O MAISFUTEBOL na Arábia Saudita com Daniel Podence
O MAISFUTEBOL viajou até Riade, a convite da Liga Saudita, para encontrar um Daniel Podence que mostrou não ter duas caras, nem querer sem ser politicamente correto.
O avançado do Al Shabab, treinado por Vítor Pereira, coloca o coração em tudo o que diz e garante, por exemplo, que trocar o Sporitng pelo Olympiakos foi uma boa decisão.
Nesta entrevista ao MAISFUTEBOL e A Bola, Podence adiantou que não tem nenhuma mágoa com o Sporting e que continua a gostar do clube, mas não pensa voltar a Portugal.
Saiu de forma agitada de Portugal, regressar agora foi logo colocado fora de questão? Tem medo de voltar?
Sinto que Portugal não é o sítio ideal para se crescer e para se continuar uma carreira futebolística. Por várias razões. Tudo bem que não saí da melhor forma de Portugal, mas acima de tudo há muito ruído. Um ruído que não existe em Inglaterra, e mesmo na Grécia, para os jogadores estrangeiros. Eu, pelo menos, não o senti. Estava sempre um bocado à margem disso. Uma das razões é essa: é sempre tudo muito polémico em Portugal. A outra razão é que me sinto melhor no estrangeiro. Não sei se tenho uma vida mais descansada, se é por causa da adaptação, porque adaptei-me sempre bem aos países onde estive, mas a verdade é que nunca senti a a necessidade de voltar a Portugal. O futebol, tanto na Liga Inglesa como na Grécia, é semelhante ou superior ao de Portugal, e a nível familiar adaptei-me super bem.
Arrepende-se da forma como saiu de Portugal? Se fosse hoje faria diferente?
Não sei. Foi uma situação muito específica, não consigo dizer o que faria no dia de hoje. O que sei, sim, é que a decisão que tomei foi difícil, mas muito acertada.
Porquê?
Porque fui para um clube que me abriu as portas para coisas que eu nunca esperaria. E, lá está, não me arrependo de nada. Pelo contrário, se fosse hoje sairia outra vez para o Olympiakos, porque fui muito feliz, consegui depois ir para o melhor campeonato do mundo [Liga Inglesa] e para um Wolverhampton que é um clube incrível, onde tive muito bons três ou quatro anos. Por isso acho que hoje faria o mesmo. Apesar de que me doeu muito ter saído assim do Sporting, claro.
Quando saiu agora do Olympiakos deixou uma mensagem aos adeptos, referindo que eram os melhores do mundo. Admite que isso possa custar a um adepto do Sporting?
Admito que que possa doer, seja aos do Sporting, seja aos do Wolverhampton. Mas eu quero acima de tudo enaltecer os adeptos do Olympiakos, porque foram um clube e uns adeptos que me apoiaram durante todo o tempo. Foram três anos em que eu ganhei, em que eu perdi e sempre, sempre, sempre senti o apoio. Por isso quero enaltecê-los. Até ao fim fizeram muita força para que eu voltasse, a minha família sentiu esse carinho e acho que esse carinho nunca foi sentido em outro lado da mesma forma. Seria injusto para os adeptos do Olympiakos não serem tratados da forma que merecem.,
Diz que se nasce de um clube e depois se é desse até morrer. Afinal não é verdade.
Acho que não. Acredito que essa máxima é mentira. Depois de muito tempo num clube a ser tratado da forma como nunca se foi tratado antes, é difícil não se sentir. Para além disso, a Grécia e Portugal são coisas diferentes. Eu posso ser do Sporting, que sou em Portugal, e ser do Olympiakos na Grécia. Acho que, mudar de clube, não implica que não se possa ter dois clubes, se forem de países diferentes. Dizer que sou de dois clubes no mesmo país, isso, sim, acho que é muito difícil.