Taça da Liga: Sporting-V. Guimarães, 1-2 (crónica)
Maldição dos top-5 volta a ferir um Sporting (ainda mais) enfermo
O Vitória de Guimarães está na final da Taça da Liga pela primeira vez na história do clube! Uma reta final de loucos na primeira meia-final da competição, com dois golos do até agora incógnito Alioune Ndoye, libertou uma festa incrível no estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria. Os vimaranenses já tinham eliminado o FC Porto e agora tombam um Sporting que aparenta cada vez mais fragilizado.
Mais uma vez, o Sporting versão 2025/26 mostrou-se incapaz de vencer uma das cinco melhores equipas nacionais, num duelo em que o Vitória apresentou-se personalizado, pressionante, mas nem sempre acutilante. Charles foi como uma muralha do Castelo de Guimarães e no final do encontro, após dez minutos em campo, Alioune Ndoye iniciou um bis memorável.
Frente a um Vitória destemido, a honrar as suas gentes (que se fizeram ouvir em Leiria), o Sporting passou por momentos de aperto e sofreu mais duas baixas – Ioannidis lesionou-se sozinho, Eduardo Quaresma saiu de maca e terá de ser operado. Os lisboetas perdem a chance de fazer a desforra na final contra o Benfica. E os vitorianos... podem marcar duelo minhoto com o Sp. Braga.
Flávio Gonçalves foi aposta falhada de Rui Borges no onze
Um ano depois, Leiria volta a ser o centro do futebol nacional neste início de ano frio. A cidade do rio Lis transfigura-se de novo para melhor acolher a final four da Taça da Liga – instalam-se os meeting points, dinamizam-se as fan zones e publicita-se o merchandising. Sem anglicismos e num português corriqueiro, os 'comes e bebes' dos adeptos dão nova vida à cidade capital de distrito.
Não fosse o frio que se abateu sobre Leiria após o pôr-do-sol e o boicote das claques sportinguistas à competição, talvez o cenário fosse ainda mais recheado de cor e animação. Mas os principais intervenientes esforçavam-se para que tudo estivesse pronto para as 20 horas, deixando os reais protagonistas brilhar.
Os velhos e os novos protagonistas. Rui Borges apostou numa jovem promessa dos leões no onze inicial, face às nove ausências para este jogo. Flávio Gonçalves, de 18 anos, saltou para o onze na equipa A pela primeira vez, talvez à procura de uma réplica daquilo que Pote oferece. Maxi recuou para lateral, Matheus Reis deslocou-se para central e Borges chamou o reforço Luis Guilherme para o banco pela primeira vez.
Luís Pinto, por seu turno, fez quatro alterações em relação à vitória sobre o Nacional. Chamou os suplentes Charles, Tony Strata e Diogo Sousa ao onze, ao lado do regressado da CAN Beni Mukendi.
Este não foi o típico jogo dominante do Sporting. Podemos olhar para isso de duas formas, talvez complementares – demérito dos lisboetas, ou mérito dos vimaranenses. O que é certo é que o Vitória apresentou-se de forma personalizada em Leiria, com uma pressão bastante alta em 4-2-4 (!). Miguel Nogueira, Nélson Oliveira e os extremos formavam uma primeira muralha que impedia o Sporting de construir com paciência.
Café colombiano para aquecer uma noite gelada
Por muito que essa disposição (aliada à atitude dos jogadores) tenha agradado aos adeptos nortenhos, foi o Sporting que chegou primeiro ao golo, com maturidade de gente grande. De craque para craque, os leões adiantaram-se no marcador por culpa de dois suspeitos do costume. Trincão lançou um passe magistral sobre a defesa vimaranense, Suárez deixou a bola bater no chão e desviou-a de Charles para dentro da baliza. Parecia fácil.
Passe mágico de Trincão para Suárez inaugurar o marcador 😮💨#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #AllianzCup #SportingCP #VitóriaSC pic.twitter.com/F3g3UISJIP
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A tarefa de Rui Borges complicou ainda mais aos 24 minutos, quando Fotis Ioannidis sentou-se no relvado e anunciou que não podia continuar mais em campo. Pareceu uma lesão muscular. Borges não arriscou e lançou logo o eletrizante Alissan Santos, que passou para o corredor direito, com Trincão a deslocar-se para o meio. Flávio continuava a sua luta intensa com Tony Strata, à esquerda. Mas a dor de cabeça não iria ficar por aí.
O golo veio dar alguma tranquilidade aos leões, que ainda incomodaram Charles em mais duas ocasiões aos 36 e 37 minutos. Suárez e Alisson criaram duas chances relâmpago, mas o guardião suplente dos minhotos deu boa conta de si. Rui Silva viria a ser decisivo apenas nos descontos, a evitar um ‘Puskás’ de Abascal, que rematou certeiro do meio-campo.
Lesões e descalabros leoninos na segunda parte
Ao intervalo, a vantagem leonina aceitava-se. Na segunda parte, V. Guimarães entrou melhor no jogo. Trocava a bola no meio-campo leonino e remetia a equipa de Rui Borges ao seu primeiro terço do terreno. O que faltava, tal como na primeira parte, era perigo dentro da área contrária. Enquanto isso, o Sporting criava ocasiões apenas em transição.
Para infelicidade de Rui Borges, mais um atleta do Sporting saiu lesionado. Ainda por cima, um defesa. Eduardo Quaresma teve um duro choque de cabeças com o recém-entrado Samu e não mais se levantou. Teve de sair de maca e o jovem Rômulo entrou pelo segundo jogo consecutivo. Mais duas baixas para o departamento médico lidar. E Fresneda ainda esteve caído, a ameaçar nova substituição.
Eduardo Quaresma teve de sair de maca 😩
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Rômulo entrou para o seu lugar!#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #AllianzCup #SportingCP #VitóriaSC pic.twitter.com/mNGxqAT76g
Borges ia mexendo como podia. Ainda fez entrar o reforço Luis Guilherme em cima dos 90m e tudo parecia encaminhado para a vitória. Mas o Vitória teve uma palavra a dizer. Durante todo o jogo, bateu-se de igual para igual. Aos 90+2m, igualou o placard. Numa transição rápida após perda de bola de Maxi Araújo, Strata infiltrou-se na linha de fundo, cruzou rasteiro e, sem cortes dos leões, Ndoye encostou ao segundo poste. Que festa do banco vimaranense.
A magia do futebol fez com que Ndoye, que até agora só tinha dois golos marcados pelo Vitória, duplicasse a sua conta pessoal apenas neste jogo! Já aos 100 minutos, voltou a surgir com oportunismo na grande área contrária e aproveitou um ressalto em Morita para rematar isolado. Após alguns minutos de suspense, o VAR confirmou o golo e soltou-se uma celebração impressionante no relvado. Ninguém ficou sentado no banco vimaranense.
Rui Borges perdeu, ironicamente, contra o clube que o projetou para a ribalta nacional. Poucos dias depois de golear os minhotos para o campeonato, seria Luís Pinto a sorrir nesta meia-final. Sábado há mais ação - e vamos ver com que sotaque.
REVIRAVOLTA CONQUISTADORA NOS DESCONTOS 🥵
Bis de Ndoye eliminou os leões e apura o Vitória SC para a final da Allianz Cup 🤩#sporttvportugal #TAÇAnaSPORTTV #AllianzCup #SportingCP #VitóriaSC pic.twitter.com/23I7jZeVAP
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