Dormir pode ser tão importante para a saúde do coração como a dieta ou o exercício

CNN , Jen Christensen
23 out 2022, 22:00
Dormir

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nos Estados Unidos, de acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças. A cada 34 segundos, alguém morre devido a uma doença cardiovascular.

Em junho, a Sociedade Americana de Cardiologia adicionou a duração das horas que dormimos à sua lista para a saúde cardiovascular, agora chamada de "A Vida Essencial 8". Essas diretrizes, com base na ciência, foram criadas para ajudar todos os americanos a melhorarem a sua saúde cardiovascular.

Os oito itens que compõem esta lista são: parar de fumar, comer melhor, tornar-se ativo, controlar o peso, vigiar a tensão arterial, controlar o colesterol, reduzir os níveis de açúcar no sangue e dormir melhor.

Alguns dos estudos por trás destas alterações foram publicados, quarta-feira, no jornal da Sociedade Americana de Cardiologia.

O estudo, realizado por cientistas da Escola de Saúde Pública Mailman, da Universidade de Columbia, mostra que as diretrizes sobre a saúde cardiovascular são mais eficazes, de maneira a prever-se o risco de doenças cardíacas, se se tiver em conta o sono.

Os investigadores analisaram os registos sobre o sono de 2 mil adultos de meia-idade ou em idosos, num estudo contínuo nos EUA sobre fatores de risco e doenças cardiovasculares chamado Estudo Multi-étnico de Aterosclerose, ou MESA.

Os participantes fizeram parte de uma investigação detalhada sobre a qualidade de sono. Eles preencheram inquéritos sobre o sono, usaram um dispositivo que mediu, durante sete dias, o seu sono e, de igual forma, fizeram um estudo noturno. Foi através desta investigação que os cientistas puderam observar a maneira como as pessoas dormiam.

Os maus hábitos de sono "são ubíquos" entre os americanos, diz o estudo. Tal acontece, inclusivamente, entre os participantes do estudo. Cerca de 63% dessas pessoas dormiram menos de sete horas por noite, ao passo que 30% dormiram menos de seis horas. De acordo com os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, a duração de tempo ideal para um adulto dormir situa-se entre as sete e as nove horas por noite.

As pessoas que dormiam menos de sete horas tinham maior possibilidade de ter uma "baixa eficiência do sono". Elas tinham padrões irregulares de sono, sofriam de sonolência diurna excessiva, bem como de apneia do sono. Mais concretamente, quase metade das pessoas que participaram nesta investigação apresentava apneia do sono moderada a grave. Mais de um terço relatou sintomas de insónia e 14% relataram sonolência diurna excessiva.

Aqueles que dormiram menos de sete horas apresentaram uma maior prevalência de fatores de risco no que concerne as doenças cardiovasculares, tais como: obesidade, diabetes tipo 2 e tensão alta. Outros estudos mostraram, de igual forma, ligações entre o sono curto e as doenças crónicas. Isto pode prejudicar, igualmente, a saúde do coração.

"Um sono de má qualidade também está associado a outros maus comportamentos de saúde", disse Nour Makarem, autora do estudo e professora assistente de epidemiologia da Escola de Saúde Pública Mailman. Esses maus comportamentos de saúde contribuem, de igual maneira, para uma má saúde cardíaca.

Makarem disse que há provas de que as pessoas que não dormem o suficiente, muitas vezes têm uma dieta pobre. Isso pode ser, em parte, porque o sono é um processo reparador que, entre outras coisas, produz e regula as hormonas que fazem com que uma pessoa se sinta saciada ou com fome. Quando essas hormonas ficam descontroladas, cada um de nós pode acabar por comer mais e vai procurar alimentos ricos em calorias, uma vez que estes fornecem uma energia mais rápida.

Uma má qualidade de sono também está ligada a um menor empenho no que toca à atividade física, disse Makarem.

"Tanto uma dieta pobre, bem como a falta de exercício são fatores importantes de risco para as doenças cardíacas", disse ela. "Portanto, o sono está relacionado a muitos fatores de risco de doenças cardiovasculares. Isso inclui, de igual modo, os fatores de risco psicológicos."

Uma má qualidade de sono pode elevar os níveis de stress e pode, igualmente, levar a que surjam riscos de depressão. Tal afeta, de igual maneira, a saúde do coração.

"Em suma, o sono está relacionado a fatores de risco clínicos, psicológicos e ao estilo de vida, que causam doenças cardíacas. Portanto, não é surpresa que uma má qualidade de sono aumente o risco de uma pessoa vir a sofrer, no futuro, de doenças cardiovasculares", acrescentou Makarem.

Sharon Cobb, diretora de programas de enfermagem e professora associada da Escola de Enfermagem Mervyn M. Dymally, da Universidade de Medicina e Ciência Charles R. Drew, em Los Angeles, disse que é importante que os profissionais de saúde levem o sono em consideração quando avaliam a saúde de alguém.

Ela espera que os estudos futuros forneçam evidências adicionais sobre a ligação entre ter-se uma boa saúde e uma boa qualidade de sono. Cobb espera, de igual forma, que se façam perguntas, de forma mais célere, sobre o assunto.

"Medem a sua tensão arterial, perguntam-lhe se come bem e se faz exercício físico, mas não se pergunta, com frequência, se a pessoa dorme bem de noite”, disse Cobb. Ela não esteve envolvida no novo estudo. “Dormir bem é essencial para promover uma boa saúde."

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