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Sporting-Benfica ou como um jogo de 2-2 acabou 0-4

19 abr, 20:20
Sporting-Benfica (Miguel A. Lopes/LUSA)

CRÓNICA || Que emoção em Alvalade: dois penáltis e dois golos nos descontos, ambos com sentimentos diferentes para os mesmos lados. O Benfica marcou a grande penalidade e o seu golo contou, o Sporting falhou e viu um fora de jogo anular o sonho

Num jogo em que ambas as equipas tinham mesmo de ganhar para pensarem nos seus objetivos máximos, só uma apareceu a querer fazê-lo sempre, sempre, mas o futebol tem destas coisas e houve quatro momentos definidores de um jogo e, muito provavelmente, de um campeonato. Mesmo que com pouca clarividência em grande parte do jogo, só o Sporting mostrou durante todos os 90 minutos do dérbi deste domingo que queria mesmo ganhar, só que o futebol é futebol, é um jogo, e isso significa aleatoriedade. Há necessidade de falar sobre o que se passou após o golo que deu o empate aos leões, mas já lá vamos.

O Sporting tinha mesmo de o fazer, de tentar ganhar, claro, se queria continuar a pensar no título, e foi com esse intuito que entrou, numa exibição a alta roda que foi totalmente atropelada por dois momentos decisivos em cada uma das áreas.

Primeiro na do Benfica, onde João Pinheiro assinalou penálti depois de ter sido chamado pelo árbitro para rever o pisão de Fredrik Aursnes sobre Francisco Trincão. Penálti assinalado e festa em Alvalade, mas que um Luis Suárez desinspirado e um Anatoliy Trubin certeiro trataram de desfazer.

Pénalti falhado, portanto, e tudo igual no marcador, ainda com o Sporting por cima. Só que depois, numa das raras vezes em que o Benfica conseguiu chegar à frente - e já depois de uma grande oportunidade em que Nicolás Otamendi obrigou Rui Silva a grande defesa -, uma mão de Hidemasa Morita fora do lugar acabou por resultar em nova grande penalidade.

Quis a história que Andreas Schjelderup não imitasse o colega de profissão, atirando seco para o meio da baliza e para o empate na partida. Perante um Benfica defensivo que ainda não tinha perdido na Liga até chegar aqui, o Sporting sentiu claramente o golo, não voltando a carregar com o mesmo engenho que tinha até então.

Do outro lado, o Benfica, que já não ia mostrando grande vontade de atacar, remeteu-se a uma defesa ainda mais acérrima, tentando mostrar porque é que Franjo Ivanovic, que quase nunca contou para José Mourinho, desta vez foi titular. É que o sérvio é muito melhor na profundidade, já para não falar da péssima fase de Vangelis Pavlidis em frente à baliza.

Com tempo para pensar ao intervalo, Rui Borges revitalizou a equipa e as suas dinâmicas, com um Sporting ainda mais dominador, mas nem sempre capaz de encontrar os caminhos necessários. Fê-lo logo a abrir o segundo tempo, com Pedro Gonçalves a acertar no poste, mas foi por volta dos 70 minutos que Hidemasa Morita se redimiu da mão na sua própria área para fazer um raro mas importante golo de cabeça, lançando a euforia em Alvalade.

E agora é a parte a que tínhamos prometido chegar logo no início. José Mourinho mexeu logo e bem, com Dodi Lukebakio a entrar para fazer a cabeça em água a Maxi Araújo, e o Benfica como que se revitalizou.

Nunca em todo o jogo o Benfica se sentiu tão confortável como no período a seguir a sofrer o golo. Curiosamente, ambas as equipas pareceram aproveitar mal os seus melhores momentos em campo.

O Sporting não conseguiu efetivar a boa entrada em golo e depois, quando marcou, permitiu que o jogo voltasse a estar dividido. O Benfica não conseguiu aproveitar os espaços surgidos do natural adiantamento do adversário a seguir ao primeiro golo.

No fim do dia, foi um jogo em que ambas as equipas só quiseram ganhar na altura errada, ou pelo menos naquela em que parecia ser mais difícil para o fazer, mas que acabou por ser a mais certa. Ainda assim, e para todos os efeitos, fica a nota de que o Sporting foi melhor e fez mais, mas o Benfica comprovou que não é mesmo nada fácil encontrar uma equipa que o derrote, tendo ainda a estrelinha final.

Nuns descontos de loucos, Rafael Nel e Rafa Silva fizeram golo, mas um foi invalidado e o outro não. No fim do dia, quatro momentos decisivos penderam todos para o mesmo lado, o do Benfica. Um jogo que podia ter ficado 2-2 acabou 0-4 em termos de momentos. 1-2 no placard, claro, mas 0-4 nas decisões.

Fica assim relançada a luta pelo segundo lugar, enquanto a do título parece estar totalmente acabada, a menos que o FC Porto decida baralhar tudo ao não ganhar ao Tondela.

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