A reação do treinador do FC Porto à derrota diante do Benfica na final da Taça de Portugal feminina
Daniel Chaves, treinador da equipa feminina do FC Porto, em conferência de imprensa, depois da derrota diante do Benfica (0-2), este domingo, na final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional, no Jamor.
Primeira presença do FC Porto no Jamor
«É impossível olhar para este jogo e não usar a palavra orgulho. Conseguimos ser competitivos. Disputar um jogo contra uma equipa europeia e perder por 2-0, com dois golos de bola parada, diz muito sobre a nossa organização. Estou orgulhoso pela minha equipa e pelo que fizemos».
O que faltou para o FC Porto conseguir marcar um golo?
«Faltou meter a bola dentro da baliza. Obviamente quando somos condicionados em ficar em zonas mais baixas e quando recuperávamos a bola estávamos algo longe da baliza, depois tentámos fazer as coisas com demasiada pressa e quando conseguimos colocar mais a bola para chegar mais acima, conseguimos espaços, conseguimos incomodar, mas faltou discernimento e leitura, também pelo cansaço de lá chegar. Podíamos ter travado o jogo mais vezes quando chegávamos a zonas altas, mas a verdade é que fomos chegando, fomos criando perigo também, fomos audazes ao tentar pressionar, em alguns momentos, mais alto. Foi muito por aí».
Quais os próximos objetivos do clube?
«O próximo objetivo é o mesmo do objetivo de hoje: ganhar. O FC Porto joga para ganhar títulos, não gostamos de vitórias morais, não nos queremos agarrar a nada. A verdade é que entrámos no jogo a perder e o lance é subjetivo. A jogadora não toca na bola, mas interfere na ação da guarda-redes. Sofrer um golo aos cinco minutos, muda muito. Não queremos vitórias morais, o FC Porto está aqui para ganhar títulos.»
Foi um jogo a que o FC Porto não estava habituado, a defender com um bloco mais baixo
«Acabou por ser diferente. O Benfica vive muito da qualidade da guarda-redes no momento da construção que nos limita a jogar com um bloco mais alto. Não é por ser o Benfica, não nos assustamos, mas uma jogadora a mais ajuda a colmatar as dificuldades das outras. Tivemos de nos adaptar a isso. Estrategicamente tentámos explorar outras zonas, porque adversário tinha-se ajustado à nossa posição. Tentámos replicar a qualidade técnica do adversário em treino, tentámos explicar às jogadoras por onde poderíamos ir e onde queríamos chegar».
O FC Porto subiu à Liga BPI, o que espera desta maior competição?
«Obviamente que a Liga BPI é mais competitiva do que tivemos nos últimos dois anos em que nos fomos ajustando à realidade da competição em que estávamos, para o ano também será diferente, a qualidade dos adversários também é grande, sabemos que há vários clubes a apostar forte na Liga BPI, mas vamos entrar como entramos até hoje. Seja na terceira, na segunda ou na primeira divisão, como vimos na Taça do ano passado e este ano, quando o FC Porto entra é para ganhar e conquistar títulos. Por isso é que digo que não queremos vitórias morais. Queremos dar mais competitividade ao plantel e adaptarmo-nos às dificuldades que vamos encontrar na próxima época».
O que mudou na segunda parte?
«Era fácil de prever que a entrada na primeira parte, para nós, fruto de alguma inexperiência, quer individual, quer coletiva, neste tipo de jogos, também devido a algum nervosismo inicial, sabíamos que o adversário poderia aproveitar. Sabemos que o Benfica nos primeiros 20/25 minutos é muito forte, sabíamos de antemão que tínhamos de tentar aguentar nos primeiros minutos, mas acabámos por sofrer um golo que desbloqueia o jogo. Na segunda parte tentámos ajustar uma ou outra coisa em termos táticos, percebemos onde é que o Benfica ia ter mais ou menos dificuldades e tentámos explorar. Percebemos também onde é que o adversário queria chegar, mas o que mudou foi a audácia e a coragem que metemos na segunda parte para chegarmos mais alto e pressionar o adversário.»
Aposta em Crista Ferreira na defesa do flanco direito
«A adaptação da Cristina acaba por ser o que fizemos ao longo da época, acabou por ser a jogadora mais rotinada na posição. A Caroline tem cumprido o seu trabalho, mas precisávamos de outra solução para ali, com uma capacidade mais ofensiva, também pela maior experiência que tem. Também foi para refrescar aquela posição, pela capacidade de adaptação que a Cristina tem e também pela capacidade competitiva que ela nos trouxe.»
Quando é que vai jantar com o seu amigo Ivan Baptista?
«Temos tempo para combinar, não preciso chegar a uma final para me encontrar com ele»..
