"Estão a fazer milhões em lucros à nossa custa". Suecos boicotam supermercados devido aos preços "fora de controlo"

25 mar, 12:24
Supermercado (EPA)

A iniciativa sueca, designada “Bojkotta vecka 12”, convida os consumidores a suspender as compras em grandes cadeias

Após o maior aumento de preços alimentares em dois anos, registado no mês de fevereiro, milhares de suecos decidiram agir e boicotar os maiores supermercados do país, durante sete dias, a partir desta segunda-feira contra o que dizem ser preços "fora de controlo". A iniciativa, divulgada por publicações virais no TikTok e Instagram, rapidamente se transformou num assunto nacional.

Os manifestantes responsabilizam o aumento dos preços por um “oligopólio” de grandes superfícies e produtores, que estão a priorizar os lucros em detrimento dos consumidores. Os supermercados, por seu turno, atribuem a subida dos preços a vários fatores, como a guerra, a geopolítica, os preços das matérias-primas, as colheitas e a emergência climática.

Estudos indicam que, desde janeiro de 2022, o custo anual para alimentar uma família na Suécia subiu para 30 mil coroas (cerca de 2.700 euros).

Uma unidade de café, por exemplo, deverá atingir em breve o simbólico valor de 100 coroas (mais de nove euros), refletindo um aumento superior a 25% desde o início do ano passado, de acordo com o Statistics Sweden.

Este protesto, que agora chega à Suécia, faz parte de um movimento crescente por toda a Europa contra o aumento do custo de vida. No mês passado, consumidores na Bulgária também boicotaram grandes cadeias de retalho e supermercados, o que terá levado a uma queda de quase 30% nas vendas. Em janeiro, a Croácia foi palco de um boicote que se estendeu à Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Sérvia.

A iniciativa sueca, designada “Bojkotta vecka 12” (boicote da semana 12, em referência à 12.ª semana do ano), convida os consumidores a suspender as compras em grandes cadeias como Lidl, Hemköp, Ica, Coop e Willys.

“Não temos nada a perder, mas tudo a ganhar”, lê-se nas publicações nas redes sociais, segundo o The Guardian. “Os preços dos alimentos subiram sem controlo, enquanto as grandes empresas alimentares e os grandes produtores estão a fazer milhões em lucros à nossa custa”, escrevem também.

De acordo com o site de monitorização Matpriskollen, o chocolate aumentou 9,2% no mês passado, os óleos de cozinha subiram 7,2%, o queijo 6,4% e o leite e natas 5,4%.

O movimento planeia continuar o boicote com uma ação de três semanas contra a Ica, a maior cadeia de supermercados sueca, que detém cerca de um terço do mercado, e contra o produtor de laticínios Arla. Depois disso, prometem expandir a lista de empresas boicotadas.

Segundo o The Guardian, a ministra das Finanças da Suécia, Elisabeth Svantesson, reconheceu o impacto elevado dos preços dos alimentos, embora tenha afirmado que a inflação já tenha diminuído desde que o governo assumiu funções em 2022, com a taxa a situar-se em 1,3% em fevereiro de 2025, após uma ligeira subida em janeiro.

Para fazer face às dificuldades atuais, o governo apresentou na sexta-feira uma nova estratégia alimentar, com medidas para aumentar a produção sueca de alimentos e melhorar a concorrência no setor. Contudo, Peter Kullgren, ministro da agricultura, alertou que os boicotes poderiam ter o efeito oposto ao pretendido e manifestou a sua discordância com a prática.

A porta-voz da cadeia de supermercados Willy:s, Johanna Eurén, também já reagiu aos protestos. “Compreendemos totalmente a preocupação dos clientes com o aumento dos preços e respeitamos o seu direito de expressarem a frustração”, considerando, no entanto, que o boicote não é a melhor solução.

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