia bem nas transições ofensivas, tentava recuperar bolas no meio-campo ofensivo e era assertivo nos remates. Um exemplo foi a bola que enviou ao poste esquerdo da baliza do Sporting, mas bem pode culpar Rui Silva por efetuar um desvio importantíssimo nesse lance.