SONDAGEM TVI / CNN PORTUGAL || Entre os eleitores do PS, a rejeição da reforma é expressiva, atingindo 68%, enquanto entre os eleitores da AD e do Chega essa oposição é significativamente menor, fixando-se nos 31% e 39%
A mais recente sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN Portugal revela um país profundamente dividido quanto à necessidade de uma reforma da lei do trabalho, num debate marcado por diferenças ideológicas claras, conhecimento ainda limitado sobre as medidas propostas e uma forte exigência de posicionamento por parte dos candidatos presidenciais.
Questionados sobre a necessidade de uma reforma laboral, os portugueses mostram-se longe do consenso. 37% consideram que Portugal precisa ou precisa muito de uma reforma, enquanto 49% defendem que o país precisa de mudanças noutra direção ou que simplesmente não precisa de qualquer reforma. Dentro deste grupo, a posição mais frequente é mesmo a rejeição da necessidade de uma reforma laboral, opção assumida por 26% dos inquiridos.
As diferenças tornam-se mais evidentes quando analisadas as intenções de voto. Entre os eleitores do PS, a rejeição da reforma é expressiva, atingindo 68%, enquanto entre os eleitores da AD e do Chega essa oposição é significativamente menor, fixando-se nos 31% e 39%, respetivamente.
Apesar da centralidade da reforma laboral no debate político, a maioria dos portugueses admite ter apenas um conhecimento limitado das medidas propostas. Cerca de metade da população afirma conhecer apenas parcialmente a reforma, enquanto apenas 18% dizem estar totalmente informados.
No total, 69% dos inquiridos afirmam conhecer muito bem ou mais ou menos as medidas, contrastando com 31% que reconhecem conhecer mal ou não conhecer nada sobre a proposta do Governo.
Portugueses querem candidatos presidenciais a assumir posição
A sondagem revela ainda uma expectativa clara quanto ao papel dos candidatos à Presidência da República. Quase três em cada quatro portugueses (73%) defendem que os candidatos presidenciais devem esclarecer publicamente a sua posição sobre a reforma da lei do trabalho, enquanto apenas 22% consideram que não há necessidade desse esclarecimento.
A avaliação do impacto político do apoio de João Cotrim de Figueiredo, o único dos candidatos que apoia publicamente a reforma laboral, é maioritariamente, negativa. 36% dos portugueses acreditam que esse apoio irá traduzir-se numa perda de votos, contra apenas 16% que consideram que poderá resultar em ganhos eleitorais. Para 35%, a posição não terá efeitos relevantes, não originando nem ganhos nem perdas.
Ficha técnica
Sondagem realizada pela Pitagórica para a TVI e CNN Portugal com o objetivo de avaliar a opinião dos portugueses sobre temas relacionados com a atualidade nacional e internacional e com as eleições presidenciais de 2026.
O trabalho de campo decorreu entre os dias 11 e 19 de dezembro de 2025. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores recenseados em Portugal e foi devidamente estratificada por género, idade e região. Foram realizadas 2012 tentativas de contacto, para alcançarmos 1000 entrevistas efetivas, pelo que a taxa de resposta foi de 49,7%.
As 1000 entrevistas telefónicas recolhidas correspondem a uma margem de erro máxima de +/- 3,16% para um nível de confiança de 95,5%. A distribuição de indecisos é feita de forma proporcional. A direção técnica do estudo é da responsabilidade de Rita Marques da Silva. A ficha técnica completa, bem como todos os resultados, foram depositados junto da ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social que os disponibilizará para consulta online.