Orquestra leonina sem solista nem nota artística
Privado do seu maior solista, que agora reforçou uma orquestra de Londres, o Sporting apresentou-se a intensidade mezzo piano aos sócios e simpatizantes, nesta sexta-feira, no Estádio Nacional do Jamor. Num registo semelhante àquele que tem sido apresentado na pré-temporada, o Sporting não deslumbrou diante do Villarreal no Troféu Cinco Violinos e acusou a falta de uma referência no ataque. Porém, já levantou a primeira Taça de 2025/26.
Com novidades na numeração dos jogadores, Trincão atrás do ponta-de-lança e o reforço de última hora João Virgínia na baliza (Rui Silva nem na ficha de jogo esteve), um golo de grande penalidade de Morten Hjulmand deu um sorriso amarelo aos leões no regresso a um local onde foram felizes, há dois meses.
Albano, Jesus Correia, Travassos, Vasques e Peyroteo. Um quinteto de atacantes eternizado na história do Sporting por uma célebre expressão cunhada pelo jornalista João Joaquim Tavares da Silva, nos anos 40, e que perdura até aos dias de hoje - num mundo e num futebol tão diferente dessa época.
Os «Cinco Violinos» jogaram apenas três temporadas juntos - entre 1946 e 1949 -, mas alcançaram feitos que só têm algum paralelo com o bom momento atual do clube. Com este quinteto fantástico, o Sporting chegou pela primeira vez na sua história ao tricampeonato e venceu uma Taça de Portugal. O quinteto acabou quando Peyroteo acabou a carreira, em 1949, mas o Sporting viria a ser campeão no ano seguinte alcançando um inédito tetracampeonato. Esta história dava para outro extenso artigo, caro leitor.
Regressando a 2025, a orquestra do Sporting voltou a tocar, dois meses depois. A equipa despediu-se da temporada 24/25 no Estádio Nacional do Jamor com a conquista da Taça de Portugal, diante do rival Benfica, num duelo com 120 minutos e muita emoção. Festejou-se a ansiada dobradinha.
Agora, em vésperas do primeiro jogo oficial de 25/26 (exatamente contra o Benfica, na Supertaça), o Sporting apresentou-se aos sócios e simpatizantes fora de casa por força das obras em curso no Estádio José Alvalade. Não houve casa cheia nem muito entusiasmo das bancadas, mas está dado o tiro de partida para a nova época.
Harder herdou camisola nove de Gyökeres… e o público gostou
Ainda antes do início da partida, houve ‘notícia’. O clube apresentou o plantel a nova numeração do plantel principal, com algumas alterações. Uma causou furor nas bancadas – Conrad Harder fica com a camisola nove de Viktor Gyökeres, no mesmo dia em que o sueco chegou a Londres para assinar pelo Arsenal.
Outra das novidades foi o regresso de João Virgínia, guarda-redes que estava livre após terminar contrato com o Everton. Foi anunciado minutos antes do jogo e apresentou-se aos adeptos. Deu bastante jeito, visto que Rui Silva ficou fora da ficha de jogo possivelmente por problemas físicos.
E, ainda antes da bola rolar, há que sublinhar um minuto de silêncio para os falecidos Diogo Jota e André Silva. Não serão esquecidos.
Momento de homenagem a Diogo Jota e André Silva no Jamor 🫶#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #Troféu5Violinos #SportingCP #Villarreal pic.twitter.com/jvxmdPManf
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Primeira parte em diminuendo com o já habitual 4-2-3-1
Com novo equipamento e novo alento para atacar um possível tricampeonato, o Sporting apresentou-se com o 4-2-3-1 que tem sido ensaiado por Rui Borges nesta pré-época. Virgínia foi titular, Harder assumiu a nova camisola nove e atrás dele jogou Trincão. Pote ficou encostado ao corredor esquerdo e Catamo à direita.
Pela frente tinha um Villareal com andamento menor nesta pré-temporada – apenas com dois duelos efetuados, sempre com grande rotação de jogadores e com dois empates. Mas com bons nomes no onze organizado em 4-4-2 – Gerard Moreno, Dani Parejo, Luiz Júnior (ex-Famalicão) ou Yeremy Pino.
Durante a primeira metade dos 45 minutos, o Sporting foi claramente superior. Ditou os ritmos de jogo, com Hjulmand a receber quase sempre nas costas dos avançados Moreno e Etta. Matheus Reis subia e a construção era feita com três defesas. O lateral até criou perigo com alguns passes perigosos em profundidade, mas depois foi controlado.
Com o decorrer da primeira metade, o Villarreal foi acertando a pressão e impediu o Sporting de construir com tanto conforto quanto no início do jogo. Pote andava algo desaparecido e o perigo leonino vinha, na maior parte das vezes, através do rendilhado entre Catamo e Trincão no corredor direito. Harder ia tentando responder aos cruzamentos. O regressado João Virgínia esteve muito bem no controlo da profundidade, limpando bolas longas dos espanhóis.
O lance que dividiu as duas equipas no marcador foi mesmo uma grande penalidade ganha por Harder e convertida com mestria por Hjulmand. Matheus Reis fez um grande passe, Pote desviou em esforço para Harder e este foi empurrado na área pelo jovem Kambwala, ex-Manchester United. O árbitro Ricardo Baixinho assinalou penálti e, agora sem Gyökeres, foi Hjulmand a assumir a marcação.
Morten Hjulmand de grande penalidade dá vantagem ao leões 💪#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #Troféu5Violinos #SportingCP #Villarreal pic.twitter.com/zzNiMWeR7v
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Segunda parte a ritmo de amigável, com Moleiro a levar água ao moinho
A segunda parte trouxe perigo ainda mais declarado para o Villarreal, talvez devido às mudanças. Marcelino lançou o criativo Moleiro e o baixinho fez a diferença. No espaço de dez minutos, os espanhóis criaram pelo menos três chances de golo. Debast tirou uma bola em cima da linha de golo, Etta Eyong acertou no poste com estrondo e Moleiro rematou de longe.
Debast tinha entrado ao intervalo e Rui Borges lançou mais jogadores aos 55 minutos. Quenda rendeu o apagado Pote e Inácio deu lugar a Jeremiah St. Juste. Os momentos de maior entusiasmo nas bancadas eram mesmo as substituições – Ricardo Esgaio e Eduardo Quaresma foram muito aplaudidos ao entrar em campo. Muitos adeptos saíram do estádio antes do apito final.
Apesar da exibição menos conseguida, o Sporting arrecadou o décimo Troféu Cinco Violinos da sua história. Volta a ganhar ao oponente de 2023, mas desta vez só por 1-0, em vez de um mais folgado 3-0, na era Ruben Amorim.
Agora, é a doer. Daqui a poucos dias, o Sporting vai defrontar o Benfica na Supertaça Cândido de Oliveira, no Estádio do Algarve. As indicações na pré-temporada não foram as mais entusiasmantes mas, no futebol, já se sabe que isso conta pouco para o resto da época. Há algo que é inequívoco – há um ano, no início de 2024/25, o Sporting era uma equipa muito mais ameaçadora.
O Sporting CP conquista o Troféu 5 Violinos 🎻#sporttvportugal #FUTEBOLnaSPORTTV #Troféu5Violinos #SportingCP #Villarreal pic.twitter.com/AqMqhdELNR
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