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CEO da Sociedade Ponto Verde

A jornada sustentável a caminho do futebol

24 nov, 16:46

A vitória histórica do Japão perante a Alemanha foi brilhante. Porém, mais brilhante ainda foi o exemplo que todos os nipónicos deram após o jogo. Nas bancadas, os adeptos japoneses ajudaram a recolher todos os resíduos presentes no recinto. No balneário, os jogadores e staff, deram uma lição de limpeza, deixando tudo limpo e arrumado

Não é de hoje a unanimidade em torno da capacidade, ímpar, do desporto servir de mote para soluções às questões que inquietam o nosso quotidiano.

O futebol, em particular, tem um enorme poder de influência. Os seus intervenientes chegam com facilidade e influenciam decisivamente o comportamento de muitos e sobre os mais diversos temas.

A sustentabilidade, partilha com o futebol um sentimento aspiracional e uma visão de um futuro melhor. Acredito que o futebol tem um papel muito importante a desempenhar. Basta olharmos para os progressos que a Fundação Futebol – Liga Portugal Bwin tem realizado nesta temática. Consciente no que à responsabilidade social e ambiental diz respeito, a Liga implementou um guia de boas práticas de gestão de resíduos, visando reduzir os impactos da sua atividade.  A adequação da contentorização existente, potenciando o aumento da taxa de reciclagem ou a formação de colaboradores com o intuito de esclarecer dúvidas que pudessem existir sobre reciclagem, são apenas duas das várias ações que a Liga Portugal tem executado para a redução da sua pegada ecológica, contribuindo para um mundo mais verde.

Creio que o mais preocupante neste momento, não é tanto o que é feito dentro dos estádios, porque essa questão parece-me estar assegurada. Exemplos como o Estoril Praia (certamente existirão outros), começam a estar cada vez mais presentes no nosso quotidiano. Desperto para a necessidade da incorporação de práticas sustentáveis na sua atividade, o clube tem vindo a desenvolver um projeto cujo objetivo passa pela consciencialização das problemáticas ambientais, no seu dia a dia. Focando-se na redução, não só do consumo, mas também na reutilização de materiais, através da política dos 3r’s.

O desafio persiste no trajeto e nas imediações dos estádios. A jornada de um dia de futebol é longa, não se restringe ao jogo em si. Começa, desde que saímos de casa até ao momento em que chegamos de volta de um jogo, tristes ou contentes pelo resultado do nosso clube.

Ao consumo exacerbado de recursos fundamentais à realização de eventos desportivos e à gestão de um estádio, está associada uma produção de resíduos enorme. Não falo só de plástico, mas também de metal, papel, vidro e resíduos orgânicos. Uma gestão ineficaz dos mesmos representa uma enorme perda de recursos e potencial de reciclagem.

Atualmente, as infraestruturas em torno dos estádios são, em muitos casos, insuficientes e não apelam a um comportamento ambiental responsável em dias de jogo. É aqui que está o próximo grande passo, em termos de sustentabilidade, no mundo do futebol.

Mas, então, o que podemos fazer para dar resposta positiva a este desafio?

É crucial garantir mais pontos de recolha de resíduos para os adeptos nas imediações dos estádios e que estes estejam, devidamente, sinalizados. É necessário recorrer à ajuda dos intervenientes da modalidade para alertar para a necessidade de mantermos o espaço público limpo, promovendo a separação de resíduos e a visão de espaços mais acolhedores e que espelhem a visão de um mundo melhor e mais sustentável. No fundo, é fundamental integrar, sensibilizar e consciencializar todos os que representam o futebol, desde adeptos a jogadores, a adotarem práticas mais sustentáveis.

Já neste campeonato do mundo, realizado no Catar, tivemos exemplos do papel que todos os amantes de futebol podem ter nesta temática. Certo é que a vitória histórica do Japão perante a Alemanha foi brilhante. Porém, mais brilhante ainda foi o exemplo que todos os nipónicos deram após o jogo. Nas bancadas, os adeptos japoneses ajudaram a recolher todos os resíduos presentes no recinto. No balneário, os jogadores e staff, deram uma lição de limpeza, deixando tudo limpo e arrumado.

Isto para dizer que é fundamental apelar a que todos, os que de certa forma contribuem para esta modalidade, vistam a camisola da sustentabilidade e entrem em campo para a defender. Não se trata de garantir o presente, mas assegurar o futuro.

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