O Thun está a uma vitória de conquistar o campeonato. Em 2005 disputou a Champions, mas, em 2020, arriscou o colapso. A equipa principal renasceu graças a dois antigos jogadores, responsáveis por épocas inesquecíveis
A dois dias de completar 128 anos, o Thun pode antecipar as celebrações com a inédita conquista do campeonato suíço. Na liderança desde outubro, este humilde emblema visita o ainda campeão em título Basileia (5.º), no sábado (19h30), e está a uma vitória de confirmar o feito histórico. Avaliado como o segundo orçamento mais baixo do campeonato, o Thun subiu há um ano, depois de cinco épocas na segunda divisão.
A 30 quilómetros da capital Berna e próxima dos Alpes Suíços, a cidade de Tune – cujo nome deriva do rio Thunersee – recolhe elogios pelas paisagens naturais, semelhantes àquelas imaginadas para os contos de fadas. Todavia, tanto a campanha desportiva como as paisagens são reais.
Lake Thun, Switzerland pic.twitter.com/HFbEYwhzX0
— World Best (@World_aib) April 11, 2026
Ora, para compreender a verdadeira dimensão do feito edificado pelo Thun, importa recuar 21 anos.
Da Champions à reestruturação
Depois do segundo lugar no campeonato em 2005, os suíços estrearam-se na fase de grupos da Liga dos Campeões, perdendo com Arsenal (1-0 e 2-1) e Ajax (4-2 e 2-0), e vencendo na receção ao Sparta Praga (1-0). Todavia, seguiram-se anos de extremos, entre descidas e subidas, escândalos sexuais e envolvimento em esquemas de resultados combinados, além da participação na Liga Europa, em 2013.
Neste turbilhão, em 2011, o Thun inaugurou a Stockhorn Arena, com capacidade para 10 mil adeptos.
Após novo escândalo sexual no plantel, em 2016, a pandemia revelou-se madrasta e relegou o Thun para a segunda divisão, comprometendo as finanças do clube.
Regressando a 2005, o suíço Andreas Gerber estava no plantel que levou a Champions à pacata cidade. O antigo médio de 53 anos continuou na estrutura, primeiro enquanto diretor-desportivo, depois como presidente. Até hoje. Em entrevista ao Guardian, Gerber explica que assumiu a liderança porque ninguém pretendia assumir um clube que vivia «a contar cada moeda».
A competir na segunda divisão e sem perspetivas de regressar à elite no curto-prazo, Gerber recorreu a outra figura de 2005: Mauro Lustrinelli. O antigo avançado suíço – hoje com 50 anos – já havia orientado o Thun, mas sem resultados vistosos. Em todo o caso, o regresso em 2022 aconteceu em boa hora.
Passo a passo, o Thun falhou a subida em 2024, derrotado pelo Grasshoppers no play-off. Um ano volvido, os comandados de Lustrinelli conquistaram a segunda divisão, com 11 pontos sobre o Aarau, também derrotado pelo Grasshoppers no play-off.
A este propósito, importa recordar que o Grasshoppers é o emblema com mais campeonatos na Suíça (28), fruto do domínio no final do último século. Por sua vez, o Basileia regista 21 campeonatos.
2025/26 e uma campanha inesquecível
Apesar da pré-época promissora, Andreas Gerber e Mauro Lustrinelli garantem que ninguém equacionava uma campanha desta dimensão. Até porque depois de quatro vitórias consecutivas a abrir o campeonato – inédito para um recém-promovido – o Thun foi eliminado da Taça e derrotado por Basileia (3-1), Young Boys (4-2) e St. Gallen (2-0). Ainda assim, Lustrinelli encontrou a via da estabilidade e beneficiou da inconsistência dos adversários diretos.
Já em 2026 venceram Young Boys (4-1 e 2-1) e Basileia (2-1 e 3-1), além de empatarem com o St. Gallen (2-2).
Ao cabo de 24 vitórias, dois empates e oito derrotas em 34 rondas, o Thun regista 74 pontos, 11 de vantagem sobre o St. Gallen. No fundo do grupo de apuramento de campeão estão Young Boys (6.º) e Basileia (5.º).
O líder do campeonato é destacadamente o melhor ataque, com 75 golos, 14 dos quais apontados por Elmin Rastoder. Nascido na Suíça, mas internacional pela Macedónia do Norte, o avançado de 24 anos cumpre a segunda época pelo Thun e atravessa a melhor fase da carreira, com 14 golos e seis assistências.
Numa temporada marcada pelo inédito título do Mjällby na Suécia e pela promissora campanha do Hearts na Escócia, este sábado pode contar com a conquista do Thun, a fénix suíça que espreita o primeiro título de renome, além do regresso à Champions. E de novo com Andreas Gerber e Mauro Lustrinelli na fotografia de grupo.
A quatro jornadas do término da prova, uma vitória basta para o Thun se sagrar o 20.º campeão suíço.
