Manifestantes anunciam retirada das residências oficiais do presidente e PM do Sri Lanka. Mas avisam: "A luta não acabou"

14 jul, 13:12

Presidente fugiu para as Maldivas e agora já está em Singapura. Media locais têm vindo a divulgar imagens de veículos blindados com soldados a patrulhar as ruas da cidade de Colombo

A situação no Sri Lanka parece agora mais tranquila, com os manifestantes a anunciarem que vão abandonar as residências oficiais do presidente e do primeiro-ministro, que invadiram no sábado passado para exigir a demissão do presidente Gotabaya Rajapaksa.

Depois daquele que foi considerado um dos maiores protestos no país, Rajapaksa fugiu para as Maldivas com a mulher e dois seguranças. De acordo com a Reuters, o chefe de Estado viajou entretanto para Singapura, onde já terá chegado e deverá permanecer durante alguns dias antes de rumar à Arábia Saudita. 

Perante a invasão da residência oficial do presidente, o primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, anunciou que iria renunciar ao cargo, mas entretanto foi nomeado presidente interino por Gotabaya Rajapaksa. Esta decisão desencadeou ainda mais protestos, levando os manifestantes a invadir o parlamento nacional e o gabinete do primeiro-ministro, exigindo também a sua demissão.

"Queremos que Ranil vá para casa. Eles venderam o nosso país, queremos uma boa pessoa para assumir os cargos. Até lá, não vamos parar", garantiu Malik Perera, um jovem de 29 anos que participou nos protestos no parlamento, citado pela Reuters.

Também em declarações à Reuters, Terance Rodrigo, um outro jovem de 26 anos que está entre os milhares de manifestantes que invadiram a residência oficial do presidente, frisou que "a luta não acabou". 

"Temos que tornar a sociedade melhor do que isto. O governo não está a resolver os problemas das pessoas", defendeu.

Entretanto, os responsáveis pela organização dos protestos anunciaram que vão começar a abandonar as residências, argumentando que, "com o presidente fora do país, a invasão perdeu valor simbólico".

Na quarta-feira, o governo impôs um recolher obrigatório em Colombo em vigor até ao início da manhã de sexta-feira para evitar mais agitação. Os media locais têm vindo a divulgar imagens de veículos blindados com soldados a patrulhar as ruas da cidade. Os militares disseram que as tropas foram autorizadas a usar a força para proteger a população e o património.

De acordo com as autoridades, uma pessoa morreu e 84 ficaram feridas após confrontos entre a polícia e manifestantes na quarta-feira, junto ao edifício do parlamento e do gabinete do primeiro-ministro. O exército indica que dois militares ficaram gravemente feridos depois de terem sido atacados por manifestantes no mesmo local.

Os manifestantes aguardam agora a nomeação de um novo presidente em 20 de julho, e fonte do partido no poder indicou à Reuters que Wickremesinghe foi a primeira escolha do partido, embora ainda não tenha sido tomada uma decisão. A escolha da oposição é o seu principal líder Sajith Premadasa, filho de um ex-presidente.

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