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Varandas e o caso Matheus Reis: «É o ruído do desespero»

28 mai 2025, 20:06
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Presidente do Sporting revela que falou com o jogador e «é impossível alguém dizer que houve intenção»

Frederico Varandas reagiu, esta quarta-feira, ao caso de Matheus Reis. O presidente do Sporting defendeu o jogador brasileiro e garantiu que «é impossível alguém dizer que houve intenção» no momento do pisão sobre Andrea Belotti, na final da Taça de Portugal.

«Rui Costa? Foi tranquilo, cumprimentei-o. Tenho uma forma de analisar muito fria. Não levo para o campo pessoal. Acho que isto é uma estratégia consciente do nosso rival. Tem uma intenção de um discurso interno, tendo em consideração todo o calendário eleitoral que aí vem. Não ligo nem fico ofendido», começou por dizer o líder leonino, à margem da Cimeira de Presidentes.

«Um dos pontos altos desta estratégia é o ruído completamente desproporcionado que está a haver sobre este caso do Matheus Reis. Eu vi o jogo e não me apercebi de nada durante o jogo. Depois, comecei a ouvir todo o ruído sobre o lance do Matheus Reis e de pontapear a cabeça do jogador. E fui ver o lance. É engraçado que o que hoje se analisa é um frame onde se vê um pé a espezinhar a cabeça de um jogador. Tenho sempre o cuidado de analisar os lances em velocidade corrida. É impossível alguém dizer que houve intenção de pisar a cabeça do jogador. Vejo um adversário deitado no chão e o jogador, sem olhar para onde ele está, põe o pé em cima da cabeça. Foi com intenção ou não? Não sei. Mas ninguém consegue dizer se houve intenção. Posteriormente, perguntei ao meu jogador se houve intenção e ele disse-me que não», afirmou ainda.

«Sobre os frames: o primeiro golo do Benfica… há um lance do Geny e no frame parece que o Dahl dá-lhe um soco. Na verdade, vendo o lance corrido, não há falta rigorosamente nenhuma. Mas, se mostrar aquele frame, garanto que vão dizer que há uma agressão e que o golo deveria ser anulado», prosseguiu, acrescentando que esta atitude reflete o «desespero» encarnado.

«No ano passado, num jogo decisivo para o campeonato entre Sporting e Benfica, vi Di María a agredir o Pote com um murro na cara e não vi indignação de ninguém. E já tive vários jogadores agredidos em clássicos. Parece que é preciso o estado-maior reunir-se para percebermos o que fazer com este caso. É o ruído do desespero, provavelmente. Tem de haver bom-senso», completou.

Varandas também deixou críticas a César Boaventura pela queixa apresentada contra Matheus Reis. «Houve um senhor que fez uma denúncia à Procuradoria-Geral da República. Esta é a cereja no topo do bolo. Quem é o senhor César Boaventura? É um agente de futebol que acabou de ser condenado por corrupção desportiva, por corromper adversários do Benfica para perderem jogos com o Benfica.»

O presidente do Sporting desvalorizou ainda as palavras proferidas pelos jogadores nos festejos da conquista da Taça, que considerou fruto do «ânimo» do momento.

«Confio no meu jogador, que me disse que não quis agredir o atleta. Alguém consegue dizer que o Matheus agrediu propositadamente? O árbitro não viu assim, o VAR não viu assim, eu também não. Admito que poderia ter agredido, mas ele diz-me que não e acredito nele», salientou.

Frederico Varandas apontou também o dedo a Benfica e FC Porto, antes de referir que o Sporting domina o futebol português dentro das quatro linhas.

«Isto vem dos últimos 40 anos. O futebol português tem sempre de ter um dono. Nos últimos 40 anos, teve sempre dois donos: FC Porto e Benfica. Alternaram com os casos do Apito Dourado e dos E-mails. Estou surpreendido porque, para mim, agora não há dono nenhum. Existem órgãos que não se deixam condicionar, que não têm medo e são independentes. Isso leva a que o erro de arbitragem – que vai sempre existir – se for numa competição íntegra, vai ter de ser distribuído de forma uniforme. Antigamente, esse erro prejudicava o Sporting. Agora, já não é assim. (…) Havia dono e o Sporting luta para que não haja dono. Dominamos o futebol português dentro de campo. Fico muito contente quando vejo os nossos rivais a dizerem estas coisas e espero que acreditem nelas. Ainda não perceberam por que é que o Sporting está a vencer e isso dá-me vantagem competitiva para continuar a vencer», rematou.

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