Taça: Sporting-FC Porto, 1-0 (crónica)

Sérgio Pereira , no Estádio de Alvalade, em Lisboa
3 mar, 23:31

Neste clássico ninguém pede esmola

Sporting e FC Porto tiraram a mão do queixo, deixaram de pensar no que podia ter sido e agarraram-se ao que tinha mesmo de ser. No fundo arregaçaram as mangas, porque um clássico é sempre um clássico e neste jogo ninguém pede esmola.

Para quem via de fora, não era o melhor dos espetáculos, é certo.

Não era, seguramente, uma obra que um dia vamos querer relatar aos nossos netos. Mas pelo menos prendia-nos, colados àquela incerteza de que pode acontecer mais qualquer coisa.

Não aconteceu muito mais do que um penálti, que atirou Luis Suárez para a marca dos onze metros, a partir de onde fez o único golo do jogo.

Muito pouco? Sim, sem dúvida, muito, muito pouco. Mas, lá está, este clássico não foi uma obra de arte. Foi mais uma jornada de trabalho no duro, das nove às cinco da tarde, em exercícios repetitivos com pausa para almoço.

Porquê é que não foi uma obra de arte? Bem, é difícil ter certezas.

Mas vale a pena lembrar que o clássico começou às 20.45 horas de uma terça-feira. Quando acabou, eram praticamente onze da noite, que é uma hora em que é quase amanhã.

O Sporting, por outro lado, fez o jogo 40 da época, e o FC Porto também anda perto disso. São muitos jogos, muitas viagens, muitas concentrações para se conseguir ter inspiração já tarde na noite, de uma terça-feira fria de inverno.

Enfim, há várias razões para justificar aquela falta de génio: aquelas bolas perdidas, de um lado e de outro, em mudanças de posse sucessivas, após passes mal medidos, domínios mal conseguidos ou fintas mal executadas.

A primeira parte, sobretudo ela, foi talvez do pior que se viu em jogos grandes nos últimos tempos. Um cinzentismo confrangedor, com muitas paragens de jogo, muita luta inconsequente, muito tempo desperdiçado. Tanto que o árbitro deu dez minutos de descontos.

Um remate cruzado de William Gomes a rasar o poste, um tiraço de Fresneda a centímetros da baliza e uma finalização de Geny Catamo por cima da trave foi o melhor que se viu.

Os números ao intervalo eram esclarecedores, aliás.

A segunda parte animou um bocadinho, sobretudo depois de Alan Varela atirar do meio da rua ao poste. O FC Porto teve o melhor período depois disso, até que Fresneda também acertou no ferro do outro lado, antes de Hjulmand sofrer falta dentro da área de Fofana. Penálti que Luis Suárez concretizou, para dar início a meia hora bem mais animada.

Não houve mais golos, mas o resultado também não deixa ninguém verdadeiramente deprimido.

O Sporting ganhou o clássico, o que é uma novidade esta época, e vai ao Dragão na frente da eliminatória. Já o FC Porto tem tudo em aberto, após um jogo em que deixou seis titulares fora do onze, antes de perder Bednarek e Alberto Costa por lesão. O que obrigou Farioli a reorganizar a equipa, com Pablo Rosário à direita e Alan Varela no centro da defesa.

Sair vivo, e assim tão vivo, num clássico destes, não é propriamente uma má notícia para os líderes do campeonato, que podem corrigir a desvantagem em casa, lá para abril.

Faltou, lá está, mais espetáculo. Faltou, no fundo, mais futebol ao jogo. Mas teve luta, muito trabalho e uma enorme capacidade de sofrimento. Não é muito, mas já é alguma coisa, e neste clássico ninguém vive de esmolas.

Amanhã é outro dia e talvez até seja domingo.

 

 

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