Götene, a cerca de 320 quilómetros de Estocolmo, está a vender terrenos a nove cêntimos por metro quadrado
Já ouviu falar de casas à venda no sul da Europa pelo preço de um café. Agora, uma cidade no norte da Europa está a levar a cabo uma estratégia semelhante: a vender terrenos por muito pouco.
Götene, a cerca de 320 quilómetros a sudoeste de Estocolmo está a vender 30 lotes de terreno, com os preços a partir de uma coroa sueca, o equivalente em euros a nove cêntimos, por metro quadrado.
E não é um terreno qualquer. É um terreno onde os felizardos compradores vão poder construir a sua casa de sonho – seja como primeira habitação ou casa de férias, como definem as regras.
Por isso, se as ondas de calor que se fazem sentir no sul da Europa estão a deixar esta localização menos atraente a cada dia que passa, a solução pode estar na Suécia.
Götene, uma área com cerca de cinco mil habitantes na principal cidade e 13 mil na região, mostra o que há de melhor na Suécia rural. Está localizada nas margens do Lago Vänern, que é não só o maior lago da Suécia, como também da Escandinávia e de toda a União Europeia. No velho continente, só a Rússia consegue ter lagos maiores.
Para os apreciadores de caminhadas e trilhos, Götene tem também uma pequena montanha perto, chamada Kinnekulle. É a casa de dois sítios classificados pela UNESCO: o Geoparque Platåbergens e a Reserva da Biosfera do Arquipélago do Lago Vänern e da Montanha Kinnekulle.
Então, porque precisaria uma localidade tão idílica de vender terrenos a um preço tão baixo?
“Tornou-se uma sensação”
O autarca Johan Månsson diz que é uma combinação entre a atual recessão económica e a quebra da população rural. “O mercado imobiliário está, atualmente, muito parado na nossa região. E também na Suécia, de uma forma geral, devido às altas taxas de juro e a uma leve recessão. Quisemos fazer uma injeção neste mercado”, conta à CNN.
“Enfrentamos também baixas taxas de natalidade e uma população envelhecida. Precisamos de fazer algo, de trazer mais pessoas para cá”, completa.
Månsson explica que decidiu vender 30 terrenos por um valor simbólico, escolhendo terrenos que estavam “à venda há vários anos”, sem sucesso.
“Então pensámos: porque não? Situações extraordinárias requerem medidas extraordinárias. Avançámos. Tornou-se uma sensação. Nem sei o que dizer”.
A estratégia arrancou em maio, com cerca de 30 compradores interessados, revela Månsson. Quatro deles compraram terrenos a uma coroa sueca por metro quadrado – o equivalente em euros a nove cêntimos. A dimensão dos terrenos varia entre os 700 e os 1200 metros quadrados – ou seja, em euros, a compra ficou entre os 61 e os 105 euros.
Desde então, conta, as coisas ganharam outra escala. “Tornou-se viral. Recebemos milhares de pedidos na nossa central telefónica”, exemplifica.
“Na central telefónica do município trabalham duas pessoas, que têm trabalhado muito nos últimos dias. Em resumo, estamos em modo de crise”.
À custa desta procura sem precedentes – Månsson conta que houve telefonemas de todas as partes do mundo -, as autoridades suspenderam o processo até ao início de agosto, para decidirem como devem proceder. Quando este processo for retomado, é provável que haja um leilão para os terrenos, em vez de serem vendidos diretamente por uma coroa sueca por metro quadrado, o preço mais baixo a aplicar se mais ninguém quiser o terreno.
Månsson refere que construir uma casa tende a custar entre três a quatro milhões de coroas suecas – o equivalente a 264 mil a 352 mil euros. Os terrenos, normalmente, custam cerca de quinhentas mil coroas suecas, quase 44 mil euros.
Até agora, qualquer pessoa pode comprar um terreno. Não é preciso ser residente na Suécia ou assumir o compromisso de viver no país de uma forma permanente.
Ainda assim, o autarca refere que a cidade pode precisar de rever as regras. E também é claro que comprar uma casa não atribuiu o direito de viver nela a tempo inteiro. É ao governo sueco que cabem as decisões sobre os vistos.
O único requisito da cidade é que a construção das casas comece no prazo de dois anos após a compra do terreno.
Casas baratas no horizonte
A venda em Götene não termina com estes 30 terrenos. Månsson admite que “não é impossível” que lancem novas iniciativas que permitam ter uma habitação barata, com uma estratégia semelhante às “casas de um euro” que ganharam fama nas comunidades rurais de Itália.
“Temos muito mais terra disponível. Vamos ter de nos sentar e ver se conseguimos fazer algo mais, para lá destes 30 terrenos. Precisamos de algo para oferecer a quem está interessado”, aponta.
De facto, esta iniciativa pode tornar-se um ponto de viragem para toda esta remota comunidade.
“Isto foi, basicamente, uma espécie de golpe publicitário. Pensávamos que teríamos sorte se vendêssemos um ou dois terrenos”, confessa.
“Com o interesse que estamos a receber, seria fantástico se vendêssemos os 30. Temos tido uma população muito estável, com cerca de 13 mil habitantes, ao longo das últimas décadas. Se isto correr bem…”
“Se está à procura de uma vida sossegada no campo, podemos oferecer essa grande qualidade de vida. É a combinação perfeita”.
Resta apenas uma questão: como se pronuncia Götene?
Assim: Yeur-te-neh, explica Månsson. Os futuros habitantes poderão ter de juntar algumas aulas de sueco ao orçamento.