Swatch acusada de racismo após anúncio com "olhos em bico"

CNN Portugal , CMN
19 ago, 15:43
Relógio de luxo (Photo by Fabrice COFFRINI / AFP

Boicote à marca tem sido incentivado, ao ponto de a Swatch já ter pedido desculpas

A fabricante suíça de relógios Swatch pediu desculpa e retirou um anúncio publicitário que mostrava um modelo a puxar os cantos dos olhos.

A imagem gerou acusações de racismo na China, levando a pedidos de boicote que rapidamente se espalharam pelas redes sociais chinesas. Muitos utilizadores das redes sociais criticaram duramente o gesto de “olhos em bico” feito pelo modelo de origem asiática, classificando-o de ofensivo e racista.

Anúncio da Swatch. (Swatch.com)

Numa publicação feita no Instagram e na rede social chinesa Weibo no sábado, a Swatch reconheceu as “recentes preocupações relativamente à apresentação do modelo” no anúncio e afirmou ter removido o conteúdo promocional a nível mundial.  

“Pedimos sinceras desculpas por qualquer incómodo ou mal-entendido que possa ter causado”, declarou a empresa.  

Apesar desta resposta, muitos utilizadores continuaram insatisfeitos e apelaram ao boicote das marcas pertencentes ao Swatch Group, que inclui a  Blancpain, a Longines e a Tissot.  

Um utilizador do Weibo com mais de um milhão de seguidores acusou a empresa de “racismo contra os chineses” e sugeriu que fosse alvo de sanções por parte das autoridades reguladoras. Outros acusaram a Swatch de discriminação deliberada e pediram aos consumidores que deixassem de apoiar a marca.

“A imagem da marca desmoronou-se. [A Swatch] acha que basta pedir desculpa para salvar tudo? Não é assim tão simples”, escreveu outro utilizador na plataforma chinesa.  

 

A China é um dos principais mercados do Swatch Group. No entanto, tal como muitas outras marcas de luxo ocidentais, tem enfrentado dificuldades para manter o crescimento. Com a desaceleração da segunda maior economia mundial, muitos consumidores passaram a preferir marcas mais acessíveis.  

Em julho deste ano, o grupo comunicou uma queda de 11,2% nas vendas líquidas na primeira metade do ano, atribuindo esse recuo exclusivamente à diminuição da procura no mercado chinês.  

Ainda assim, a Swatch não foi a primeira marca ocidental a enfrentar acusações de racismo na China. 

Em 2018, a marca italiana de luxo Dolce & Gabbana foi alvo de duras críticas após divulgar vídeos promocionais onde uma modelo chinesa fumava hashish e, de forma caricata, comia comida italiana com pauzinhos chineses.  

Num caso semelhante, em 2023, a marca francesa Dior gerou polémica ao divulgar um anúncio em que uma modelo puxava o canto do olho.

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