CRÓNICA || Dia de regressos em Alvalade, onde os adeptos puderam voltar a ver de verde e branco quem há muito não vestia a camisola
Há dias assim. Daqueles em que não dá bem para jogar um futebol perfumado, mas tem de se ganhar na mesma. Foi o que aconteceu ao Sporting, que não teve frente ao Casa Pia a mesma arte que tem mostrado ao longo de quase todo o campeonato, ainda que tenha avançado para uma exibição segura.
Depois chocante empate em Barcelos que deixou a equipa a sete pontos do campeonato e da eliminação nas meias-finais da Taça da Liga, uma equipa com vários remendos deixava alguns avisos no regresso ao campeonato.
Sem poder contar com nove jogadores - Morten Hjulmand e Maxi Araújo castigados, Nuno Santos, Geovany Quenda, Eduardo Quaresma, Fotis Ioannidis, Pedro Gonçalves, Ousmane Diomande e Salvador Blopa lesionados -, Rui Borges não viu grande alternativa a lançar para o onze o recém-chegado Luís Guilherme.
Mas foi outro regressado, um homem vindo de uma fantástica CAN, a desbloquear tudo.
Depois de comandar a surpreendente seleção de Moçambique rumo a uns inéditos oitavos de final da taça africana, Geny Catamo regressou a Lisboa para manter a rota de decisor.
Nem sempre esclarecido, nem sempre o mais tecnicista, o ala do Sporting é quase sempre imprevisível, o que faz dele um autêntico abre-latas, até porque tem uma relação muito particular com a baliza.
Foi assim ao minuto 38, com um remate que ainda contou com um desvio decisivo num defesa do Casa Pia para acabar na baliza. Até então pouco tinha feito o Sporting, que parecia com alguma dificuldade em encontrar a forma de chegar à baliza adversária.
Desfeito o nó, um passe magistral de Gonçalo Inácio acabou por abrir espaço para o atar, agora de vez, com Geny Catamo a aproveitar o lançamento para fazer o segundo golo em cinco minutos.
Depois de uma meia hora inicial de dificuldade, o Sporting acabou por resolver depressa e com tranquilidade o que ameaçava tornar-se chato na segunda parte.
E esses segundos 45 minutos serviram para regressos, mais regressos e mais bênçãos para os regressados. Foi o caso de Daniel Bragança, que entrou para assumir a partir dali a braçadeira de capitão, mas, sobretudo, para marcar o 3-0 aos 79 minutos.
Impossível não ver este como um momento especial para um jogador tão castigado por lesões, e que estava parado desde fevereiro de 2025 - lesionou-se ao dia 15 desse mês no joelho. Há quase um ano, portanto. Regressou, e regressou bem.
Ele e Zeno Debast, que não estava parado há tanto tempo, mas que ninguém esperava que estivesse tanto tempo parado. Tal como Daniel Bragança, também o belga foi sobejamente aplaudido, num estádio claramente ansioso para ter todo o plantel disponível, o que parece agora ser mais possível.
Numa época em que a nota artística de Francisco Trincão, a classe de Luis Suárez e a raça de Maxi Araújo têm sido claros destaques, foi um Sporting de outros tempos, assim com jogadores da segunda linha - Geny Catamo e Daniel Bragança, lá está - a aparecer para dar a vitória a Rui Borges.
Sem brilho, mas com segurança que baste, o Sporting bateu o Casa Pia e entrou na segunda volta a dizer presente, olhando com saliva para a complicada deslocação que o FC Porto tem a Guimarães no domingo.
