Leiria com pronúncia do Norte e prenúncios de morte
Sp. Braga versus V. Guimarães na final da Taça da Liga. Se os vitorianos tinham eliminado o Sporting, os arsenalistas bateram o Benfica. Vale a pena recordar uma famosa música dos GNR - mesmo que alguns «tontos» lhe chamem «torpe», Leiria vai colorir-se com a pronúncia do Norte no sábado, em vez da pomposidade do sotaque (?) 'lesboeta'.
Numa competição que tem sempre um certo «prenúncio de morte» para os 'três grandes' – o primeiro a ser eliminado até foi o FC Porto, nos quartos de final -, o Benfica caiu com ainda mais estrondo do que o rival da Segunda Circular. Numa espécie de sequela do jogo da Pedreira de há dez dias, Sp. Braga saiu para o intervalo a vencer com golos de Pau Victor e Rodrigo Zalazar.
Os bracarenses foram superiores, apesar de uma boa entrada do Benfica na segunda parte. Pavlidis reduziu de grande penalidade (adivinhou, caro leitor), mas um golo de Lagerbielke e uma expulsão de Otamendi frustraram um estádio que se pintava maioritariamente com o vermelho do Benfica. O detentor da competição acaba eliminado e... corre em menos uma frente.
Primeira parte de controlo bracarense, um 'déjà vu' da Pedreira
A primeira parte foi dominada pela equipa de Carlos Vicens, face a um Benfica que privilegiava a segurança na posse e começava a pressão junto à linha de meio-campo, mas não conseguia sair em transição rápida. Talvez pior – não conseguia recuperar a bola. Assim que o Sp. Braga instalou o 3-4-3 do ex-adjunto de Pep Guardiola e apalpou os terrenos do Dr. Magalhães Pessoa, tornou-se dono e senhor do jogo.
Ainda antes desse domínio, o Benfica ameaçou. Passavam cinco minutos no relógio e uma bela jogada de pé para pé, na direita, culminou no cruzamento de Dedic para a pequena área. Pavlidis desviou, mas sem um remate ‘limpo’. Hornicek defendeu à primeira e impediu a ressaca de Sudakov. Na verdade, essa seria a melhor chance lisboeta em 45 minutos.
A desconfiança assolou o Benfica logo aos nove minutos. João Pinheiro assinalou penálti por falta de Otamendi, mas viria a reverter a decisão com ajuda do VAR. Marcou livre em cima da linha de grande área e deu amarelo ao argentino. Uma cartolina que podia ter tido outra cor e que veio a ser importante mais à frente.
O primeiro golo do Sp. Braga chegou aos 19 minutos, no corredor direito. Zalazar teve espaço para cruzar rasteiro, Tomás Araújo quis intercetar, mas não chegou à bola. Solto de marcação, Pau Victor ajeitou e atirou de pé esquerdo com classe. O jovem voltava a ferir o Benfica menos de duas semanas depois.
Mas não foi o único. Aos 33m, o outro protagonista bracarense de há dez dias marcava! Também pelo lado direito, porém com mais espetacularidade. Cheio de certezas, Rodrigo Zalazar soltou-se da marcação macia de Otamendi (amarelado) e de Sudakov (atrasado) numa cavalgada que só acabou na grande área. Escolheu o lado perante um Trubin desequilibrado e festejou. Que momento.
As bancadas predominantemente benfiquistas nem queriam acreditar. Cânticos de apoio, nem vê-los até ao intervalo. Apenas silêncio intercortado com indignação. E o estrago ainda podia ter sido pior, não fosse o remate de Ricardo Horta aos 45+4 ter beijado as redes pelo lado errado.
Segunda parte confirmou descalabro benfiquista
Talvez após uma 'dura' de José Mourinho ao intervalo, o Benfica entrou melhor na segunda parte. Prestianni entrou para o lado direito, Aursnes ocupou o lugar que era de Manu Silva e a dinâmica ofensiva do Benfica melhorou. Mesmo dentro das melhorias encarnadas, o Sp. Braga ameaçou fortemente o 3-0 com um novo remate de Victor, dentro da área, após cruzamento de Zalazar. Os suspeitos do costume. Desta vez, Trubin negou o golo muito bem.
Foi preciso esperar até aos 62 minutos para o Benfica reduzir a desvantagem. Talvez, até, com ajuda de Carlos Vicens. Fez tripla alteração aos 59m, com a entrada de Víctor Gomez, Fran Navarro e Paulo Oliveira. Ainda frio, o último cometeu grande penalidade quase de imediato, com um pisão claro sobre Pavlidis na sua grande área. O grego converteu com sucesso e fez o 2-1. O Benfica acreditava e Hornicek começava a aparecer com defesas oportunas.
Porém, os minhotos viriam a repôr a distância de dois golos brevemente. Num livre lateral, Lagerbielke aproveitou uma carambola na grande área para fazer o 3-1. O sueco já leva quatro golos esta época! Caso o cenário não fosse mau o suficiente para os encarnados, Otamendi viu o segundo amarelo aos 90 minutos. Aí, instalou-se o descalabro (já que o Benfica fica sem o capitão para o duelo com o FC Porto, para a Taça).
Foi uma noite para recordar do Sp. Braga, que vingou a eliminação do ano passado, precisamente contra o Benfica, na meia-final da Taça da Liga. Há um ano, perdeu por 3-0 contra a formação de Bruno Lage. Agora, fica com a chance de colocar mais um troféu no museu e logo diante de um vizinho rival. O campeão de inverno será minhoto.
