Remuneração de 66 milhões de euros ao gestor português Carlos Tavares causa escândalo em França: "indecente e revoltante"

14 abr, 07:30
Carlos Tavares, CEO da Stellantis. (Fabio Ferrari/LaPresse via AP)

Carlos Tavares, o português CEO da Stellantis, terá recebido 66 milhões de euros de remuneração em 2021. Sindicatos dão gritos de revolta. Acionistas chumbam política de remunerações dos executivos. Jornal francês diz que “o capitalismo definitivamente não aprendeu nada”.

“Indecente e revoltante”. É com estas palavras que o sindicato francês CGT reage à potencial remuneração a ser atribuída a Carlos Tavares, CEO da Stellantis, empresa que nasceu da fusão em janeiro de 2021 da PSA com a Fiat-Chrysler, noticia o Le Monde.

Segundo a publicação, o gestor português poderá receber 66 milhões de euros referentes a 2021, de acordo com a estimativa feita pela empresa de investimento Phitrust, que considera o valor também “indecente” e que pode representar um problema para a fabricante de automóveis.

Em comunicado, o grupo sindical CFDT Stellantis também reagiu e disse que o valor atribuído a Tavares “não é legítimo”. Do lado da Stellantis, um porta-voz da empresa diz que “a remuneração é atribuída exclusivamente com base na meritocracia”.

Também os acionistas da Stellantis, que têm apenas um voto consultivo na matéria, chumbaram o valor e a política de remuneração dos executivos do grupo numa votação realizada na semana passada e cujos resultados foram apresentados esta quarta-feira em assembleia-geral - 52% votaram contra o relatório e 48% a favor. Horas antes desta reunião da empresa, o governo francês tinha pressionado os acionistas da empresa devido aos 19,1 milhões de euros que Carlos Tavares recebeu em 2021, lê-se na EFE.

E isto já depois da notícia ter levantado polémica também na imprensa. “O capitalismo definitivamente não aprendeu nada” desde a grande crise financeira de 2008 até a grande crise da covid-19, escreve o jornal Libération numa nota de opinião sobre a remuneração de Carlos Tavares. O diário gaulês fala de uma “remuneração estratosférica” e critica também os poderes públicos: “números indecentes para os funcionários do seu grupo, mas não para o governo que faz vista grossa”.

De acordo com o Le Monde, “o gestor de 63 anos terá recebido 19 milhões de euros relativos ao ano de 2021 (1,9 milhões fixos + 7,5 milhões variáveis ​​+ 5,5 milhões para o primeiro ano de um plano de desempenho de três anos + 1,7 milhões em bónus de conclusão de fusão + 2,3 milhões em contribuição para a sua futura reforma), aos quais se somam 47 milhões na alocação de ações livres e remuneração excepcional com base na capacidade do Sr. Tavares de transformar a Stellantis”. A soma destes montantes leva ao polémico valor de 66 milhões de euros.

“Tavares recebe 180.000€/dia, é indecente e revoltante quando sabemos que nós, colaboradores, tivemos um aumento de 40€/mês em 2021”, disse Jean-Pierre Mercier, representante sindical da CGT PSA numa entrevista.

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