A vida está mais cara, mas nem tudo aumentou de preço: veja os números

27 jun, 18:00
Inflação, supermercado, preços, carne. Foto: Robert Nickelsberg/Getty Images

A guerra não é a única responsável pela subida de preços mas, se antes já se vislumbrava um aumento, ele acentuou-se com o início do conflito. E o que mais aumentou foram os bens essenciais: alimentação, eletricidade, gás e combustíveis.

O primeiro que se fez notar foi o óleo de girassol. Chegou a faltar em algumas prateleiras, apesar de os supermercados garantirem que ele nunca faltaria. É que 50% do consumo global deste óleo tinha como origem a Ucrânia. De acordo com o Índice de Preços do Consumidor do INE, logo em março os óleos e gorduras ficaram 14% mais caros. No mês seguinte o aumento foi de 13%.

A guerra não é a única responsável pela subida de preços mas, se antes já se vislumbrava um aumento, ele acentuou-se com o início do conflito. E o que mais aumentou foram os bens essenciais: alimentação, habitação, transportes. Em maio, Portugal registou o maior nível de inflação homóloga desde fevereiro de 1993: 8,0%. E as más notícias não devem ficar por aqui. A incerteza quanto ao futuro que a guerra provoca e também o facto de ter interrompido algumas cadeias de abastecimento fazem prever novos aumentos.

O setor da alimentação foi um dos que mais sentiram o aumento dos preços. De acordo com o INE, os produtos alimentares não transformados ficaram 11,6% mais caros entre maio do ano passado e maio deste ano. A subida mais acentuada, no entanto, deu-se nos produtos energéticos, cujos preços aumentaram 27% durante este período.

Dentro desta categoria, a maior subida registou-se nos combustíveis líquidos, como o gasóleo e a gasolina. Se é verdade que os combustíveis já tinham vindo a registar uma subida de preço ao longo do ano de 2021, a guerra acentuou a escalada. A subida mais alta registada em 2021 foi de setembro para outubro, quando os preços aumentaram cerca de 7%, mas em março deste ano a subida em relação a fevereiro já foi de 16%.

Depois dos combustíveis líquidos, o gás e a eletricidade foram dos produtos energéticos cujos custos mais subiram no último ano. O gás ficou 41% mais caro e a eletricidade 23%.

O que pesa mais na conta do supermercado?

Desde o início do ano que a DECO Proteste tem vindo a monitorizar o preço de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais como carne, peixe, legumes, fruta, arroz e massa, açúcar, leite, queijo e manteiga. O preço tem vindo a aumentar ligeiramente todas as semanas. O mesmo cabaz que a 23 de fevereiro custava 187,73€, no dia 22 de junho já custava 201,98€, quase 15€ a mais.

Os produtos que mais aumentaram o preço relativo durante este período foram o já referido óleo alimentar (aumentou 51%), mas também a farinha para bolos (43%), o salmão (42%), o frango inteiro (31%), o bife de peru (26%) e o lombo de porco sem osso (24%). Se olharmos para o aumento em euros, esta subida de preço no salmão, por exemplo, representa um aumento de 4,54€ na conta. Só na última semana, este peixe ficou um euro mais caro no cabaz apresentado pela Deco.

Está a pensar em férias? Também estão mais caras

Durantes os primeiros meses do ano, os preços dos bilhetes de avião chegaram a descer, mas abril estragou tudo: entre março e abril as viagens de avião ficaram 46% mais caras. Em maio houve uma nova descida de preços, mas não foi tão grande, e, comparando os preços de maio deste ano com os de maio do ano passado, a subida ainda foi de 36%.

As viagens de barco também custavam mais 18% no mês passado do que há um ano. E os serviços associados a uma estadia fora de casa também pesam mais na carteira: comer fora ficou 6% mais caro e dormir fora custava mais 28%.

Neste caso, o maior aumento dos preços nos restaurantes e cafés deu-se em janeiro deste ano, enquanto os serviços de alojamento aumentaram significativamente os preços em abril.

O que é que não está mais caro?

De acordo com o Índice de Preços do Consumidor do INE, em maio, a inflação ainda não se tinha feito sentir nos artigos de vestuário, cujo preço no último ano variou 0,4%, ou no transporte ferroviário de passageiros, que registou uma variação de 0,2%.

Também os preços dos equipamentos para desporto e campismo, os jogos e os brinquedos subiram menos de 1%.

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