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Portugal quer novos submarinos e assina um acordo com um gigante asiático para os desenvolver

12 jun 2025, 22:56
Marinha Portuguesa e Coreia do Sul assinam acordo para o desenvolvimento de submarinos

Com a frota de submarinos atual parada nos estaleiros, a Marinha Portuguesa olha para a Ásia para encontrar novos submarinos e fortalecer a defesa naval

A Marinha Portuguesa assinou um Memorando de Entendimento (MoU) com o gigante industrial sul-coreano HD Hyundai Heavy Industries para "estabelecer uma parceria estratégica" focada no desenvolvimento de submarinos, durante uma exposição internacional de Defesa Marítima, a MADEX 2025, no final de maio, em Busan, na Coreia do Sul. O anúncio surge dois meses após o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, ter revelado a ambição de reforçar a frota submarina nacional com uma nova unidade ou dois submarinos de menores dimensões.

"A parceria admite, no seu âmbito, poder desenvolver conceitos de submarinos que se adequem aos interesses de ambas as partes, e que resultem de desenvolvimento bilateral", confirmou fonte oficial da Marinha Portuguesa à CNN Portugal.

O documento assinado pelo vice-almirante Fernando Pires, superintendente do Material da Armada, e Ju Won-ho, chefe da divisão de embarcações especiais da HD Hyundai, prevê a partilha de informação em áreas de interesse mútuo, com ênfase no desenvolvimento de conceitos e soluções técnicas para a construção e reparação naval. Além disso, a parceria da marinha portuguesa abrange áreas como a manutenção e a modernização de equipamentos navais.

"Com base na confiança mútua estabelecida por meio desta parceria estratégica, a HD Hyundai e a Marinha Portuguesa planeiam desenvolver em conjunto um pequeno modelo de submarino no futuro", explica o fabricante sul-coreano num comunicado.

A ambição de reforçar a frota de submarinos portuguesa não é recente. Em entrevista ao Expresso, o chefe de Estado-Maior da Armada destacou que o sistema de forças anterior previa quatro submarinos, o dobro da atual frota composta pelos submarinos da Classe Tridente, Arpão e Tridente. "Poderão ser dois submarinos de dimensão mais pequena ou poderá ser um de dimensão similar, porque a regra de dispor de três permite-nos ter sempre um submarino disponível", explicou Nobre de Sousa, que admite a aquisição de submarinos na faixa de 800 a 1.300 toneladas.

Estes valores vão ao encontro de alguns submarinos em desenvolvimento pela Hyundai Heavy Industries, que está a criar variantes com 800, 1.500 e 2.300 toneladas, otimizados para missões como patrulhas costeiras e operações em águas estratégicas. Todos estes modelos estiveram expostos na exposição onde o acordo foi celebrado. Contudo, a Marinha Portuguesa esclarece que ainda está na fase de identificar soluções de mercado adequadas, aceitáveis e exequíveis, admitindo que o processo que precede qualquer decisão de aquisição pode ser moroso, extenso e complexo. 

"Muito antes de existirem processos administrativos e de procurement conducentes à aquisição, existe a necessidade de identificar potenciais soluções de mercado que se revelem adequadas, aceitáveis e exequíveis", afirmou a mesma fonte à CNN Portugal, acrescentando que a integração de sistemas de combate e sensores adaptados às necessidades portuguesas serão abordadas no âmbito da cooperação com a HD Hyundai. 

A urgência de reforçar a frota submarina ganha relevo face à atual situação crítica da Armada. Desde fevereiro de 2025, os dois submarinos da Classe Tridente estão inoperacionais: o Arpão enfrenta um problema no sistema hidráulico, enquanto o Tridente está em manutenção programada no Arsenal do Alfeite desde o final de 2022. Esta paralisação compromete a capacidade de dissuasão e vigilância marítima de Portugal.

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