Taça: Benfica-Sp. Braga, 1-0 (crónica)
Vangelis Pavlidis gritou Eureka!
No terceiro duelo entre Carlos Carvalhal e Bruno Lage desta temporada, o Benfica venceu o 'tira-teimas'. Batido na Luz, no campeonato, e vitorioso na Taça da Liga, em Leiria, a formação de Lisboa ganhou aos minhotos pela margem mínima na noite desta quarta-feira, apurando-se para as meias-finais da Taça de Portugal (1-0). E se essa margem foi de um golo… bem pode o Benfica culpar-se a si próprio.
Não fosse um grego gritar 'Eureka', descobrindo o caminho para o golo na primeira parte, e o jogo teria entrado noite dentro. Tal como Arquimedes, matemático da Grécia Antiga a quem ficou cunhada esta célebre expressão, Pavlidis encontrou o que mais ninguém tinha descoberto. A exibição do Benfica, no entanto, não terá agradado a gregos e troianos.
Bruno Lage apostou na nova formação tática que tem testado desde janeiro, com a chegada de Samuel Dahl. Três centrais, com Carreras do lado esquerdo, Tomás Araújo e Samuel Dahl cobrem as alas, Aursnes e Kokçu são senhores do meio-campo e um tridente ofensivo composto por Bruma, Pavlidis e Akturkoglu. Na baliza, o prometido Samuel Soares.
Já Carlos Carvalhal não 'inventou' muito. No 4-2-3-1 que já tinha apresentado anteriormente face ao Benfica, fez apenas uma alteração em relação ao último jogo com o Nacional, com Uros Racic a jogar na posição de médio-ofensivo e Gharby a sair do onze.
Golo anulado a Bruma e desperdício na primeira parte
Se recordarmos o último embate entre as duas equipas, curiosamente noutra meia-final – desta vez da Taça da Liga, em Leiria, a primeira parte foi muito diferente. Se em janeiro era claro que o Benfica ia levar de vencia o encontro logo ao intervalo, com três golos marcados, este encontro foi mais dividido.
No entanto, como seria de esperar na Luz, o Benfica dominava nas chances de golo e na posse de bola. Desperdiçava, porém, muitas dessas oportunidades de violar a baliza de Lukas Hornicek. O Sp. Braga incomodava o jovem Samuel Soares apenas em cantos… onde os minhotos causavam calafrios na Luz.
O Benfica começou a ameaçar o golo logo aos sete minutos. Akturkoglu, desta vez do lado direito, acertou no poste contrário com um remate rasteiro. Na ressaca, Pavlidis não acertou na baliza. As águias circundavam a área contrária e ainda chegaram ao golo aos 26 minutos, por Bruma (que não festejou), mas Pavlidis estava em posição irregular antes de participar na jogada.
O Braga ameaçava nos cantos, normalmente direcionados ao primeiro poste para alguém pentear ou, se puder, visar a baliza. Foi isso que fez o até então apagado Uros Racic, que atirou pouco ao lado da meta defendida por Samuel Soares. Talvez espicaçado por este lance, o Benfica voltou a carregar – Akturkoglu teve nova perdida após passe magistral de Kokçu e… por fim o golo.
Vangelis Pavlidis encontrou a fórmula do golo
EUREKA! Terá gritado o grego Vangelis Pavlidis, ao ver a bola entrar nas redes. O avançado inventou o caminho até ao golo quando até parecia estar em melhores condições de assistir Akturkoglu. Atirou forte, a meia altura, e bateu Hornicek para o 1-0. A primeira parte não acabou sem nova perdida benfiquista, com Carreras a cruzar rasteiro para o centro da área, com Pavlidis e Kokçu a não conseguirem chegar à bola por centímetros.
A segunda parte trouxe alterações do lado bracarense. El Ouazzani deu o lugar a Fran Navarro (que marcou ao Benfica em janeiro) e Arrey-Mbi, algo inconstante, foi rendido por Robson Bambu. O início desta metade foi mais equilibrado. A vantagem mínima mantinha a dúvida em relação ao resultado, apesar de um ascendente benfiquista.
Talvez o reencontro com antigos colegas tenha retirado alguma frieza a Bruma. O extremo falhou nova chance clara de golo depois dos 60 minutos, deixando que Hornicek se agigantasse na baliza do Braga. Fica a sensação de que, contra outro oponente, teria saído deste jogo com um golo.
Os guerreiros aproveitavam esta falta de acerto. As mudanças de Carvalhal pareceram surtir efeito, com Gharby a dar mais posse de bola, e as alterações de Bruno Lage por volta da hora de jogo retiraram fio de jogo ao Benfica. Aursnes deu ‘uma perninha’ na ala direita (mesmo com Leandro Santos no banco de suplentes) e Belotti ainda jogou ao lado de Pavlidis, mas sem efeito.
Um final de jogo entrópico, com as duas equipas a jogar muito com o coração, não teve efeito no placard final. O Benfica passou mesmo às meias-finais da Taça de Portugal para reencontrar um velho conhecido, o Tirsense. Na única presença desta equipa nortenha nesta fase adiantada da competição, foram os encarnados que os eliminaram, em 1971/72. Agora, há novo duelo (improvável) marcado.
