Inquérito sobre o 25 de Abril e a democracia portuguesa revela também o que pensam os portugueses sobre as consequências da queda da ditadura em Portugal e se consideram que se mantém uma recordação suficiente sobre Revolução dos Cravos. Por fim, a resposta à pergunta: o que se celebra no dia 25 de Abril?
Para os portugueses, Salgueiro Maia e António de Oliveira Salazar são as figuras públicas que os portugueses mais associam ao 25 de Abril de 1974. A sondagem “O 25 de Abril e a Democracia Portuguesa” demonstra que 32,3% identificam o capitão de Abril como o nome maior da Revolução dos Cravos, enquanto o nome do presidente do Conselho de Ministros do governo ditatorial do Estado Novo surge entre 23,7% dos inquiridos.
Os portugueses apontam ainda os nomes de António Ramalho Eanes, Mário Soares, Otelo Saraiva de Carvalho, Zeca Afonso, Álvaro Cunhal, Marcelo Caetano e António de Spínola como personalidades relevantes na Revolução dos Cravos.
A sondagem demonstra também que a grande generalidade dos portugueses, 77,6%, acredita que o 25 de Abril trouxe consequências “mais positivas do que negativas” a Portugal. Apenas 2,8% dos inquiridos acredita que o país estava melhor antes do fim da ditadura e 17,6% acredita que o 25 de Abril tanto trouxe alterações positivas como negativas.
Volvidos 52 anos desde a queda do Estado Novo, ainda perdura uma recordação comum suficiente sobre o 25 de Abril de 1974? Apenas 29,8% dos inquiridos acredita que sim, sendo que a grande maioria dos portugueses entende que se mantém apenas em parte ou pouco, 53,8%. Por outro lado, 13,5% defende que não se mantém uma recordação suficiente dos eventos sucedidos no dia 25 de Abril de 1974.
Questionados sobre o que se celebra no dia 25 de Abril, 60,2% dos portugueses responderam que era o Dia da Liberdade. Entre os inquiridos, 17,3% disse a revolução de 25 de Abril e o fim da ditadura, 11,7% considerou que era a queda da ditadura e apenas 2,4% afirmou que é o dia em que se celebra a democracia.
Esta sondagem integra um conjunto mais alargado de perguntas do estudo “O 25 de Abril e a Democracia Portuguesa”. Na quarta-feira, a CNN Portugal revelou os primeiros resultados, que mostram um país dividido quanto à forma como a democracia funciona atualmente. Já na quinta-feira, a CNN Portugal revelou que a participação dos portugueses em associações e organizações cívicas mantém-se relativamente baixa, com 66,4% a afirmarem que não estiveram envolvidos em qualquer atividade deste tipo no último ano. Esta sexta-feira, as respostas centraram-se no conhecimento que os portugueses têm sobre o 25 de Abril.
Ficha Técnica da Sondagem (ERC)
O 25 DE ABRIL E A DEMOCRACIA EM PORTUGAL
1. Entidade Promotora
Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril
2. Entidade Responsável pela Realização
Multidados – The Research Agency Empresa acreditada pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC)
3. Objetivo do Estudo
Avaliar as perceções dos portugueses sobre o 25 de Abril, o seu impacto histórico, a cultura democrática e as expectativas em relação ao futuro da democracia em Portugal.
4. Universo
População residente em Portugal, com 18 ou mais anos de idade, incluindo Continente e Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
5. Amostra
· Dimensão: 1600 indivíduos
· Tipo: amostra estratificada
· Método de seleção: aleatória, com base em quotas proporcionais à estrutura da população
· Variáveis de estratificação: região (NUTS II), sexo, idade e nível de escolaridade
· Fonte de referência: Censos 2021 (INE)
6. Distribuição da Amostra
A amostra foi distribuída de forma proporcional à população por região, sexo, grupos etários e níveis de instrução
7. Método de Recolha da Informação
Entrevistas telefónicas, através do sistema CATI (Computer Assisted Telephone Interviewing), realizadas para números de telefone fixo e móvel.
8. Seleção dos Inquiridos
Seleção aleatória de lares e indivíduos, com base em números de telefone fixo e móvel, proporcional à distribuição da população residente, segundo os Censos 2021.
9. Período de Recolha
Trabalho de campo realizado entre 20 de março e 12 de abril de 2026.
10. Taxa de Resposta
[Inserir, caso disponível — elemento recomendado pela ERC]
11. Margem de Erro
A margem de erro máxima associada a uma amostra de 1600 entrevistas é de ±2,6%, para um nível de confiança de 95% e assumindo a situação mais desfavorável (p=q=50%).
12. Controlo de Qualidade
· Verificação posterior (callback) de entrevistas realizadas
· Supervisão direta do trabalho de campo
· Validação interna dos dados recolhidos
13. Equipa Técnica | Coordenação científica e consultoria
O estudo contou com a colaboração de uma equipa de entrevistadores com formação adequada e supervisão técnica permanente.
Coordenação científica e consultoria:
· Mário Bacalhau
· António Costa Pinto
· António Belo
· Maria Inácia Rezola
· Thomas Bruneau
14. Tratamento e Apresentação dos Dados
Os resultados foram tratados estatisticamente e apresentados em valores absolutos e percentagens. Eventuais diferenças residuais resultam de arredondamentos.
15. Observações
A amostra foi ponderada de forma a assegurar a representatividade da população portuguesa nas variáveis consideradas.