O Sporting ainda chegou a falar com São Pedro mas acabou a noite no Inferno

7 abr, 21:59
Geny Catamo, Riccardo Calafiori e Gabriel Magalhães no Sporting-Arsenal (MIGUEL A. LOPES/Lusa)

CRÓNICA || Derrota injusta ou até muito injusta do Sporting, que levou um choque de pragmatismo perante um Arsenal que não joga muito, mas é muito bom a não deixar jogar

Se viu a trivela de Ousmane Diomande a isolar Maxi Araújo logo no início do Sporting-Arsenal e depois desligou a televisão ou ficou sem luz não perdeu muito mais, à exceção de uns minutos finais eletrizantes que valeram por tudo o resto. Quase sempre por culpa dos ingleses, que foram iguais a si próprios, a primeira mão destes quartos de final foi de menos risco e de mais calculismo.

É que mesmo tendo melhores jogadores, o Arsenal fica constantemente preso à máquina de Mikel Arteta, que parece assustar tanto os seus jogadores que eles não se desviam um único milímetro para tentar algo mais criativo. É por isso injusto demais que o golo marcado por Kai Havertz aos 90+1 acabe por decidir esta primeira mão, dando uma vantagem magra mas importante aos ingleses.

O problema é que a pressão, a ocupação do campo e a dimensão física do Arsenal são, aí sim, top mundial, pelo que foi sempre difícil ao Sporting sair das amarras, mesmo que o quisesse fazer. A exceção, tirando os minutos finais - já lá vamos - foi mesmo a trivela de Ousmane Diomande, com Maxi Araújo a 

Apostado num jogo em que pensou que as individualidades podiam resolver - Noni Madueke primeiro, o adolescente Max Dowman depois -, o Arsenal não teve engenho para mais e nem conseguiu aproveitar a sua grande mais-valia para fazer a diferença. A ideia acabaria por resultar mais tarde, já que Gabriel Martinelli e Kai Havertz, ambos vindos do banco, decidiram o encontro pela individualidade.

É verdade que se sentia uma natural tensão no ar sempre que havia canto para os gunners, mas o Sporting resolveu quase sempre o problema com relativa facilidade, tirando num lance em que a bola foi à barra de Rui Silva diretamente do pé do batedor.

Com Francisco Trincão a ter dificuldades em soltar-se do que a exigência defensiva lhe pediu, foi Geny Catamo quem foi agitando, aqui e ali, a defesa adversária, ainda que isso tenha resultado em poucos lances de perigo para a baliza adversária.

Do outro lado, Viktor Gyökeres também não conseguiu ser diferenciador, até porque continua a dar a sensação de que o sueco simplesmente não encaixa no sistema do Arsenal, andando sempre longe do jogo.

Quando apareceu, foi para dar apenas um sonho inexistente, já que estava claramente em fora de jogo, o que acabou por fazer com que aquilo que chegou a ser um golo de Martín Zubimendi fosse apenas uma nota de rodapé, já que o VAR interveio rapidamente para repor a normalidade.

De resto, se Viktor Gyökeres parece fora do seu espaço natural, o mesmo não se pode dizer de Luis Suárez. É verdade que o colombiano, tal como Francisco Trincão, também andou mais preocupado em ajudar a defender do que a conseguir lances na frente, mas já nos últimos 10 minutos fez um autêntico bailado para dar a bola a Geny Catamo, que obrigou David Raya àquela que até ali foi a defesa da noite.

Acabou por não ser porque minutos depois o guarda-redes espanhol evitou uma recarga de Luis Suárez já na pequena área, num lance que confirmou a sensação de que o Sporting podia perfeitamente ter vencido.

Olhando para a globalidade do jogo, é difícil dizer que o empate não seria o resultado mais justo, mesmo tendo em conta os minutos finais do Sporting. Foi como se os leões tivessem estado às portas do Céu, ali já em negociações com São Pedro, mas tenham acabado a descer ao Inferno no final.

A equipa que tem mais responsabilidade na eliminatória, o Arsenal, não quis ou não soube procurar outra coisa, encontrando mais sucesso em impedir que o adversário, o Sporting, fizesse pela vida.

Por isso mesmo, é fácil dizer que a vitória do Arsenal é, isso sim, claramente injusta, mas a época do Arsenal tem sido tudo isto, o que vai valendo a liderança da Premier League e, agora, um passo mais perto das meias-finais da Liga dos Campeões.

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