O Sporting de Rui Borges não é o Benfica de Bruno Lage. Na Champions isso faz toda a diferença

18 set 2025, 21:52
Liga dos Campeões: Sporting-Kairat (RODRIGO ANTUNES/LUSA)
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Goleada por 4-1 mascara um jogo que a dada altura foi mais complicado do que se previa. Entrada positiva dos leões na Liga dos Campeões, com Trincão a espalhar magia

É daqueles jogos em que parece que podemos estar ali o dia todo e a bola não vai entrar. Como se tivesse um feitiço. A dada altura, mesmo que esse enguiço tenha sido desfeito ainda antes do intervalo, o jogo do Sporting com o Kairat Almaty ameaçou tornar-se nisso mesmo.

Os leões apresentavam-se algo erráticos, com perdas de bola complicadas de perceber. Pelo meio iam surgindo oportunidades quase naturais, já que a diferença das equipas ficou mais do que patente logo de início.

Só que Pedro Gonçalves falhou um golo feito, Luis Suárez atirou ao poste e… o imperturbável Morten Hjulmand falhou um penálti numa abordagem que não deixou de ser displicente, já que a bola foi a passo para a baliza, o que permitiu ao improvável Sherkhan Kalmurza defender a bola.

Faça-se um parênteses para falar daquele improvável. Porque era mesmo. Este jovem de 18 anos não era para estar aqui e o próprio tem de o admitir. Não só era quase irreal que o Kairat Almaty chegasse a esta fase da Liga dos Campeões, como Sherkhan Kalmurza é não o primeiro, não o segundo, mas o terceiro guarda-redes da equipa cazaque.

E se com um se tira, com o outro se dá. O rapazito vindo de Almaty, lá nos confins do mundo - esta cidade fica perto da China -, não foi capaz de ter a melhor das reações a uma raquetada bem aplicada por Francisco Trincão quando já pairava alguma incerteza em Alvalade. Daquela incerteza que falámos, e que deixa no ar a ideia de que não vai dar.

Mas deu, porque o extremo português voltou a estar em dia sim, deslizando o pé com uma classe que dificilmente se encontra na Liga portuguesa. Voltaria a fazer o mesmo já na segunda parte, abrindo espaço definitivo à tranquilidade, que acabou por resultar numa goleada que em momentos pareceu difícil de imaginar.

É que antes desse 2-0, e muito antes do 3-0 de Alisson ou do 4-0 de Quenda - que golo este, diga-se -, o Kairat Almaty ameaçou com alguma seriedade a baliza de João Virgínia.

E façamos nova pausa, que este já era para ser o jogo dos guarda-redes improváveis. Não é tão espetacular como a história de Sherkhan Kalmurza, mas certamente que João Virgínia também não pensaria entrar em campo esta quinta-feira, já que Rui Siva é dono e senhor da baliza verde e branca. Nadam temam, terá dito interiormente o guarda-redes que chegou neste mercado a custo zero, para depois dizer o mesmo em gestos e para todos verem.

Esse momento de maior tensão para o Sporting foi o que definiu tudo. Os leões ameaçaram ter um jogo daqueles que se complicam como se complicou para o Benfica a receção ao Qarabag. A sorte e o engenho trataram de fazer com que a história não se repetisse. A sorte de o Kairat Almaty ainda não estar ao nível do Qarabag e o engenho de o Sporting ser, por estes dias, mais equipa que o Benfica.

O golo final acabou por até dar algum colorido e justiça ao marcador. O Sporting goleia, o Kairat Almaty marca na estreia nesta competição e assim vão todos contentes. Segue jogo na Champions, mas agora a sério, que o próximo adversário é o Nápoles, em Itália.

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