Neto revela que chegou a pesar 64 quilos e faz juras de amor ao Sporting

29 mai, 22:16
Luís Neto na festa do Sporting campeão (FOTO: Sporting)

Central recordou a lesão e o pneumotórax no ano passado e destacou as chaves do título este ano, com Amorim à cabeça, numa entrevista emotiva

A terminar uma ligação de cinco temporadas com o Sporting, Luís Neto recordou um dos piores momentos que viveu de leão ao peito, na temporada passada, quando teve uma lesão no joelho esquerdo e pneumotórax.

O defesa-central de 36 anos confessou que foi abaixo, quer física, quer mentalmente.

«Acredito que nessa época iria dividir muitos jogos com o St. Juste. Estava no meu melhor momento no Sporting. Depois, tive uma lesão muito estranha no joelho, percebi que algo estava errado, até tinha receio de ser uma lesão mais grave. E na fase final da recuperação tive a infelicidade do pneumotórax. Roubou-me muito ao nível mental, emocional e físico», lembrou, numa entrevista à Sporting TV.

«Perdi a fome, emagreci, cheguei a pesar 64kg. E eu sou robusto (risos)», acrescentou.

Neto recordou que teve de fazer um «caminho solitário» até regressar aos relvados «com as palmas de todos», já na reta final da época. «Ia à Academia só para fazer fisiorespiratória, não podia ter outro tipo de exercícios. Foi um período com muitos desafios, a minha família passou um inferno comigo. Queria atropelar os timings para voltar, mas era preciso obedecer aos trâmites normais para o regresso. O que mais me custou foi estar longe. Acaba por ser um caminho solitário, vamos a um horário diferente para a Academia, fazer vários raio-X.…»

De saída de Alvalade, Neto considera que este «é um ciclo que se fecha», mas faz juras de amor ao Sporting.

«Vesti a camisola do Sporting como se fosse a minha segunda pele desde o primeiro dia em que cá cheguei. Sempre imaginei que seria diferente ganhar aqui do que nos outros dois clubes também acostumados a ganhar, que rivalizam com o Sporting em títulos. O Sporting é um clube diferente, especial. Um clube que gosta de obedecer a certos valores, um clube que gosta de ganhar bem, justo e em campo, que gosta de ganhar sem qualquer tipo de subterfúgios. Vou ter muitas saudades. A semente ficou cá. É como diz a música: "Juro ser fiel ao Sporting e o sangue verde e branco corre-me nas veias"», afirmou.

Com a certeza de que o Sporting tem «tudo para continuar a ganhar, com as pessoas certas no sítio certo», o internacional português elencou os fatores-chave para a conquista do campeonato.

«Esta foi uma época de tudo ou nada. Tivemos muitas conversas em 2022/23. Aparentemente não, mas nós tínhamos um bom grupo. Toda a gente tinha boa relação, mas estava a faltar alguma coisa. E eu acredito que tivemos conversas muito marcantes entre todos. Tivemos mensagens do míster que repetiu várias vezes, que se nós não ganhássemos nada, algo terminava. Poderia existir um fecho de ciclo. Mas toda a gente deu uma grande resposta. Conseguimos, no desconforto, voltar a criar todas as condições para ganhar. Principalmente, a resiliência do grupo. A consistência e o facto de conseguirmos passar a mensagem que todos os três pontos eram importantes. Ou seja, eu lembro-me de jogar em Faro, na sétima jornada e nós praticamente já a dizermos que "Ganhamos hoje e somos campeões". Irmos ao Bessa e dizermos "ganhámos hoje e somos campeões". Ou seja, aquilo já não era jogo a jogo. Aquilo era quase... "Se ganhamos hoje, somos campeões". E aquilo criou-se mesmo em todos os jogadores estrangeiros, a malta toda que veio este ano, imbuída nesse espírito. Falávamos em inglês para passar todas as mensagens, ninguém ficou de fora. Existiu uma crença enorme, uma fome enorme.»

Neto revelou ainda quando sentiu necessidade em aceitar que teria um papel secundário na equipa, mais como voz de comando no balneário e não tanto dentro as quatro linhas. «Em janeiro foi o momento mais difícil da época que tive a nível emocional e mental, que foi aceitar a minha posição. Nunca me iria perdoar se chegasse ao final, o Sporting não fosse campeão e eu sentisse que não dei tudo. E sabia que isso ia comigo para o resto da vida. Muitas vezes temos de acalmar os demónios aqui dentro, dizer "relaxa, isto agora é entre mim e a minha cabeça". Exigiu muito de mim. Aceitei a minha posição e percebia que havia valor nela.»

Ruben Amorim também mereceu muitos elogios por parte de Neto, que destacou a «exigências» que o técnico trouxe ao Sporting.

«Antes havia uma série de clichés, de que o Sporting não passava do Natal e que nas horas certas falhava. Ele passou o que os adeptos queriam, o "vamos ganhar em qualquer campo", o "vamos ser uma equipa chata", o "vamos ser uma verdadeira equipa de leões esfomeados em campo". Isso personifica-se nestas taças. Muita da mentalidade dele respira-se hoje na Academia», concluiu.

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