Paulada justiceira: Sp. Braga cai da Taça em Fafe
Sangue, suor, emoção e história pintada em tons de amarelo e negro. O Sp. Braga cai com estrondo da Taça de Portugal, cinco dias após a dolorosa derrota na final da Taça da Liga, mas o protagonista deste capítulo tem de ser apenas um: o Fafe. Triunfo dos justiceiros (2-1) nos quartos de final da Taça com golos de João Santos e Carlos Daniel numa noite memorável para os locais em Fafe.
Um capítulo porque a história já vem longa. O Sp. Braga é o terceiro emblema do primeiro escalão a ser derrubado no Parque Municipal dos Desportos de Fafe, seguindo as pisadas de Moreirense e Arouca: uma paulada justiceira aplicada pelo quarto classificado da Série A da Liga 3, o terceiro escalão nacional.
A lamber as feridas da já referida final da Taça da Liga, perdida para o rival Vitória, o Sp. Braga tinha em novo duelo minhoto o analgésico para atenuar a dor. Sai de Fafe ainda com mais pisaduras. Carlos Vicens apresentou um conjunto arsenalistas com seis alterações no onze, voltando ao sistema de quatro defesas.
AO MINUTO: as incidências do jogo
Entre controlo territorial e vários momentos com muita bola, os guerreiros iam sentindo dificuldades para armar jogo e para construir lances de perigo. Sem sobressaltos, o conjunto do terceiro escalão ia resistindo com organização e abnegação.
Nessa toada, nunca deixou de olhar para a baliza adversária, esta noite à guarda de Tiago Sá. Resultado: construiu os principais lances de perigo do encontro, somando tendo três só na primeira metade. Concretizou uma e fez explodir o Parque Municipal dos Desportos de Fafe.
João Vigário galgou metros em slalom da esquerda para o centro do terreno, evitando adversários, até isolar João Santos com um toque subtil. A escassos minutos do intervalo João Santos correspondeu assertivamente com um remate de primeira, fazendo a bola parar apenas no fundo das redes.
Carlos Daniel a fazer o segundo da AD Fafe 🤯#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #TaçadePortugal #ADFafe #SCBraga pic.twitter.com/gVfSQA105O
— sport tv (@sporttvportugal) January 14, 2026
Pau Victor, Niakaté e Gabri Martinez foram lançados de imediato ao intervalo, João Moutinho também entrou na segunda metade. O Sp. Braga não estava a ser capaz de dar resposta à desvantagem e via o Fafe acreditar e conseguir mais aproximações aflitivas à sua baliza. Uma grande penalidade revertida após visualização das imagens por parte do VAR ainda adiou aquilo que viria a ser inevitável.
Num lance rápido, mas bem gizado, os justiceiros chegaram ao segundo e lançaram desde logo a festa ao minuto 70. Vasco Braga isolou Carlos Daniel, que na cara de Tiago Sá não temeu e ampliou a vantagem. Nos vinte minutos que teve pela frente, o Sp. Braga não foi capaz de reabrir o jogo. Apenas reduziu num dos derradeiros lances do encontro, por Dorgeles, sem por em causa o triunfo do Fafe.
A resenha histórica da Associação Desportiva de Fafe ganha um novo capítulo dourado. Repete-se um feito com quase meio século, com os minhotos a marcar presença pela terceira vez nas meias finais da Taça de Portugal. Consegue-o de uma forma heroica, a despachar no seu reduto três equipas do escalão principal. «Eu quero o Fafe no Jamor», gritou-se nas bancadas.
A FIGURA: João Santos
Personifica aquele que foi o caráter do Fafe no duelo minhoto com o Sp. Braga. Lutou muito, não virou a cara aos duelos e foi polivalente. Foi o primeiro elemento a defender, muitas vezes num trabalho ingrato sem bola; foi a réstia de esperança no ataque nos momentos em que o Sp. Braga estava por cima e começou a desenhar o triunfo ao apontar o primeiro golo da noite.
O MOMENTO: segundo golo do Fafe, por Carlos Daniel (70’)
Passe açucarado de Vasco Braga, a desmontar por completo a linha defensiva arsenalista, colocando Carlos Daniel na cara de Tiago Sá. Isolado e com tempo para tudo, o extremo fafense não tremeu e atirou a contar, dando contornos reais ao triunfo do Fafe. Sentido prático e competência por parte da equipa do Fafe na forma como amplia a vantagem.
POSITIVO: Fafe, um dos protagonistas da Taça de Portugal 2026
Em maio será coroado o grande vencedor da edição 2026 da prova rainha do futebol português. Mas, este Fafe, independentemente do que vier a acontecer, já tem um papel principal na prova. Último sobrevivente do terceiro escalão, eliminou o terceiro emblema de primeira em sua casa. Representa o simbolismo da Taça: estádio cheio num reduto de escalão inferior a olhar olhos nos olhos um adversário de primeira.