Rui Borges: «Não vão sair daqui, de repente, dez Cristianos Ronaldos»

30 out, 14:00

Treinador dos leões deixou muitos elogios à formação que chega da Academia, mas recorda que o trabalho é muito e que os jovens não chegam ao plantel principal por acaso

Rui Borges, treinador do Sporting, na conferência de imprensa de antevisão do jogo contra o Alverca, desta vez para o campeonato, comentou a utilização e o aparecimento de cada vez mais jovens na equipa principal dos leões. O técnico deixou muitos elogios à formação do Sporting e agradece o facto de «os miúdos» terem correspondido.

Formação sustentada com jogadores maduros

«O contexto também foi favorável, no sentido de que, às vezes, é importante que os miúdos, quando jogam e quando têm a oportunidade, estejam sustentados com jogadores maduros, jogadores que já estão aqui há algum tempo e que vão conseguir dar essa resposta em jogo, ajudando os miúdos a dar uma resposta igual. Por isso, é importante. Nós, apesar de tudo, tínhamos uma equipa com o Morita, com o Quenda, que são jogadores internacionais, com o Quaresma. Há alguns jogadores ali, apesar de tudo, o Quenda, que é um miúdo, mas é um miúdo maduro. Tem quase 60 jogos na época passada com a equipa principal. Os miúdos estavam ali englobados, e o Fotis, que é internacional, o Vagiannidis, apesar de tudo, estavam ali numa bolha em que, estão rodeados de jogadores com maturidade, com algum estatuto a nível nacional e internacional, que vão ajudar nesse crescimento. E foi importante isso. Aquilo que é formação é algo que já vem de trás. Não é só agora comigo, eu também estou aqui há pouco tempo, e vou entendendo e tentando perceber da melhor maneira como é que se trabalha no dia a dia da formação. Às vezes, é difícil perceber tudo e tão rapidamente. Aos poucos vou tentando perceber. Agora, é uma formação que tem dado frutos, não podemos fugir a isso».

Nem sempre serão «Cristianos Ronaldos»

«Claro que isto não significa que de repente vão sair daqui dez 'Cristianos Ronaldos', já é certo. Agora, perceber que nem sempre vamos ter boas fornadas, ou agora temos que... E isso é um trabalho, claramente, de suporte que já vem de muito tempo, em que não estou a dar certezas. E, se calhar, todas as equipas nas suas formações, é detetar aqueles jogadores que têm essa capacidade num maior patamar e conseguir desenvolvê-los, prepará-los o mais rapidamente possível para aquilo que é a exigência da equipa principal. Também é bom a equipa B estar a competir num contexto de maior dificuldade, onde tem dado essa resposta também, para todos os crescimentos. Os 23 anos vão passando por etapas que os fazem crescer, apesar de tudo. Antigamente passava-se dos Juniores para os Seniores e a diferença era abismal. E, se calhar, morreram, entre aspas, no sentido desportivo, grandes jogadores, de certeza. Muitos, imensos, centenas deles. Porque se calhar a dificuldade, antigamente, era enorme. Era passar de Júnior, mesmo numa equipa grande, para um patamar Sénior. E a dificuldade é totalmente diferente. Hoje em dia, não. Temos os Juniores, mas, de repente, os miúdos de 17 anos já estão a jogar nos Sub-23, que, apesar de tudo, não é muito competitivo, mas já os faz dar um passo à frente. E quem conseguir valorizar-se nos Sub-23, já vai ter a exigência da equipa B, que já é totalmente daquilo que é a exigência dos Sub-23. Que os deixa mais preparados para aquilo que é a exigência de homens. Por isso, toda essa evolução do futebol, e não digo só do Sporting, acaba por valorizar os minutos. Depois é uma questão dos clubes terem a coragem ou não, nomeadamente os seus treinadores, como é lógico. E não estou com isto a dizer que sou corajoso, nada disso. Dar as oportunidades, e eles corresponderam, felizmente, corresponderam. Se não correspondessem, estaríamos a chamar todos aqui, o treinador era maluco porque tinha metido os miúdos. Mas ganhámos e os miúdos corresponderam, e temos de continuar assim.»

A gestão da «azia» pelos minutos

«A 'azia' vai haver sempre. Desde que seja sempre de uma forma positiva, não digo positiva, mas de uma forma que não seja negativa. A azia faz parte do que não se sente, não é? Não se sente, não é filho de boa gente. É normal a azia, agora tem que se transportar essa azia, aquele desconforto, aquela raiva inicial, de não poder jogar de início, para que, quando jogue, a demonstre e faça o treinador pensar coisas diferentes. Porque, se levar a azia para a parte negativa, vai entrar e não vai corresponder, e a seguir já nem entra, porque não correspondeu àquilo que era pedido. Por isso, eu tenho a sorte de ter um grupo, já disse isso várias vezes, eles reconhecem muita qualidade em todos, uns para os outros. Não há o ego de 'não, eu é que sou, eu é que sou o melhor, eu é que vou resolver, que existe em grandes clubes. Existem sempre jogadores diferenciados, não é? E acabam por, às vezes, o ego, o próprio estatuto, existirem e não se foge a isso. Às vezes é difícil para nós treinadores, com toda a certeza, não tive essa luta ainda, não é que não existam estatutos, mas são estatutos onde se reveem uns nos outros e respeitam-se muito, uns aos outros, e reveem muita qualidade em todos. E respeitam-se, acima de tudo, respeitam-se mutuamente. E isso é importante para mim como treinador. Ajuda-me muito a controlar as azias».

Relacionados

Sporting

Mais Sporting