Antigo internacional português revelou reuniões com Luís Filipe Vieira e Sérgio Conceição, além de histórias com Paulo Bento
Nani encerrou a carreira aos 38 anos, conforme anunciou na noite de domingo. Para assinalar o término do percurso enquanto profissional, o antigo internacional português passou o serão desta segunda-feira no Canal 11, para analisar os melhores momentos da carreira e revelar algumas histórias.
«Chegou um momento em que me apareceram outras oportunidades e caminhos, e acho que este é o momento ideal. Porque para jogar tenho de estar 100 por cento focado.»
A propósito de uma mensagem de Paulo Bento, que treinou o avançado no Sporting e na Seleção Nacional, Nani revelou-se feliz pelo carinho recebido nos últimos dias.
«Se fosse há uns anos, não ficaria surpreendido com tantas mensagens. Mas, neste momento fiquei surpreendido. Há pessoas das quais já não nos lembramos e há mensagens que nos tocam no íntimo. É bom ver tantas pessoas que reconhecem os momentos maravilhosos que partilhámos.»
«Os treinadores mandaram-me mensagem a agradecer, mas eu é que devo agradecer. Tiveram muita paciência comigo, sobretudo no início, porque era um jovem com personalidade forte, que gostava de desequilibrar. E não gostava de ser chamado à atenção.»
«O Paulo Bento foi mesmo muito importante, porque comecei com ele nos juniores. Temos muitas histórias. Nessa fase, tinha de apanhar o comboio e o metro para chegar ao Campo Grande, e o autocarro levava até Alcochete. Houve uma vez em que comecei a ver o autocarro a arrancar e fiquei para trás.»
«Outra vez, fui de táxi para Alcochete. Pedi para esperar e pedi dinheiro ao Paulo Bento. Disse que o autocarro não esperou por mim. O mister lá me deu o dinheiro. Na semana seguinte, voltei a atrasar-me e tive de apanhar o táxi. O mister voltou a pagar, mas disse que eu teria de pagar um jantar», relatou, entre risos.
Questionado sobre o momento do Sporting e de João Pereira, Nani apelou à paciência.
«Vamos dar tempo ao João Pereira para provar a capacidade de gerir e motivar um plantel, vindo desta situação. É uma grande oportunidade para ele, porque é como começar do zero. Se ele continuasse com vitórias, como o Amorim, não dariam valor. Iam dizer como o Jorge Jesus: já lá estava o “chip”.»
«Enquanto jogador, o João Pereira nunca se deixou abalar por pouco. Se for assim enquanto treinador, tem capacidade para fazer um bom trabalho», argumentou.
Por fim, Nani revelou que teve convites de Benfica e FC Porto, em momentos distintos da carreira.
«Tive conversas com os rivais. Estive sentado com Luís Filipe Vieira, em Londres, quando estava no Manchester United. E uma vez estive reunido com o Sérgio Conceição, mas optei por ir para o Sporting [em 2018]. Foi uma questão de lealdade. Cresci no Sporting e sempre disse que só jogaria lá. Não podia desiludir os adeptos. O Sérgio Conceição não ficou chateado, é um grande homem», revelou.