Rui Borges: «Há muita falta de respeito, sou tudo menos mentiroso»

22 dez 2025, 12:53

Rui Borges garante: «Imagens do Santa Clara? Sou tudo menos mentiroso»

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Treinador do Sporting explicou o que estava a ver no tablet durante o tempo em que o lance do penálti sofrido por Hjulmand esteve a ser revisto no VAR e garantiu que só conseguiu ver bem o momento já no regresso de avião para Lisboa: «Disse aos jogadores que não dava para ver»

Na conferência de imprensa de antevisão ao V. Guimarães-Sporting, Rui Borges foi questionado sobre o momento da revisão do VAR no Santa Clara-Sporting, que permitiu aos leões empatar o jogo, de penálti, e forçar o prolongamento. Recorde-se que o treinador da equipa verde e branca disse, logo após a partida, que não tinha visto as repetições referido lance e explicou o que viu no tablet que estava com um dos adjuntos:

«Infelizmente vivemos numa sociedade que é triste em alguns momentos. Há muita falta de respeito para com o Sporting e para com o treinador do Sporting. Felizmente, tive uma boa educação dada pelos meus pais. Muitos valores, graças a Deus, e se calhar é por isso que hoje sou treinador do Sporting. Deixa-me triste porque sou tudo menos mentiroso. Eu não tinha visto o lance. Eu vi o lance no avião. Estou a ser o mais sincero possível.»

O que estava a ver no tablet?

«Em casa temos dois tablets. Um tem a transmissão da Sport TV e outro tem o canal aberto, que são as nossas imagens. Em ângulo aberto é difícil ver as imagens, ou é impossível. O tablet serve mais para cortes que eu peço durante o jogo, para podermos falar em momentos específicos e podermos ajustar durante o próprio jogo ou no intervalo. A imagem está lá, mas é um ângulo aberto e não se consegue analisar a imagem. Por isso é que me veem a olhar para o tablet e, como perderam tempo a procurar uma imagem à procura do treinador a olhar para o tablet, podiam perder tempo também para ver se em algum momento podiam ver que num momento o treinador disse aos jogadores que não sabia se era penálti porque não dava para ver. E um dos meus adjuntos com um telemóvel na mão a tentar abrir vídeos enviados pela comunicação do clube e nem isso conseguimos por causa da internet. Mas em momento algum eu olhei para o telemóvel nem ele conseguiu ver. Estive 12 minutos sentado à espera de uma decisão. Eu vi a imagem no avião. É tudo adivinho: disseram que estava a ver o lance, mas não viram a imagem...»

«Fico triste, porque vivemos numa sociedade que se alimenta muito, em alguns momentos, de ódio. E fico ainda mais triste porque há muita gente que tem memória curta, seletiva ou que se esquece. Vi o lance, um lance que aconteceu várias vezes noutros jogos e depois é o critério do árbitro. O meu capitão diz que há toque, vê-se o toque e depois é o critério do árbitro. Hoje não falo mais em relação ao jogo com o Santa Clara, não falo mais em relação à arbitragem. Escusam de me perguntar o que quer que seja. Às vezes há alguma falta de respeito para com o treinador do Sporting. E não é de hoje nem de agora.»

Razão para ter dois tablets em Alvalade e só um fora

«Porque a internet é lenta e não conseguimos ter a transmissão. Tirando os jogos da Liga dos Campeões, que tem a ver com a UEFA… Nos Açores, o tablet era a nossa filmagem, a nossa câmara. No Sporting [Alvalade], a imagem é por cabo, de ângulo aberto, mas é da FPF ou da Liga e, depois, temos o tablet com a Sport TV, em direto, com repetições. Em nenhum jogo fora temos os dois tablets. Se conseguimos ter os dois, não me lembro. Só temos o ângulo aberto, que é a nossa filmagem. Até se pode puxar para trás, mas a imagem é de longe, por mais que se faça zoom não veem. É impossível, a qualidade... por isso é que disse que vi a imagem no avião, à vinda para cá. Podiam ter-me visto a dizer aos suplentes que não dava para ver ou o meu adjunto a tentar ver as imagens no telemóvel, no grupo que temos da comunicação. São coisas factuais.»

«Só fico triste e falei porque, infelizmente, há muita falta de respeito. Tenho andado calado, respondo, sou sempre honesto convosco. Podia chegar aqui e debitar coisas que me dizem, mas não o faço. Sou honesto e sincero e, às vezes, pago por isso. É o que é. Vamos aprendendo e crescendo.»

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