Scouting do Sporting: da relação com a equipa técnica à contratação de St. Juste

Vítor Maia , Boavista, Porto
22 set 2022, 18:32
19) Jeremiah St. Juste (Sporting): €16M

Pedro Brandão, scout dos leões, levantou um pouco o véu sobre a ligação com a equipa técnica e da importância dos dados quantitativos na contratação dos jogadores

Como funciona um departamento de scouting num clube? Como é avaliada a contratação de uma determinado jogador? Qual a relação com a equipa técnica?

Pedro Brandão, scout do Sporting, levantou um pouco o véu acerca do método de trabalho que altualmente impera no clube durante o debate sobre a «Detação e potencialização do talento», na quinta edição do World Scouting Congress que se realiza no Porto.

«Amorim aberto a discussão? Acontece. E acho que é o melhor que pode acontecer em qualquer clube. É muito gratificante ter um treinador que se senta connosco e nos pede opinião. E o contrário também acontece. Com esta partilha, cimentamos conhecimento e percebemos melhor o que ele quer. Os treinadores têm muitas tarefas e nem sempre têm tempo. Mas é importante para construirmos uma relação de confiança e para estarmos identificados com as ideias dele. Ao mesmo tempo, há maior receptividade da parte do treinador quando falamos de um determinado jogador. Já trabalhei com várias equipas técnicas e este é o cenário ideal», disse na discussão com Fernando Matos (PAOK) e com Eduardo Covelo Mateo (Celta de Vigo).

Outro dos temas abordados foi o peso que os dados quantitativos têm na avaliação dos jogadores. Ora, Pedro Brandão deu como exemplo o que aconteceu este verão quando o Sporting estava à procura de um central rápido que se enquadrasse na forma de jogar do treinador.

«No Sporting temos um departamento de 'big data' a funcionar com scouting, equipa técnica e componente física. Acreditamos muito nisso. Ao longo estes anos, aconteceu encontrar jogadores que são fortes num determinado ponto. Pela forma de jogar, o Sporting vai estar muito tempo longe da sua baliza ou seja, há muito espaço para correr para trás. E por isso, contratámos um central rapidíssimo. Eu posso achar que ele é rápido, mas se os outros forem lentos, ele se calhar não é assim tão rápido. Os dados são objetivos e não mentem. Nesse sentido, a utilização dos dados é objetiva. Se determinado jogador se destaca numa componente fundamental para o nosso jogo na lista que temos, se calhar abordamos esse primeiro», contou.

«O nosso trabalho está muito bem definido. O scouting não toma decisões, mas dá soluções a quem pode decidir. Depois de o jogador chegar, considero importante dar mais algum feedback, há sempre nuances que podem ter escapado. Quando as coisas começam a andar, a responsabilidade é muito mais dos treinadores e de quem lida com o jogador. O desenvolvimento do jogador depende do próprio e de quem trabalha com ele», concluiu. 

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