Num piscar de olhos
A Champions não espera por ninguém.
Sobretudo esta nova Champions, como se viu no ano passado, não permite atrasos: ou se aproveita todos os momentos, ou não vale a pena correr atrás do tempo perdido.
O Sporting demorou a perceber isso, mas, vá lá, ainda chegou a horas.
No fim de contas, o 4-1 diz-nos precisamente isso mesmo. Mas atenção, não conta a história toda: o Sporting demorou uma eternidade a perceber o que queria e onde estava. Foi preciso transformar João Virgínia num herói, para então sim, arrancar uma vitória segura.
É claro que, com um pouco mais de sorte (ou de concentração, porque quem inventou que a sorte se procura não estava de todo errado) tudo podia ter sido diferente. Bastava, por exemplo, que Hjulmand não tivesse sido tão displicente a bater aquele penálti.
Teve estilo, é certo, esteticamente foi perfeito, mas falhou no essencial.
Kairat era só um convidado?
Aquele penálti de Hjulmand o parece ter sido, de resto, o reflexo da exibição leonina. No fundo o Sporting olhava para o Kairat como uma espécie de convidado desta Liga dos Campeões. Um hóspede que estava de passagem. Afinal de contas, os cazaques fizeram esta noite a estreia na fase de liga da Champions.
Já o Sporting não, o Sporting é residente.
Anda por cá há algum tempo e já bateu o pé a grandes equipas. Por isso, e perante o domínio enorme sobre o jogo, e sobre o adversário, ganhou alguma altivez. Acho que era uma questão de tempo. E isso, como já se disse, numa Liga dos Campeões é muito perigoso.
Foi preciso esperar mais de 40 minutos pelo primeiro golo e foi preciso esperar mais de uma hora para sossegar os espíritos mais inquietos.
O golaço de Trincão levou a equipa a vencer para o intervalo, antes de três golos em três minutos encerrarem a pertinência de qualquer discussão. Este triunfo era do Sporting.
Pelo meio, porém, a coisa ainda tremeu.
Um piscar de olhos que recuperou o tempo perdido
O Kairat voltou atrevido dos balneários, entrou duas ou três vezes com perigo na área leonina e obrigou Virgínia a brilhar perante um remate, que mais parecia um penálti, de Jorginho.
Foi então que num piscar de olhos, o Sporting recuperou todo o tempo perdido. Fez três golos em três minutos, primeiro por Trincão, depois por Alisson (que estreia!) e finalmente num momento de tremenda inspiração de Geovany Quenda. Três minutos demolidores.
O Kairat ainda reduziu, naquele golo de honra muito festejado, mas não deu para mais do que isso. Foi uma equipa que, coitada, veio do Cazaquistão com vontade, mas saiu de Lisboa com saudade dos tempos do Arshavin. Vergada a uma pesada derrota.
Já o Sporting, como fez em três das últimas quatro estreias na Liga dos Campeões, venceu, somou golos que podem ser preciosos lá mais na frente e percebeu como é importante não se atrasar. Esta Champions não permite atrasos e o campeão chegou num piscar de olhos.