"Especial perversidade": homem que passou para trás e para a frente com o carro por cima da cabeça da ex-namorada vai mesmo cumprir a pena máxima

Agência Lusa , PF
26 fev, 20:05
Justiça

Foi até ao local onde trabalhava a mulher e esperou que ela saísse, para depois acelerar fortemente e a atropelar, acabando por matá-la

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) manteve esta quinta-feira a condenação a 25 anos de prisão do homem que em 2024 atropelou e matou a ex-namorada, por considerar “preenchida a especial censurabilidade e perversidade” das circunstâncias do crime.

“O STJ considerou preenchida a especial censurabilidade e perversidade da circunstância em que o crime foi cometido, dada a forma insidiosa como o meio – veículo automóvel – foi utilizado para matar a vítima”, lê-se na nota do STJ sobre a decisão do tribunal superior relativa ao caso que levou à condenação de um homem de 43 anos em junho de 2025 pelo atropelamento mortal da ex-namorada em junho de 2024.

A decisão do STJ confirma a condenação, como reincidente, do arguido condenado por um crime de homicídio qualificado e por um crime de condução perigosa do veículo.

A 6 de junho de 2024, o homicida foi de carro até ao local de trabalho da ex-companheira, em Matosinhos, esperou que ela saísse e começasse a caminhar pelo passeio e, depois, acelerou fortemente, subiu o passeio e embateu com o carro contra ela, projetando-a para a estrada.

De seguida, em manobras de avanços e recuos, passou com o veículo por cima do corpo da vítima, com especial incidência na zona da cabeça, provocando-lhe a morte.

“Não há dúvidas de que o senhor cometeu estes factos. Em 30 anos de magistratura foi a primeira vez que me confrontei com um homicídio destes”, disse a presidente do coletivo de juízes do Tribunal de Matosinhos durante a leitura do acórdão que condenou o arguido em primeira instância.

A magistrada lembrou na altura que à data do crime, o homicida estava em liberdade condicional depois de, em novembro de 2009, ter matado uma ex-namorada com uma faca em Castelo Branco, crime pelo qual foi condenado a 15 anos de prisão.

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