Furtos disparam e supermercados põem alarmes nas latas de atum e garrafas de azeite. "Não há dúvida que são roubos para comer"

21 out, 07:53

REVISTA DE IMPRENSA. Comida enlatada e peixe congelado são os produtos mais visados nos furtos, que estão a subir devido ao agravamento do custo de vida

Vários supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares, do bacalhau ao salmão congelados, das latas de atum às garrafas de azeite. A notícia é avançada pelo semanário Expresso, que cita o diretor-geral da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) garantindo que a medida se deve ao aumento dos furtos: "É um fenómeno que está a subir bastante, sobretudo desde o início de setembro e em particular nos grandes centros urbanos de Lisboa e do Porto", diz Gonçalo Lobo Xavier. 

O responsável revela que o leite e a comida enlatada são os produtos mais furtados, acrescentando que "não há nenhuma dúvida que são roubos para comer. É o primeiro sintoma de uma grave crise social".

O Expresso falou também com Cláudio Ferreira, presidente da Associação Nacional de Vigilância e Segurança Privada, que ten a tarefa de vigiar os supermercados, e também este responsável garante que se verificou um aumento significativo no número de furtos "nos últimos dois a três meses". Cláudio Ferreira diz que as pessoas estão desesperadas "e escondem na mala ou no casaco pacotes de leite ou latas de atum para comer ou dar aos filhos".

Segundo a PSP, que tem dados até ao mês de junho, só nos primeiros seis meses deste ano foram participados à polícia 452 furtos em super e hipermercados, uma média de 2,5 por dia. Ao Expresso, fonte da polícia diz que, se este ritmo se mantivesse, o número de ocorrências seria 40% superior ao registado no ano passado, mas deverá ser ainda mais elevado porque o número de casos acelerou com a subida da inflação. E há muitas situações que não chegam sequer a ser reportadas à polícia.

Gonçalo Lobo Xavier, da APED, diz que é urgente aumentar os apoios do Estado às famílias e garante que as cadeias de supermercados, que viram aumentar os lucros nos últimos meses, estão a "pensar em mecanismos para ajudar as pessoas mais carenciadas". 

País

Mais País

Patrocinados