REVISTA DE IMPRENSA || Crime cresce e APAV desafia vítimas a denunciar cedo
O crime de stalking/perseguição tem vindo a aumentar em Portugal, avança o jornal Público. Entre 2020 e 2024, a Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu 5.033 inquéritos por stalking, mais 25% do que no início do período. A maioria das vítimas é do sexo feminino e os agressores tendem a ser ex-parceiros ou conhecidos. No entanto, os casos entre desconhecidos também têm vindo a crescer, muitas vezes alimentados pelas redes sociais.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acompanhou, em 2023, 1.691 situações, das quais 191 não estavam ligadas a violência doméstica. Ainda assim, os casos isolados têm diminuído desde 2019, ao mesmo tempo que mais vítimas denunciam numa fase precoce do assédio.
O stalking pode começar com mensagens aparentemente inofensivas, mas tende a escalar, levando as vítimas a estados de ansiedade, isolamento social e medo constante. O impacto psicológico é significativo e, em alguns casos, leva à mudança de rotinas, residência ou emprego.
Apesar dos números, muitas vítimas continuam a hesitar em denunciar, sobretudo quando não conhecem o agressor. A APAV recomenda cortar todo o contacto, guardar provas e reportar o caso às autoridades o mais cedo possível, para travar a escalada, até porque, em muitos casos, ignorar não é suficiente.