Taça: Paços de Ferreira-Sporting, 2-3 (a.p.) (crónica)

Bruno José Ferreira , Estádio Capital do Móvel
18 out, 22:57
PAÇOS DE FERREIRA-SPORTING (Foto: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA)

Leão só encontra o caminho com autogolo já em horas extra

O Sporting está na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Não seria de esperar outra coisa perante um Paços mergulhado nas profundezas do segundo escalão, mas a realidade é que o conjunto de Rui Borges passou por dificuldades na Capital do Móvel. Os leões estiveram a perder por duas vezes, tiveram que levar o jogo para prolongamento e apenas carimbaram a passagem com um autogolo (2-3).

Noite de trabalhos redobrados para o Sporting, com muita desconfiança na transição defensiva mesmo com o regresso de Diomande – que saiu com debilidades físicas antes do prolongamento – e desacerto no último terço. Após dois jogos sem vencer, e em vésperas de receber o Marselha para a Liga dos Campeões, Paços de Ferreira era o ponto do calendário para calibrar a rota perante um adversário que ainda não venceu no segundo escalão. Mas, mesmo num embate de sentido único, os pupilos de Rui Borges complicaram um jogo em que o domínio não tem contestação.

Pedro Gonçalves anulou, em cindo minutos, a primeira desvantagem – ainda no primeiro tempo provocada por Lumungo– e Ioannidis anulou – já na segunda metade – a segunda desvantagem com um golpe de cabeça a contrariar o tento apontado por João Victor. Haveria de ser o capitão do Paços, Tiago Ferreira, a resolver a questão com um golo na própria baliza.

Inversão de marcha de Lumungo em via de sentido único

Com seis mexidas no onze, comparativamente com o empate frente ao Sp. Braga, o Sporting fez o que lhe competia: impôs sentido único ao embate, transportou o jogo para o meio campo adversário e rondou a baliza pacense. Entre vários remates e tentativas de ultrapassar a densa muralha do castor, a equipa do Sporting era pouco efetiva no seu domínio.

Organizado e à espreita de contragolpes venenosos, precisamente num lance rápido, foi numa recuperação de bola que os pacenses viraram a lógica do sentido. Lumungo inverteu a marcha ao minuto dezoito com um remate de primeira, na passada, a fazer a bola passar por baixo do corpo de João Virgínia, que não ficou propriamente bem na fotografia.

Foi uma espécie de espicaçar do leão. O domínio foi mais feroz, de raiva e mais efetivo. Foi Pote a liderar a revolta. Um minuto após rematar cruzado com perigo, fez de pé esquerdo o empate. Trabalho num espaço curto, a enquadrar-se para rematar com o pé esquerdo sem hipóteses para Jeimes, repondo a ordem natural do tráfego na Capital do Móvel.

Congestionamento até ao desbloqueio fora de horas

Energia terá sido aquilo que Rui Borges pediu ao intervalo, mas a realidade é que a pressa leonina criou alguma falta de discernimento que levou a turma de Alvalade a uma espécie de rotunda de saída dúbia. Com processos simples, novamente sem precisar de muitos toques, o Paços voltou a saltar para a frente do marcador. Desta vez foi Lumungo a servir João Victor.

A desvantagem, que desta feita durou doze minutos, foi desfeita por Ioannidis com um golpe de cabeça na sequência de um pontapé de canto. O grego aproveitou uma saída extemporânea de Jeimes dos postes para atirar para o fundo das redes. Tal como aconteceu com Pote, sem direito a festejos. Ainda não estava encontrado o caminho da próxima ronda. A rota estava difícil de encontrar e noventa minutos não foram suficientes. Apesar do forcing nos derradeiros minutos do tempo regulamentar, encostando o Paços às cordas, o Sporting não conseguiu resolver a questão e o jogo teve de ir para prolongamento.

Mais do mesmo: sentido único na direção da baliza de Jeimes, apesar do nervosismo a cada tomada de decisão. O assédio deu frutos no fecho da primeira parte da meia hora complementar com Geny Catamo a tirar o cruzamento venenoso que fez Tiago Ferreira, capitão do Paços, a desviar para a sua própria baliza, definindo aí o jogo e passagem do Sporting.

Imagem pálida do Sporting na Capital do Móvel. Num momento de desconfiança, viu-se várias vezes fora de rota perante uma equipa de segunda escalão. Cumpre, ainda assim, o essencial, seguindo em frente na prova rainha do futebol português.

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