Rui Borges: «Foi o melhor presente de Natal que podia ter tido»

26 dez 2024, 09:52

Transmontano foi apresentado como novo treinador do Sporting

Rui Borges foi, esta quinta-feira, apresentado como sucessor de João Pereira no comando do Sporting. O técnico começou por deixar «uma palavra de enorme apreço e um obrigado do tamanho do mundo» ao Vitória de Guimarães e considerou que a oportunidade de rumar a Alvalade foi «o melhor presente de Natal» que poderia ter recebido.

«Vou continuar com o meu discurso. Olho sempre para o próximo adversário de forma simples e séria independentemente de quem seja. Em relação ao presente envenenado, não faz sentido nenhum na minha cabeça. É o momento certo [para chegar ao Sporting]. O clube está em todas as frentes e estou feliz por fazer parte dessa luta. Temos ambição de acrescentar valor e troféus ao Sporting, é o que todos queremos. Foi o melhor presente de Natal que podia ter tido. Não olho para as coisas de forma negativa», referiu, em conferência de imprensa.

«Não tenho muitas palavras para descrever o que tenho sentido nos últimos dias. Dias intensos para mim e para as nossas famílias. Estou muito feliz e ansioso para trabalhar e conseguir trazer aquilo que nos trouxe até aqui, que é o trabalho, é isso que nos guia e tem permitido crescer no nosso percurso. Muito ansioso e com uma confiança enorme de ser feliz aqui no Sporting. Não tenho dúvida que o futuro vai ser risonho. Estou aqui para trabalhar. Sou pouco de falar, sou tranquilo, honesto e muito puro, dado as minhas gentes de Trás-os-Montes, que são gente de trabalho. Estou muito honrado por representar este clube», sublinhou.

Apesar da má fase do Sporting, Rui Borges rejeitou que se viva um «momento delicado» em Alvalade. Já quando foi questionado sobre o sistema tético que vai implementar, visto que em Guimarães não usava uma linha de três centrais, o novo timoneiro dos leões não levantou o véu.

«É muito subjetivo falar do sistema. Se olharem para as nossas equipas, o sistema tem muitas dinâmicas diferentes. É uma estrutura num momento inicial e depois dá aso a muitas coisas. Não deixarei de ser o Rui Borges nem deixaremos de ser a equipa técnica que temos sido», vincou.

«Se olharem para o Vitória, construímos muitas vezes a três, com um médio. O sistema é relativo, importante é fazer os jogadores acreditarem na nossa ideia de jogo. Gosto de ouvir e aprendo muito com os jogadores. Se eles não estiverem confortáveis, não vou tirar proveito deles. Preciso muito deles. Costumo dizer que dou 15 por cento ao jogo e os outros 85 são tomadas de decisão dos jogadores. É fazê-los acreditarem nos meus 15 por cento. Se acreditarem, vamos ter muito sucesso e ganhar muitos jogos para continuar a fazer crescer a história deste clube», afirmou ainda.

Rui Borges prometeu «arranjar soluções», sobretudo para o meio-campo, que conta apenas com Daniel Bragança, Morten Hjulmand e Hidemasa Morita, além dos recentes aparecimentos de João Simões e Henrique Arreiol na equipa principal.

«Se forem atrás naquilo que é a minha forma de comunicar, a minha personalidade e caráter, vão perceber que digo que sou um treinador e tenho de arranjar soluções. Não estou aqui para me lamentar que não tenho médios. Se olharem para o meu caminho em todos os clubes, não só no Vitória, vamos perdendo muita gente - ou por lesões, ou por vendas -, e nunca me ouviram queixar do que quer que seja. Não há tempo para lamentar nada. Há tempo para trabalhar e para nos agarrarmos a soluções. Há sempre soluções e adaptações para tudo. Temos de ser capazes de lidar com alguns desvios no nosso trajeto para continuarmos a ser bastante competentes, competitivos e a ganhar muito. É isso que queremos todos», atirou.

O novo timoneiro do campeão nacional vai ter um duro teste logo na estreia, com o Benfica, no próximo domingo. «Estou muito tranquilo em relação a isso. Olho para as coisas de forma positiva. Podia andar aqui a enrolar um dia ou dois e o presidente contratava-me só a seguir ao dérbi, mas a seguir ao dérbi tinha outro jogo difícil, que é o Vitória. É três dias e é o que é. Focar-me em pequenas coisas que acho importante para estarmos o mais preparados possível.»

Depois do dérbi em Alvalade, seguem-se jogos com V. Guimarães e FC Porto, um cenário que Rui Borges desvalorizou.

«Foco-me apenas no Benfica, é o próximo. Nos outros não vale a pena pensar. Quem pensar muito à frente, não vai estar focado no imediato, no que é importante. O importante é focar nestes três dias, tentar ao máximo em passar algumas ideias aos jogadores, conseguir fazê-los acreditar e entender as ideias. Passar pouca informação, mas certa. Se passarmos demasiada informação, nesta fase, nada fica. É focar muito nisso, no imediato. E o imediato é o Benfica. É isso que me guia, para já», finalizou.

Relacionados

Sporting

Mais Sporting