Artistas e editora saem do Spotify após dono da empresa investir em fabricante militar

1 jul 2025, 20:48
Daniel Ek, CEO da Spotify (Associated Press)

A decisão de investir na Helsing, empresa que desenvolve software de inteligência artificial para incorporar em aviões, submarinos e drones, motivou uma reação negativa de alguns artistas

Vários artistas e uma editora discográfica anunciaram a decisão de retirar as suas canções do catálogo do Spotify após o CEO da empresa sueca, Daniel Ek, ter investido quase 600 milhões de euros na Helsing, empresa alemã do setor da defesa que usa a inteligência artificial para ajudar a tomar decisões no campo de batalha.

O investimento foi realizado pela Prima Materia, empresa de capitais de risco fundada pelo próprio Ek, cujo investimento na Helsing o tornou também presidente da empresa com sede em Munique.

A decisão de investir na Helsing, empresa que desenvolve software de inteligência artificial para incorporar em aviões, submarinos e drones, como é o caso do SG-1, motivou uma reação negativa de alguns artistas.

A banda indie-rock Deerhoof anunciou que iria retirar as suas músicas da aplicação. "'Daniel Ek usa 700 milhões de dólares da sua fortuna do Spotify para se tornar presidente de uma empresa militar que utiliza IA' não foi uma manchete que gostámos de ler esta semana. Não queremos que a nossa música mate pessoas. Não queremos que o nosso sucesso esteja ligado à tecnologia de batalha com IA", escreveu o grupo numa nota publicada no Instagram.

A cantora folk australiana Leah Senior e o músico Hugh F, ambos australianos, tomaram decisão semelhante. “O Spotify paga mal aos artistas, consolida o seu poder e limita as formas de nos conectarmos com o nosso público. Agora, está a alimentar financeiramente a guerra. Não quero fazer parte disso”, escreveu este último no Instagram.

Também a editora neerlandesa Kalahari Oyster Cult anunciou que iria remover o seu catálogo do Spotify a partir desta terça-feira. "Como editora, e em consulta com os artistas que representamos, não queremos que a nossa música contribua ou beneficie uma plataforma liderada por alguém que apoia ferramentas de guerra, vigilância e violência. Manter o nosso trabalho no Spotify significaria ir contra tudo o que defendemos”, disse a editora nas redes sociais.

Este não é o primeiro investimento de Daniel Ek na Helsing. Em 2021, também através da Prima Materia, o empresário sueco aplicou 100 milhões de euros na empresa, naquele que foi o primeiro grande investimento na Helsing, fundada nesse mesmo ano.

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