Formalidade cumprida a quatro tempos
Preenchidos os últimos formulários e cumpridos os últimos requisitos, o Benfica confirmou um novo duelo com o Sporting, desta feita, no Estádio Nacional, na final da Taça de Portugal, com nova vitória folgada sobre o Tirsense (4-0), esta quarta-feira, no Estádio da Luz. Com uma vantagem de uma mão cheia de golos trazida de Barcelos, Bruno Lage voltou a revolucionar um onze que demorou a ganhar balanço para novo resultado volumoso, mas acabou por confirmar a qualificação para o Jamor com uma vantagem consolidada de nove golos.
Será o quarto dérbi da temporada entre Benfica e Sporting em quatro palcos diferentes. Depois do primeiro em Alvalade, e do segundo, em Leiria, na final da Taça da Liga, vamos ainda ter um terceiro no Estádio da Luz, que poderá ser decisivo para o título, e ainda um quarto a fechar a temporada, no Jamor, o que já não acontece há 29 anos, desde a final 1995/96, marcada pelo famigerado very-light que matou um adepto do Sporting.
Apesar da diferença de três escalões a separar as duas equipas, a motivação com que o Tirsense veio à Luz fechar a temporada, o resultado determinante da primeira mão e a rotação que Bruno Lage voltou a promover neste segundo jogo, permitiram uma aproximação entre as duas equipas, pelo menos, ao longo da primeira parte.
Com nove alterações em relação ao jogo com o Vitória [ficaram apenas António Silva e Florentino], o Benfica assumiu, desde logo, as rédeas do jogo, mas sem qualquer pressa e chegar à frente. Com uma elevada posse de bola, o Benfica ia circulando a bola, apertando o cerco à área da equipa de Santo Tirso, mas sem forçar a entrada. Do outro lado, um Tirsense que estava visivelmente preparado para uma avalanche que tardava em aparecer. A equipa de Emanuel Simões fechava-se muito bem, a defender à zona, mas sem exercer qualquer pressão sobre o detentor da bola.
O Benfica parecia estar à espera de um erro do adversário, fazendo a bola circular entre corredores, com Tiago Gouveia, de novo no papel de lateral direito, a conseguir dar mais profundidade do que Samuel Dahl, no lado contrário, mas faltavam mudanças de velocidade, passes de rotura, que permitissem ao Benfica criar oportunidades. Um quadro que permitiu ao Tirsense ir ganhando confiança e ensaiar, também, os primeiros ataques.
Um jogo que se ia arrastando para o intervalo e que reforçava a convicção que, com um pouco mais de velocidade, o Benfica chegaria facilmente ao golo. Era isso que Bruno Lage, irritado junto à linha, ia pendido aos seus jogadores. Sem velocidade, a primeira grande oportunidade surge numa bola parada, num pontapé de canto, com Belotti a desviar junto ao primeiro poste e Leandro Barreiro a procurar fazer a emenda no segundo, mas a bola, por centímetros, passou ao lado.
A verdade é que cada vez que o Benfica carregava no acelerador, criava uma oportunidade, como aconteceu com Tiago Gouveia e também com Bruma, ambos sobre a direita, mas foram apenas fogachos numa primeira parte que chegou a ser enfadonha. Arthur Cabral, na sequência de um passe longo de António Silva, teve uma grande oportunidade para abrir o marcador, mas Tiago Gonçalves respondeu com a defesa da noite.
Quando parecia que o intervalo ia mesmo chegar com um insonso nulo, o Benfica chegou, finalmente ao golo, num lance confuso que começa num cruzamento de Florentino. Belotti cabeceou à trave, a bola regressa ao jogo, Leandro Barreiro remata e António Silva, na pequena área, desvia a bola para as redes. Os adeptos, que certamente já contavam com muitos golos esta noite, deram finalmente largas a alegria.
Apenas um golo na primeira parte, mas, a verdade, é que o Benfica estava cada vez mais próximo do objetivo, agora com uma vantagem de seis golos e apenas 45 minutos pela frente.
A segunda parte esteve muito perto de começar com o 2-0, num remate cruzado de Leandro Barreiro. Os primeiros minutos deixavam antever um jogo mais rápido, até porque o Tirsense regressou mais subido e o Benfica tinha mais espaços, mas rapidamente voltou a cair na mesma lengalenga, num jogo previsível e sonolento.
Bruno Lage não esperou mais e promoveu três alterações de uma assentada, poupando Florentino e retirando do jogo Schjelderup e Bruma que passaram completamente ao lado desta nova oportunidade. Foram a jogo Amdouni, Prestianni e o estreante João Veloso. Amdouni entrou com tudo e esteve muito perto de marcar na primeira oportunidade. A verdade é que o Benfica melhorou a olhos vistos e não foi preciso esperar muito tempo para o segundo golo, novamente numa bola parada. Canto de Prestianni da esquerda, Arthur Cabral desvia de cabeça no primeiro poste e Bajrami aparece no segundo a empurrar a bola para o fundo das redes. Primeiro golo do central albanês pela equipa principal.
António Silva quebrou a resistência do Tirsense em cima do intervalo 🦅#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #TaçadePortugal #slbenfica #tirsense pic.twitter.com/83rU2OPo1u
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Um segundo golo que derrubou as últimas expetativas do Tirsense em regressar a casa com um resultado digno, uma vez que a equipa de Emanuel Simões baixou os braços, perdeu a concentração e logo a seguir Belotti fez o 3-0 a passe de Tiago Gouveia. Um golo que também sossegou Bruno Lage que, em noite de estreias, deu ainda oportunidades a André Gomes e Hugo Félix.
Belotti a fazer o terceiro do SL Benfica 👏#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #TaçadePortugal #slbenfica #tirsense pic.twitter.com/EmWoOu535X
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Dois golos que animaram o Benfica que soltou-se finalmente no jogo, agora com mais caras novas, à procura de um resultado mais volumoso, embora o tempo já fosse escasso. O Benfica ainda conseguiu animar as bancadas e, já em tempo de compensação, conseguiu chegar à goleada, com um golo de Leandro Barreiro.
O essencial já tinha sido conseguido em Barcelos, esta noite foi apenas uma formalidade, o carimbo que faltava para o regresso do Benfica ao Jamor.