Sporting-Boavista, 3-2 (reportagem)
João Pereira, treinador do Sporting, em conferência de imprensa, depois da vitória sobre o Boavista (3-2), no Estádio de Alvalade, em jogo da 14.ª jornada da Liga:
Muitas oportunidades desperdiçadas, facilidades na defesa, não acha que a equipa está instável?
«Não, nada instável. Domínio completo e absoluto do jogo. Perder bolas faz parte do jogo, não há uma equipa que não perca a bola. Depois é ver como reagimos à perda. Alguns erros, sim, mas é preciso melhorar. Ao início era porque não jogávamos bem, depois porque não criávamos oportunidades, agora é porque perdemos a bola... Estou muito feliz com a evolução da equipa, estiveram ao nível dos jogadores do Sporting».
Esta semana falou-se na possível chegada de um novo treinador e falou-se nos nomes de Abel Ferreira e Sérgio Conceição. São notícias que o incomodam?
«Nada incomodado. É normal falarem. Quando uma equipa que ganhava e deixa de ganhar, é normal haver contestação e crítica, mas eu e os jogadores temos de continuar focados no nosso trabalho».
Em três jogos, o Sporting sofreu cinco golos. Disse que não sentiu instabilidade, mas os adeptos pareceram intranquilos…
«Não notei intranquilidade dos adeptos, notei um apoio do primeiro ao último minuto. Juntos, isto torna-se muito mais fácil. Havia gente que estava à espera de outra coisa, mas isso não aconteceu. Quantas vezes o Boavista atacou? Criou duas ocasiões em 90 minutos, fez golo nas duas. Acontece. Não pode acontecer. Fomos uma equipa dominadora, não podemos sofrer golos nessas duas oportunidades. Vamos melhorar, é o próximo passo».
Esteve sempre muito irrequieto no banco, queria que os jogadores não quebrassem o ritmo como aconteceu depois dos golos?
«Desculpe, mas não concordo com a quebra de ritmo. Depois do primeiro golo, tivemos pelo menos mais duas ou três oportunidades de aumentar o marcador. Mas claro que, quando estamos em vantagem, tem de haver um maior controlo para o jogo não quebrar. Sabemos que estas equipas querem explorar a transição e é quando perdemos a bola que podem criar oportunidade. Disse aos jogadores que hoje que o jogo tinha de ser mais por fora do que dentro, e na primeira parte fizemos isso muito bem. Empolgámos os adeptos. Infelizmente aconteceu uma perda de bola que deu golo. Temos de melhorar isso».
Permitir duas vezes o empate não é falta de consistência da equipa?
«Não, não há falta de consistência. Temos cometido alguns erros, sim, mas antes o adversário chegava ao empate e até conseguia a vitória. E hoje voltámos a estar na frente do marcador. Mais um passo que a equipa deu. Coisas que não tinham acontecido e agora aconteceram. Passo a passo, jogo a jogo, trabalhando arduamente vamos ganhando confiança».
Disse que o Sporting hoje jogou mais por fora do que por dento. É para continuar?
«Isso depende sempre da tática que o adversário usa contra nós. Se calhar, se jogassem com uma linha de cinco, teria de ser de outra maneria, mas achamos que era este o espaço que tínhamos de explorar e os jogadores perceberam perfeitamente o que tinham de fazer.
Hoje geriu o Diomande, mas o Quaresma saiu com queixas...
«Eu quando perdia não gostava de falar dos jogadores que estão de fora. Soa sempre a desculpa. Hoje estou mais contente, os jogadores também, os adeptos inclusive. Mas a verdade é que temos muitos lesionados, temos de gerir muitos deles e muitos que continuam a fazer muitos minutos. Tenho de lhes tirar o chapéu. As pessoas esquecem-se de algumas coisas importantes. Podemos dizer que hoje tivemos novamente dois miúdos de dezassete anos a jogar, o Morten, o Viktor, que jogaram nas seleções. Continuam a fazer tudo para dar a volta ao ciclo em que nos encontrávamos».
Geovany Quenda jogou hoje sobre a esquerda onde já tinha experimentado o Edwards e o Daniel Bragança. Satisfeito com a resposta?
«Conheço bem o Quenda, esteve muito tempo comigo nos Sub-23 e a posição dele era a do Trincão. Sei que tem características para jogar do lado direito, experimentamos no lado esquerdo. Falta-lhe um pouco de golo, mas ainda é um jovem e está a corresponder àquilo que lhe tínhamos pedido».