Inquérito sobre o 25 de Abril e a democracia portuguesa revela que o número de portugueses satisfeitos com a forma como funciona a democracia é praticamente equivalente àqueles que dão nota negativa. Ainda assim, a maioria dos inquiridos considera que a democracia, embora imperfeita, é melhor do que qualquer outro regime político ou de governo
Há praticamente um empate entre a percentagem de portugueses que estão pouco ou nada satisfeitos com a forma como a democracia funciona atualmente e aqueles que a avaliam com nota positiva. Segundo os dados da sondagem “O 25 de Abril e a Democracia Portuguesa”, 40,4% dos inquiridos mostram-se pouco satisfeitos e 8,9% nada satisfeitos. Por outro lado, são 41,6% aqueles que dizem estar muito satisfeitos, enquanto 5,7% garantem estar muitíssimo satisfeitos com a maneira como funciona hoje a democracia em Portugal.
Os portugueses que responderam ao inquérito da Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril consideram a corrupção (41,8%) e os extremismos políticos dos partidos (40,1%) como as principais ameaças à democracia. Há ainda 20,1% que veem a falta de informação ou a propagação de informações erradas como o maior risco.
Já as desigualdades sociais são apontadas por 17,3% como ameaça à democracia, 14,8% entendem que esse perigo reside maioritariamente na falta de educação cívica, uma percentagem semelhante àqueles que consideram a crise económica como o principal risco (14,7% ). Numa dimensão menor, está também a abstenção na eleições elencada por 9,5% dos inquiridos a esta sondagem.
Para os inquiridos, as mudanças resultantes do 25 de Abril são vistas de forma muito positiva em várias dimensões da vida coletiva. A área em que esse impacto é mais reconhecido é a da liberdade e dos direitos, apontada por 76,8% dos inquiridos como um domínio em que as transformações foram muito positivas.
Segue-se a democracia política, com 69,7% dos inquiridos a considerarem que as mudanças trazidas pela Revolução tiveram um efeito muito positivo. Também a educação ou ensino recolhe uma avaliação bastante favorável, com 67,9% a destacarem o impacto muito positivo da Revolução de Abril neste campo.
Nessa mesma linha, 66,6% entendem que houve mudanças muito positivas no desenvolvimento do país, enquanto 66,3% sublinham o efeito nas condições de vida. Já nas relações de trabalho, essa perceção é partilhada por 65,3% dos inquiridos.
A economia surge, ainda assim, como a área onde a avaliação é relativamente menos entusiástica, embora maioritariamente positiva: 55,1% consideram que as mudanças resultantes do 25 de Abril foram muito positivas nesta área.
Também no que toca à valorização do regime democrático, os dados mostram um apoio expressivo à ideia de que, apesar das suas falhas, a democracia continua a ser preferível a qualquer outro sistema político ou de governo. A maioria dos inquiridos concorda de forma inequívoca com esta afirmação: 57% dizem concordar totalmente.
A este grupo juntam-se ainda 26,4% que afirmam concordar em parte, o que significa que mais de oito em cada dez portugueses manifestam uma posição globalmente favorável à democracia enquanto modelo de regime.
Num plano mais intermédio, 10,9% dos inquiridos dizem não concordar nem discordar da afirmação, 1,5% afirmam discordar em parte da ideia de que a democracia é melhor do que qualquer outro regime político ou de governo, 0,7% dizem discordar totalmente.
No que respeita aos objetivos que estiveram na origem do 25 de Abril de 1974, os inquiridos associam mais a Revolução à recuperação das liberdades e dos direitos dos portugueses. Esta é, aliás, a opção mais referida em primeiro lugar, escolhida por 37,1% dos inquiridos.
Muito próximo surge o derrube da ditadura dos governos de Salazar e Marcelo Caetano, apontado por 34,2% como o principal objetivo que esteve na base da Revolução. Já o estabelecimento da democracia em Portugal é identificado por 14,8% dos inquiridos como a motivação central do 25 de Abril. Com menor expressão, 11% destacam o fim da guerra colonial como o objetivo primordial do movimento de Abril. Bastante mais atrás aparecem ainda a melhoria das condições de vida dos portugueses, referida por 2,7%.
Ficha Técnica da Sondagem (ERC)
O 25 DE ABRIL E A DEMOCRACIA EM PORTUGAL
1. Entidade Promotora
Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril
2. Entidade Responsável pela Realização
Multidados – The Research Agency Empresa acreditada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)
3. Objetivo do Estudo
Avaliar as perceções dos portugueses sobre o 25 de Abril, o seu impacto histórico, a cultura democrática e as expectativas em relação ao futuro da democracia em Portugal.
4. Universo
População residente em Portugal, com 18 ou mais anos de idade, incluindo Continente e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
5. Amostra
· Dimensão: 1600 indivíduos
· Tipo: amostra estratificada
· Método de seleção: aleatória, com base em quotas proporcionais à estrutura da população
· Variáveis de estratificação: região (NUTS II), sexo, idade e nível de escolaridade
· Fonte de referência: Censos 2021 (INE)
6. Distribuição da Amostra
A amostra foi distribuída de forma proporcional à população por região, sexo, grupos etários e níveis de instrução
7. Método de Recolha da Informação
Entrevistas telefónicas, através do sistema CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing), realizadas para números de telefone fixo e móvel.
8. Seleção dos Inquiridos
Seleção aleatória de lares e indivíduos, com base em números de telefone fixo e móvel, proporcional à distribuição da população residente, segundo os Censos 2021.
9. Período de Recolha
Trabalho de campo realizado entre 20 de março e 12 de abril de 2026.
10. Taxa de Resposta
[Inserir, caso disponível — elemento recomendado pela ERC]
11. Margem de Erro
A margem de erro máxima associada a uma amostra de 1600 entrevistas é de ±2,6%, para um nível de confiança de 95% e assumindo a situação mais desfavorável (p=q=50%).
12. Controlo de Qualidade
· Verificação posterior (callback) de entrevistas realizadas
· Supervisão direta do trabalho de campo
· Validação interna dos dados recolhidos
13. Equipa Técnica | Coordenação científica e consultoria
O estudo contou com a colaboração de uma equipa de entrevistadores com formação adequada e supervisão técnica permanente.
Coordenação científica e consultoria:
· Mário Bacalhau
· António Costa Pinto
· António Belo
· Maria Inácia Rezola
· Thomas Bruneau
14. Tratamento e Apresentação dos Dados
Os resultados foram tratados estatisticamente e apresentados em valores absolutos e percentagens. Eventuais diferenças residuais resultam de arredondamentos.
15. Observações
A amostra foi ponderada de forma a assegurar a representatividade da população portuguesa nas variáveis consideradas.