Investigação na Suécia revela que redes criminosas usam falsos streams no Spotify para lavar dinheiro

CNN Portugal , MJC
14 set, 12:43
Spotify (GettyImages)

Acontece desde 2019, segundo a descoberta em causa

Uma investigação do jornal sueco Svenska Dagbladet revelou que redes criminosos estão a usar o Spotify para lavar dinheiro. O jornal entrevistou membros anónimos das redes criminosas e pelo menos um investigador policial que explicaram que as redes criminosas têm usado dinheiro proveniente de tráfico de drogas, roubos, fraudes e assassínios por encomenda para pagar por transmissões falsas de músicas no Spotify.

Os participantes no esquema alegadamente trocavam moeda fiduciária por Bitcoin e compravam streams falsos para os artistas seus afiliados. O esquema garantia que estas músicas iriam chegar ao topo das tabelas de streaming. As transmissões artificiais criavam uma aura de legitimidade que levava os verdadeiros ouvintes a explorar também a música, gerando assim um aumento das receitas. Na Suécia, um milhão de streams gera aproximadamente entre 3.300 euros e 4.100 euros. 

Este esquema de lavagem de dinheiro existe pelo menos desde 2019, afirma o jornal sueco, citado pelo Guardian.

O polícia disse ao Svenska Dagbladet que contactou o Spotify em 2021 para discutir o assunto, mas a empresa nunca respondeu aos seus contactos. “O Spotify tornou-se uma máquina bancária para os gangues. Há uma ligação direta entre estas redes criminosas e a violência mortal no país”, disse. Em 2022, a Suécia registou 90 explosões e outros 101 casos de tentativas de atentados ou preparativos para atentados, bem como 391 tiroteios, 62 deles fatais, segundo os dados da polícia.

Em comunicado, um representante do Spotify disse que a empresa não tinha conhecimento da situação. “Streams manipulados são um desafio para toda a indústria e o Spotify tem trabalhado para resolver esse problema”, diz o comunicado da empresa, de acordo com o Next Web. “Dito isto, o Spotify não tem conhecimento de qualquer contacto por parte das autoridades em relação às sugestões do artigo de jornal em causa, nem as nossas equipas internas encontraram nada ou receberam quaisquer dados ou indícios concretos que indiquem que a plataforma está a ser usada em grande escala da forma descrita."

O Spotify afirma que os seus dados sugerem que apenas 1% dos streams na plataforma são de natureza artificial.

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