Esta é a semana em que ficamos a saber se há mesmo uma maldição Farioli e se o Sporting pode continuar a sonhar com um feito único

3 mar, 08:00
fc porto sporting

ANÁLISE DE ANDRÉ PIPA || Sporting-FC Porto hoje para a Taça, Benfica-FC Porto no domingo para o campeonato. No espaço de seis dias, o líder do campeonato enfrenta na capital os testes mais difíceis da temporada. Que podem clarificar (ou tornar mais complexa) a questão de ‘quem é quem’ na luta pelos dois principais títulos nacionais

O clássico de logo em Alvalade (20:45) representa para todos os efeitos, e com todo o respeito pelos participantes da outra meia-final, a primeira mão da final “antecipada” da Taça de Portugal. A diferença de poder e qualidade entre Sporting e o FC Porto e os outros dois semifinalistas – o Torreense, da Liga 2,  e o Fafe, da Liga 3  - é de tal forma acentuada que podemos prever, com alguma segurança, que o vencedor do duelo a duas mãos entre sportinguistas e portistas tem o caminho aberto para a conquista de dois títulos: a Taça de Portugal no Jamor e a próxima Supertaça (se o Benfica não conquistar o campeonato).

O clássico entre o bicampeão e o líder do campeonato surge num contexto especial. O Sporting não esqueceu o comportamento do FC Porto no último clássico no Dragão (desde as provocações no balneário à triste rábula dos apanha-bolas na fase final do jogo) e, apesar dos apelos de Frederico Varandas ao comportamento civilizado dos adeptos – lembre-se que ele convidou André Villas Boas a sentar-se a seu lado na tribuna presidencial -, é de esperar um ambiente altamente hostil aos portistas nas bancadas de Alvalade.

O FC Porto entra no relvado desfalcado do goleador Samu mas suportado pela melhor defesa do país (apenas 19 golos sofridos em 37 jogos). Ultimamente, o FCP tem ganho os jogos com muita dificuldade - quase sempre pela margem mínima – e sem o brilho e dinamismo apresentado na primeira metade da época. Se estamos ou não perante indícios preocupantes para a nação portista (a carreira de Francesco Farioli tem sido marcada por quedas de forma pronunciadas na fase final da temporada), saberemos no final deste jogo e, sobretudo, no final do clássico de domingo. Que o jogo do FC Porto não tem sido nada entusiasmante é um facto. Veremos como aguenta o embate com a equipa que pratica o futebol mais ofensivo e goleador da cena doméstica. 

O Sporting entra quase na máxima força, suportado pela dinâmica ofensiva de um onze altamente concretizador (97 golos em 39 jogos) e ciente de que precisa de vencer esta eliminatória para poder continuar a sonhar com a inédita dupla “dobradinha”: com efeito, nunca na história do futebol português uma equipa conseguiu vencer campeonato e Taça de Portugal em anos consecutivos e os leões de Rui Borges continuam na corrida a esse feito.

É um facto que o FC Porto já venceu o Sporting em Alvalade (2-1, a 30 agosto passado) num jogo de grande nível, a espaços eletrizante, mas o momento atual das duas equipas aponta mais para o favoritismo dos leões, que somam 14 vitórias consecutivas em casa (com um parcial de 43-6) e apresentam uma dinâmica ofensiva claramente mais versátil e contundente do que aquela que se tem visto no FC Porto. Não quer isto dizer que Farioli esteja condenado a jogar para não perder, mas creio que o treinador italiano, a cinco dias de outro jogo muito difícil na Luz (que, no limite, pode reforçar as dúvidas que existem sobre o líder e trazer de volta o Benfica à luta pelo título...), assinaria um empate se tivesse essa possibilidade. Não esquecer que esta é apenas a primeira parte do duelo…. e que o FC Porto, além de ser o favorito n.º1 a ganhar o campeonato, pode também sonhar com mais uma “dobradinha” (seria a sétima do século XXI), já que, como atrás referimos, o vencedor deste duelo parece condenado a ganhar a final do Jamor.

A responsabilidade maior é do Sporting, claramente. Joga em casa, parece mais forte neste momento e tem mesmo de ganhar para enfrentar a segunda mão no Dragão em finais de abril com outra segurança. Rui Borges foi criticado por não ter sido mais ousado no Dragão perante um FC Porto que, até se colocar em vantagem, pareceu sempre confortável com o empate. Realmente, assim que sofreu o golo, viu-se que o Sporting avançou em bloco e encostou o adversário às cordas – acabando por conseguir o empate nos instantes finais.

Tudo somado, e nunca esquecendo a maravilhosa imprevisibilidade do futebol, o duelo de logo será muito provavelmente decidido por uma de duas coisas: a solidez da defesa portista, que tem em Bednarek um líder à altura das tradições da casa; a contundência do ataque sportinguista, que tem em Luís Suarez um digno sucessor do “insubstituível” Gyokeres. Aquilo que parece menos provável é a sorte desta eliminatória ficar decidida hoje.

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