Viktor Implacável Gyökeres e uma noite dourada no Bessa
A FIGURA: Gyökeres de ouro
Agradeço novos adjetivos, creio que os esgotei nestas duas épocas. Se ver Gyökeres pela televisão é impressionante, as palavras esgotam-se quando assistimos a uma noite inspirada do sueco. A recuar para recuperar a posse, a construir, a deambular para as laterais e a banalizar os adversários no um para um. O antídoto continua por descobrir.
Quatro golos na visita ao Boavista – e até poderiam ser mais, não fosse a experiência de Vaclík – e o mérito deve ser partilhado com os colegas, geralmente de mira afinada. Diria que Gyökeres é a famosa “estrelinha” de campeão. Precisa de pouco para marcar e é uma questão de tempo até afundar os adversários em frustrações.
O mais certo é os adeptos do Sporting terem somente quatro jogos para aproveitarem o brilho deste sueco, talhado para a elite.
O MOMENTO: goleada previsível, 6 minutos
O golo inaugural, assinado por Gyökeres ao primeiro poste, permitiu adivinhar uma noite tranquila para os leões. Até porque o Boavista nunca se encontrou, permanecendo desorganizado e errático na construção. Num serão terrível para os axadrezados, Gyökeres e companhia aproveitaram para se divertirem, variando as alas e capitalizando as clareiras a meio-campo.
Assim se define o fosso entre o líder e o lanterna vermelho. Quando se esperava um Boavista coeso e preparado para resistir, a “Pantera” surgiu apática. Em contraponto, o leão não se cansou de cravar dentes e unhas.
Consulte a crónica desta partida.
Outros destaques.
Trincão: a primeira oportunidade de golo, duas assistências e inúmeros passes decisivos para desnortear o setor recuado do Boavista. De área a área, enjoou os axadrezados – tal a intensidade do perfume – e animou as hostes dos leões. De sorriso rasgado, deixa o Bessa na certeza de que continua a encher o olho de pretendentes. E com 14 assistências na Liga – o máximo nesta edição da prova.
Pote: faltou acerto no momento de rematar. Em todo o caso, revelou-se importante na transição, ora pelo meio, ora pelo corredor esquerdo. De 45 em 45 minutos, vai reencontrando a melhor versão. E apoio não falta.
Maxi Araújo: oportuno e silencioso, edificou o primeiro golo e aproveitou a apatia boavisteira para aplicar o 0-4. Sempre presente nas transições, combinou com Pote, Geny Catamo, Trincão e Gyökeres, também o uruguaio incansável no trabalho defensivo.
Geny Catamo e Quenda: ao seu estilo, sabem quando acelerar para forçar faltas, ou momentos de levantar a bancada. Foram motores – sobretudo na segunda parte – para confirmar a goleada.
Eduardo Quaresma, Diomande, Inácio e Rui Silva: uma noite muito tranquila, quase sem história.
Vaclík: o menos culpado pela goleada sofrida. Impediu mais golos de Gyökeres e a felicidade de Trincão. De pouco vale a experiência quando se sobrevive a solo, sempre exposto.