Hjulmand e Froholdt prometem uma batalha intensa a meio campo, no próximo Sporting-FC Porto
Um chegou (há dois anos), viu e venceu em Alvalade. O outro acabou de chegar, mas já viu e convenceu o Dragão. Morten Hjulmand e Victor Froholdt protagonizam este sábado, em Alvalade, um duelo escandinavo que poderá marcar a diferença no primeiro jogo grande do campeonato esta temporada.
O caminho dos dois tem semelhanças. Não é só no país. Também a cidade e o clube são um denominador comum entre Hjulmand e Froholdt. Mas o caminho de cada um até Alvalade, onde os dois se encontrarão este sábado - antes de se voltarem a encontrar no próximo estágio da seleção da Dinamarca -, tem claras diferenças.
Morten Blom Due Hjulmand nasceu nos arredores de Copenhaga, numa localidade chamada Kastrup. Cresceu para o futebol no clube da capital do seu país e com 19 anos saiu para a Áustria, onde viveu a sua primeira experiência como sénior, no FC Admira, numa transferência a custo zero.
Três épocas e 74 partidas depois, Morten Hjulmand partiu da Áustria para sul e seguiu para o salto alto da ‘bota italiana’, para Lecce, por 2,5 milhões de euros. O salto alto não foi só o da bota: Hjulmand dava um salto muito alto na exigência competitiva em que acabaria por entrar uma época e meia depois, quando ajudou o Lecce a subir da Serie B para a Serie A. Foi aí que Hjulmand começou a sentir o sabor da braçadeira e a pôr em prática a sua capacidade de liderança inata durante as duas épocas e meia que representou os Giallorossi. Ao fim de 95 jogos, Hjulmand acabou por sair do Lecce, já como capitão.
Essa liderança está a repetir-se em Alvalade, para onde seguiu por 21 milhões de euros e mais tarde sucedeu a Sebastián Coates como capitão. Morten Hjulmand revelou-se um dos líderes do grupo, mesmo durante o último mandato de capitão do central uruguaio. Ao campeonato conquistado na época de estreia, Hjulmand marcou os seus primeiros golos como sénior ao serviço do Sporting. Quatro na primeira época e três na temporada do bicampeonato, já como capitão. Esta época, já deu o exemplo e marcou na ronda inicial do campeonato, frente ao Casa Pia.
Com as mesmas origens que Hjulmand, Victor Mow Froholdt não teve um caminho tão sinuoso para chegar ao clássico deste sábado. O jovem dinamarquês fez algo que Hjulmand não conseguiu: depois de anos na formação do FC Copenhaga, Froholdt jogou na formação nórdica em 62 ocasiões, assinando oito golos e quatro assistências. A última vez que representou o clube da sua cidade ainda foi esta época. Mas os 20 milhões de euros levaram o jovem médio para o Dragão e agora para este clássico, onde encontrará, numa das suas zonas de ação, Morten Hjulmand.
Foram três jogos, mas já foi tempo suficiente para marcar, assistir e entusiasmar o futebol português. Carlos Freitas, antigo diretor desportivo do Sporting em duas ocasiões, descreve Froholdt como “alguém que tem um mapa de calor absolutamente anormal, entre os 80 e os 90 metros, que joga a alta intensidade o tempo todo e que tem uma capacidade de transporte invulgar”. O Clássico opõe o jovem jogador do FC Porto ao capitão do Sporting, Hjulmand, “que é um verdadeiro termómetro do Sporting, alguém que gere os tempos do jogo com poucos e que dá equilíbrio à equipa”.
Apesar de ter “dificuldade em reduzir o peso das duas equipas a um só jogador”, Carlos Freitas defende, ainda assim, que Hjulmand e Froholdt são “jogadores super importantes” para as suas equipas. Enquanto o meio-campo do FC Porto - que tem uma “complementaridade forte” - conta com a “intensidade de Froholdt”, aliada à “fantasia de Veiga” e “ao equilíbrio de Alan Varela”, o antigo diretor desportivo dos leões considera Hjulmand o “pêndulo” da equipa de Rui Borges: “Reitero que é difícil reduzir o peso das duas equipas a um só jogador, porque tenho dificuldade em acreditar em homens providenciais, sendo certo que estamos a falar de dois jogadores muito importantes”.
A nova corrente de apostas em jogadores nórdicos para o campeonato português não é inédita: “O Benfica nos anos 80, quando trouxe para Portugal o Strömberg e depois o Jonas Thern e o Stefan Schwarz, pela mão de Eriksson, teve três casos de grande sucesso, e que deram ao meio campo do Benfica uma intensidade pouco habitual para o futebol português”.
Questionado sobre se é ou não um mito futebolístico dizer-se que contratar um atleta nórdico é também adquirir mentalidade trabalhadora e competitiva. Carlos Freitas prefere não cair em generalizações: “No futebol, como em tudo na vida, não há verdades absolutas. Há gerações que apresentam determinados índices de competitividade, de qualidade e de intensidade que marcam a diferença”. Essa geração foi uma delas. O Benfica de Jonas Thern e Mats Magnusson acabou por chegar à final da Liga dos Campeões da época 89/90, sendo apenas derrotado pelo poderoso AC Milan de Maldini, Gullit e van Basten. Na época seguinte, o Benfica foi campeão nacional com Thern, Magnusson e Schwarz. Nenhum dos três se cruzou com Glenn Strömberg, mas o médio sueco sagrou-se bicampeão pelas águias, em 82/83 e em 83/84.
Voltando a olhar para o presente, o Sporting e o FC Porto contam com dois dos protagonistas nórdicos deste campeonato, até agora: Morten Hjulmand e Victor Froholdt. Ainda pela Escandinávia, o também dinamarquês Conrad Harder parece estar de saída para o Rennes e Deniz Gül (dupla nacionalidade sueca e turca) não tem tido espaço nos azuis e brancos desde que chegou. Sobram os dois vikings que têm sido titulares nas suas equipas e que configuram mais um dos tónicos deste clássico, num meio campo onde cruzarão ambos os caminhos que começaram em Copenhaga.