Escoceses que deixam saudades de um sueco
Não é que daqui se tirem grandes ilações sobre o que será ou não a época do bicampeão Sporting. Arriscar fazê-lo, numa fase tão prematura, seria um exercício de pura especulação.
Por isso, vejamos o jogo de hoje – o primeiro dos leões à “porta aberta” e que terminou com uma derrota por 2-0 frente ao Celtic – só aos olhos do que foi: um encontro de pré-época, típico desta fase. Com os seus momentos satisfatórios, mas também com períodos de desconcentração.
Faz parte. Os jogos de preparação servem para isso mesmo: para testar, para corrigir, para tirar dúvidas.
Verdade seja dita – no 11 inicial, Rui Borges não arriscou por aí além. Aliás, não colocou nenhum reforço (Kochorashvili e Alisson ficaram no banco). A grande novidade foi mesmo a titularidade de Rodrigo Ribeiro no centro do ataque, a fazer de Gyokeres (que foi alvo de recados, por parte das bancadas, com uma tarja em que se lia que «ninguém está acima do clube»).
Outra das novidades foi o facto de o Sporting se ter apresentado num 4-2-3-1 que, por vezes, também pareceu um 4-3-3. Uma coisa é certa: os três centrais parecem ser mesmo para abandonar de vez.
Os leões não entraram especialmente bem, culpa de um Celtic que começou mais aguerrido e perigoso. Logo ao minuto 5, Maeda – que passou pelo Marítimo – cruzou para Idah, mas o ponta de lança dos escoceses não foi “matador” e atirou para as mãos de Rui Silva.
O Sporting equilibrou a partir do minuto 10/15, muito às custas de João Simões e de Catamo – se bem que este último, apesar de ter estado em evidência, pecou na última decisão.
Aos 31m, o moçambicano ficou perto do golo, com um remate de pé direito (o seu pior) que obrigou Kasper Schmeichel a uma defesa apertada. Pouco depois, foi Rodrigo Ribeiro a ficar a centímetros de marcar, após cruzamento de Geny.
O jogo foi para intervalo empatado e com a perspetiva de que o segundo tempo traria mudanças nas peças em campo. Rui Borges acabou por alterar apenas o ponta de lança, entrando Harder para o lugar de Rodrigo Ribeiro e o guarda-redes com Israel a render Rui Silva.
Mas a verdade é que a segunda parte do Sporting não foi bem conseguida. Os leões entraram mal e sofreram um golo logo ao minuto 47. St. Juste rasteirou Kenny dentro da área e fez penálti.
Chamado a converter, o japonês Hatate não falhou, apesar de Israel ainda ter tocado na bola.
As boas combinações que se ainda se viram no primeiro tempo no ataque leonino, desapareceram por completo no segundo. Harder era o mais inconformado e podia ter empatado aos 58m, mas o remate bateu com estrondo no poste.
Kochorashvili, um dos poucos reforços conhecidos, para já, no Sporting, ainda foi a jogo, para o lugar do capitão Hjulmand, e não entrou mal: o georgiano mostrou qualidade de passe, um bom posicionamento, mas acabou por manchar a exibição com aquele lance ao minuto 71.
Kochorashvili perdeu uma bola, permitiu um contra-ataque rápido que culminou com o segundo golo do Celtic, apontado por McCowan.
Daí para a frente, o Sporting ainda procurou o golo de honra, mas sem grande eficácia. A verdade é que, por agora, as perspetivas não são boas: este foi o quinto jogo de pré-época e os leões têm duas vitórias, dois empates e uma derrota.
Serão tudo saudades de um certo sueco?
A FIGURA: Hatate
O japonês fez dupla com o capitão McGregor no centro do terreno do Celtic e foi um dos melhores no lado escocês. A boa exibição do internacional nipónico acabaria por ser culminada com o primeiro golo do Celtic logo no início da segunda parte. Não tremeu perante Franco Israel e marcou de penálti.
O MOMENTO: Harder ao poste (58m)
Talvez tudo tivesse sido diferente se aquele remate de Conrad Harder, ao minuto 58, não tivesse batido no poste. O Sporting estava a perder por um golo, tentava o empate e ele ficou a centímetros de acontecer. Verdade seja dita: o remate de Harder foi mesmo o melhorzinho que os leões conseguiram ao longo de toda a segunda parte. Não marcou o Sporting, acabaria por o Celtic dilatar a vantagem.
POSITIVO: Kochorashvili
Deixou boas indicações o georgiano que o Sporting foi contratar ao Levante e que é, por agora, o reforço mais sonante dos leões. Entrou na segunda parte para o lugar do capitão Hjulmand e mostrou argumentos: tem bom passe e um entendimento do jogo que se nota à distância. Só não foi a estreia perfeita porque o segundo golo do Celtic surge de um lance em que Kochorashvili… perde uma bola.
NEGATIVO: A segunda parte do Sporting
O tempo é de pré-época e, por isso, a segunda parte do Sporting ainda pode ser, de certa forma, desculpada por isso. Mas uma coisa é certa: quando for a doer, os leões não se podem desligar do jogo da forma que aconteceu hoje, no Estádio Algarve.